Parecer de Nunes Marques (a favor) fará a condenação de Bolsonaro ser anulada

Nunes Marques homologa acordo para Minas pagar dívida com União

Nunes Marques seguirá o voto de Fux e absolverá Bolsonaro

Carlos Newton

Poucas vezes o Supremo Tribunal Federal viveu um clima tenso como o de agora. A situação só ficou pior em 1968, no Ato Institucional nº 5 (que deveria ser denominado Ato Ditatorial), quando o presidente Costa e Silva aposentou compulsoriamente os ministros Evandro Lins e Silva, Victor Nunes Leal e Hermes Lima, juristas de verdade, com notório saber e reputação ilibada..

Em solidariedade, os ministros Lafayette de Andrade e Antônio Gonçalves de Oliveira renunciaram aos cargos. Um mês e meio depois, em 3 de fevereiro de 1969, o regime militar então baixou o AI-6, que reduziu o número de cadeiras no STF de 16 para 11, consolidando uma maioria de ministros alinhados à ditadura.

CLIMA TENSO – Somente agora, quase 60 anos depois do AI-6, o Supremo volta a funcionar em temperatura máxima, causada pelos sucessivos escândalos que vêm abalando o tribunal a partir da libertação ilegal de Lula da Silva, em 2019.

O clima agora é muito tenso, por vários motivos, como o fato de o ministro Alexandre de Moraes estar sendo processado nos EUA pelo presidente Trump; o caso do Banco Master, que atinge Moraes e também Dias Toffoli; e a revisão criminal da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe, um crime que foi planejado, mas não chegou a acontecer.

Os três casos acontecem simultaneamente,mas o processo da revisão criminal, relatado na Segunda Turma pelo ministro Nunes Marques, está mais adiantado e ganha destaque.

DIZ GONET – Em parecer enviado ao STF na terça-feira passada, dia 16, o procurador-geral Paulo Gonet pede que a revisão criminal de Bolsonaro sequer seja conhecida pela Segunda Turma. Bem, sonhar ainda não é proibido, mas a revisão criminal é direito de todo réu, especialmente quando favorecido pelo mais extenso e fundamentado voto da História do Supremo, com 426 páginas, emitido por Luiz Fux na Primeira Turma.

Agora, o processo aguarda o voto do relator da Segunda Turma, Nunes Marques, que não tem prazo regimental para entregá-lo, mas tudo indica que deverá fazê-lo sem demora, pois conhece bem o processo.

Conforme a Tribuna da Internet tem informado desde o ano passado, sempre com absoluta exclusividade, a revisão criminal será aprovada por 3 votos a 2, com Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça, a favor, e Gilmar Mendes e Dias Toffoli, contra. Não haverá outro resultado.

CONSEQUÊNCIAS – Como a Segunda Turma funciona como revisora da Primeira Turma, o resultado do julgamento provocará uma confusão dos diabos, em pleno final da campanha desta eleição presidencial.

É claro que surgirão inquietantes dúvidas sobre as consequências legais da absolvição de Bolsonaro. A única coisa certa é que, ao proclamar a absolvição de Bolsonaro, o novo presidente da Segunda Turma, que será Luiz Fux, imediatamente expedirá o alvará de soltura, e todos os demais condenados pela Primeira Turma (mais de 1,5 mil) logo irão pedir revisão criminal.

É um direito que a lei lhes garante, para cumprimento do Pacto Americano dos Direitos Humanos, aprovado em 1969, que o regime militar desprezou, mas o Brasil aderiu em 1992, ainda no governo Collor de Mello, e logo depois foi assinado pelo sucessor Itamar Franco. O acordo garante que não existe condenação sem recurso a juízo colegiado.

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P.S. 1
– Com Bolsonaro solto, vai haver uma terceira disputa jurídica, porque o grupo de Gilmar Mendes, que inclui Moraes e a maioria do STF, vai tentar um desesperado recurso, pedindo que o ex-presidente seja julgado pelo plenário, onde a derrota dele é mais do que certa. Diante disso, o que acontecerá?

P.S. 2 – Bem, aqui na Tribuna da Internet sabemos o que vai acontecer, porque há meses estamos estudando o Regimento Interno do Supremo. Portanto, quem quiser saber o resultado desse processo, que faça o mesmo. No Regimento em si, há mais de mil dispositivos (artigos, parágrafos, incisos, itens e alíneas), acrescidos de uma série de emendas.

P.S. 3 – Logo que Bolsonaro for solto, a Tribuna da Internet irá revelar o que está previsto nas normas do Supremo quanto à possibilidade de recurso. Dispomos desse conhecimento porque nos dedicamos a pesquisar a legislação. É por isso que conseguimos transmitir essas informações sempre com absoluta exclusividade. Aliás, os juristas e jornalistas políticos deveriam fazer o mesmo. Mas quem se interessa? (C.N.)

Pesquisa Ipsos-Ipec: 56% dos brasileiros afirmam não confiar no presidente Lula

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: De olho  nas pesquisas

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Yago Godoy
O Globo

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira mostra que 56% dos brasileiros dizem não confiar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 41% afirmam que confiam no mandatário petista. O cenário mantém o percentual das divulgações anteriores. Outros 3% não souberam ou não responderam.

A taxa é maior entre homens (58%, contra 54% entre o público feminino). O percentual também é alavancado na parcela da população que possui ensino médio (62%) e ensino superior (64%), e, em relação à faixa etária, alcança o pior cenário entre pessoas de 25 a 34 anos de idade (63%).

RENDA E RELIGIÃO – A percepção negativa atinge o pico entre quem recebe mais de cinco salários mínimos (70%) ou é evangélico (70%).

Já a parcela da população em que há mais confiança é entre quem ganha até um salário mínimo (53%) ou é católico (51%).

Na última publicação da pesquisa, em março deste ano, 40% diziam confiar no petista, contra 56% que afirmavam ter desconfiança. Há um 1 ano, em junho de 2025, a situação atingiu a maior discrepância: 37% confiavam em Lula, enquanto 58% ressaltavam não confiar.

PIOR DO QUE ANTES – Ainda conforme a Ipsos-Ipec, para 42% dos brasileiros, o governo Lula é pior do que o esperado, enquanto 23% avaliam que a gestão superou as expectativas.

A única região brasileira em que a avaliação positiva predomina é no Nordeste, onde 36% dizem que o terceiro mandato de Lula é melhor que o que se esperava, contra 32% que afirmam ser “igual” e 30% que declaram estar pior.

O governo Lula, segundo a pesquisa, também não é melhor do que o esperado para nenhuma faixa de renda familiar. A maior diferença é entre quem ganha mais de cinco salários mínimos — 12% melhor contra 50% pior —, e a menor, entre quem tem renda de até um salário — 34% melhor e 36% pior.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Uma pergunta sincera para quem acredita em pesquisas: Você acha possível um político ser eleito presidente quando 56% dos eleitores não confiam nele? Além disso, em relação à situação econômica do Brasil, 41% dizem que está pior nos últimos seis meses e apenas 25% dizem que está melhor. Em suma: a pesquisa do Ipsos, uma grande empresa francesa que adquiriu o Ipec, mostra que Lula não tem condições de vencer. (C.N.)

Michelle volta ao ataque contra Ciro e enterra de vez aliança com o PL no Ceará

Michelle reagiu às declarações de Ciro

Letícia Pille
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar nesta segunda-feira o pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB), reacendendo um embate que já provocou atritos dentro da família Bolsonaro e levou o PL a suspender, no ano passado, uma articulação para apoiar o então pedetista na disputa pelo governo do Ceará.

Em uma sequência de publicações nas redes sociais, Michelle compartilhou um vídeo de um apoiador que afirma que ela “tinha razão” ao se opor à aproximação entre o PL e Ciro. A gravação repercute uma entrevista concedida pelo ex-governador do Ceará à revista Veja na semana passada, na qual ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “são iguais”.

PROJETOS DE PODER – Na publicação seguinte, Michelle compartilhou um trecho da reportagem e escreveu: “Nunca foi ‘para tirar o PT’, e sim por projetos de poder”. A mensagem faz referência às negociações conduzidas nos últimos meses por lideranças do PL cearense para tentar construir uma aliança com o ex-ministro em torno de uma candidatura de oposição ao governador Elmano de Freitas (PT).

A ex-primeira-dama afirmou ainda que já gravou um vídeo sobre o tema e que pretende divulgá-lo em breve. Pouco depois, Michelle voltou ao assunto ao compartilhar outro trecho da entrevista de Ciro à Veja. Na declaração reproduzida por ela, o ex-ministro afirma que uma eventual aliança regional não alteraria suas divergências nacionais com o PL.

— A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional — disse Ciro à revista.

DISPUTA – As críticas retomam uma disputa que mobilizou o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro no ano passado. Em dezembro, Michelle se posicionou publicamente contra as tratativas conduzidas pelo deputado André Fernandes (PL-CE), então com o aval de Bolsonaro, para viabilizar uma composição eleitoral com Ciro no Ceará.

Na ocasião, a ex-primeira-dama afirmou que não poderia apoiar um político que, segundo ela, atacou reiteradamente Jair Bolsonaro e ajudou a consolidar narrativas contra o ex-presidente. O posicionamento gerou forte reação dos filhos de Bolsonaro, como Flávio, que classificou a postura da madrasta como “autoritária” e afirmou que ela havia atropelado uma decisão previamente autorizada pelo ex-presidente.

Carlos e Eduardo Bolsonaro também saíram em defesa da articulação conduzida pelo diretório cearense. Dias depois, porém, Flávio pediu desculpas a Michelle e o PL decidiu suspender as negociações.

Bolsonaro aguarda decisão de Moraes sobre prisão domiciliar após fim do prazo

Prazo de prisão domiciliar de Bolsonaro termina na quinta

Márcio Falcão
G1

O prazo da prisão domiciliar temporária do ex-presidente Jair Bolsonaro termina na quinta-feira (25). A extensão do benefício depende do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro cumpre desde novembro do ano passado a pena de 27 anos e três meses de prisão por ter sido considerado líder de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de estado em 2022 para mantê-lo no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022.

ESTADO DE SAÚDE – A prisão domiciliar foi concedida por Moraes em março e pelo prazo de 90 dias. O ministro considerou que o estado de saúde do ex-presidente, que enfrentava um quadro de broncopneumonia e teve que ser internado num hospital particular de Brasília, justificava a medida. O benefício também teve aval da Procuradoria-Geral da República.

Antes da prisão domiciliar, Bolsonaro ficou preso na Superintendência da Polícia Federal e, em 15 de janeiro deste ano, foi transferido para uma sala de Estado-Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

EXAMES –  A defesa de Bolsonaro pediu que Moraes autorize uma nova bateria de exames. Os advogados argumentam que são necessários uma tomografia computadorizada do tórax e do abdômen, uma endoscopia digestiva alta e uma pHmetria esofágica (para medir o grau de acidez no esôfago).

De acordo com os médicos, a avaliação é essencial para o acompanhamento do quadro de pneumonia broncoaspirativa e para a investigação de uma esofagite erosiva, gastrite crônica, doença do refluxo gastroesofágico, má digestão e recorrentes crises de soluço.

Os médicos apontaram que Bolsonaro, ao longo da domiciliar, apresentou piora considerável nos episódios de soluços. Devido à intensidade e à frequência das crises, a equipe médica que acompanha o ex-presidente precisou administrar doses extras de medicamentos, atingindo o “limite terapêutico de segurança”.

FADIGA – O relatório médico apresentado pela defesa também aponta que, do ponto de vista cardiológico, o ex-presidente permanece estável, com a pressão arterial controlada. E que mantém queixas de cansaço e fadiga ao realizar esforços médios, além de oscilações no equilíbrio corporal.

Em maio, o ex-presidente também passou por uma cirurgia no ombro direito. Além do quadro clínico de Bolsonaro, o ministro do STF também deve avaliar o comportamento do ex-presidente durante a domiciliar.

ARMA APREENDIDA –  Um fator que pode influenciar o caso é a apreensão de uma arma de Bolsonaro com um militar que é responsável pela segurança do ex-presidente. A arma – uma pistola Glock 9mm – foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília na última semana. Apesar de ter documentação regular, a pistola foi recolhida pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo.

O caso é investigado pela Polícia Civil do DF. O carro era dirigido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro. O militar prestou depoimento e foi liberado. Ele afirmou à Polícia Civil que a arma estava sendo transportada porque precisava passar por reparos, e seria devolvida em seguida ao ex-presidente.

Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro prestasse esclarecimentos sobre a entrega da arma na reta final da prisão domiciliar. Ao STF, os advogados afirmam que a própria equipe de segurança de Bolsonaro tinha deixado a arma de fogo inoperante para evitar riscos, frente às condições de saúde mental do político.

PRECAUÇÃO – “As medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante.”

O juiz federal e pós-doutor pela Universidade de Coimbra, Paulo César Rodrigues, avalia que a prisão domiciliar humanitária no caso do ex-presidente é uma situação excepcional e que a apreensão da arma pode sim caracterizar uma falta grave.

PRAZO MENOR – O magistrado, no entanto, aponta que as condições que justificaram o benefício não foram alteradas, com o quadro de saúde fragilizado e com a idade. O ex-presidente tem 71 anos. E, portanto, a domiciliar pode ser mantida até mesmo com novas condições, como prazo menor.

“Essa situação não se desconfigurou, mas como a apreensão da arma é uma falta que pode ser considerada grave, o ministro pode regredir o regime ou até impor restrições para a própria domiciliar. Mas, como é uma pessoa idosa e com a saúde debilitada, há chances de a domiciliar ser mantida”, disse.

Na prisão domiciliar, Bolsonaro está usando tornozeleira eletrônica e cumpre restrições: monitoramento presencial da área externa da casa vistoria de todos os carros que deixarem o local; proibição de quaisquer manifestações a um raio de 1 km de distância; e proibição de celulares, redes sociais e gravação de vídeos ou áudios. O ex-presidente pode receber advogados, médicos e familiares. As visitas de políticos foram suspensas.

Interesses eleitorais de Motta e Alcolumbre emperram agenda do Congresso

Disputa deixa Motta e Alcolumbre em lados opostos

Luiz Felipe Barbiéri
Caetano Tonet
G1

Com o foco nas eleições, governo e oposição trabalham para encaminhar e destravar a análise de projetos de seus respectivos interesses no Congresso Nacional, mas a Copa do Mundo, as festas de São João e disputas políticas ligadas têm contribuído para atrasar o andamento das propostas.

Um dos pontos são as negociações para a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente. Impulsionadas pelo bom momento da relação de Motta com o governo, parte das matérias de interesse do Executivo já foi aprovada pelos deputados, mas não contam com a boa vontade de Alcolumbre, com quem a relação não está boa, para serem votadas pelos senadores.

PEC DA SEGURANÇA – É o caso da PEC da Segurança Pública, aposta do governo para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o eleitorado, principalmente o de centro-direita, que aponta o tema como uma de suas maiores preocupações.

O texto foi aprovado na Câmara em março, mas ainda não foi despachado por Alcolumbre para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde as PECs são analisadas antes de irem para o plenário do Senado.

POSTURA DÚBIA –  Outro texto que aguarda votação dos senadores é a PEC que reduz a jornada de trabalho sem redução salarial. Alcolumbre adota uma postura dúbia, apesar de garantir a interlocutores que o tema será votado antes das eleições, tem dito que o Senado não pode ser uma “casa carimbadora” e ainda não enviou a matéria para a CCJ.

Ele inclusive desmarcou um encontro que teria com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), para definir o relator e não há uma nova data no horizonte. Aliados do presidente do Senado dizem que apesar da cautela de Alcolumbre, a PEC terá uma tramitação rápida na CCJ pela boa relação de Otto Alencar com o governo.

DESCOMPASSO –  Parlamentares admitem o descompasso de agenda entre as duas casas, mas atribuem o travamento dos projetos à relação de Alcolumbre com o governo e não às festas, tratadas como a “desculpa oficial”.

Além disso, avaliam que a agenda ficará ainda mais apertada em razão do período eleitoral, quando o Congresso deverá trabalhar em regime remoto a maior parte do tempo para permitir que os deputados e senadores fiquem nas suas bases para fazer campanha.

Para permitir o avanço das propostas, os parlamentares defendem que Alcolumbre tente reconstruir a relação com o Planalto. O presidente do Senado é apontado como responsável por uma das principais derrotas políticas de Lula neste mandato, a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.

VÍDEO DE LULA – Sobre a Motta, um deputado disse que a relação com o Planalto deu uma pequena “azedada” por conta do vídeo de Lula em apoio à reeleição de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) ao Senado. Motta luta pelo apoio do presidente ao seu pai, o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos-PB). No entanto, não acreditam que isso impacte o andamento de propostas de interesse do Executivo na Casa por considerarem que o episódio ainda é “corrigível”.

Para os parlamentares, o acirramento dessa disputa pelo apoio de Lula seria prejudicial ao próprio Motta por dar mais peso à manifestação do presidente ao senador paraibano.

REELEIÇÃO –  A decisão de Motta e Alcolumbre de colocar em votação ou não determinados projetos também passa pelo cálculo de reeleição às respectivas presidências da Câmara e do Senado. Motta colou no governo e Alcolumbre na oposição.

Nas palavras de um parlamentar, o presidente do Senado só tem chance de se eleger se tiver o PL ao seu lado, enquanto Motta se agarrou ao PT. Ambos “só pensam nisso”, segundo outro congressista.

A decisão de Alcolumbre de levar à votação um que facilita o pagamento de dívidas de produtores rurais com subsídio do governo, por exemplo, não é tratada como uma retaliação ao governo por deputados e senadores, mas sim o atendimento de um interesse da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O texto é considerado uma pauta bomba pelo governo (leia mais abaixo). O Ministério da Fazenda estima um impacto de R$ 140 bilhões nos próximos 13 anos.

ANTES DO RECESSO –  Motta também anunciou que pretende enviar ao Senado outras três matérias antes do recesso parlamentar: um projeto que aumenta o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI); uma proposta que equipara a misoginia ao crime de racismo. Este projeto já passou pelo Senado, mas vai ser analisado novamente pelos senadores porque os deputados devem alterar seu conteúdo; e outro texto que cria o Marco Legal da Inteligência Artificial (IA).

Parlamentares avaliam que os dois primeiros projetos devem ser discutidos e aprovados antes do recesso, como quer Motta. Os deputados, no entanto, defendem mais debates sobre a proposta que cria um marco legal para IA.

TOMA LÁ., DÁ CÁ –  Se os projetos de interesse do governo avançam na Câmara e ficam parados no Senado, as propostas aprovadas por senadores contra os interesses do Executivo estão guardadas na gaveta do presidente da Câmara.

É o caso do projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado. Como mostrou o G1, Motta disse a aliados que a medida é “impagável”, que as pautas de socorro ao agronegócio “precisam ter um limite” e que não é possível aprovar tudo o que a bancada ruralista deseja.

O projeto foi assunto em uma ligação entre Motta e Alcolumbre. O presidente do Senado perguntou se o tema avançaria na Câmara. Na resposta, Motta afirmou não conhecer o texto e que não se comprometia em pautá-lo.

MISOGINIA – Outra proposta que travou na Câmara foi o projeto da misoginia. Motta decidiu criar um grupo de trabalho para discutir o texto, o que atrasou a tramitação. A votação deve ser realizada só depois do período das Festas Juninas. Apesar do descompasso nas agendas das duas Casas, Alcolumbre e Motta mantêm uma relação próxima e se falam praticamente todos os dias.

Aliados do presidente do Senado atribuem a falta de harmonia entre as duas Casas a crise entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto deflagrada com a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

PT e PL transformam TSE em campo de batalha antecipado da eleição de 2026

Mudança no comando da Segunda Turma do STF pode endurecer cenário para Vorcaro

Brasil já ganhou alguma coisa nesta Copa, com a escolha do hino mais bonito

O MELHOR HINO DA COPA! 🇧🇷 Em votação popular do Jornal The Athletic (Nova  York), o hino brasileiro foi eleito o melhor da competição. Passa para o  lado para ver os 5Vicente Limongi Netto

A seleção brasileira de futebol está longe de jogar por música, mas já ganhou um valoroso troféu, o do hino mais bonito entre os participantes da Copa do Mundo. De acordo com o Estadão do dia 20, a lista foi elaborada pelo jornalista Tim Spiers, da seção esportiva do The New York Times, que avaliou os hinos das 48 seleções que disputam o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá.

Segundo o jornalista, no hino brasileiro “há muitas palavras cantadas muito rapidamente durante a maior parte da composição, sobre não temer a batalha, sobre um colosso destemido e uma pátria amada. Mas o ponto alto é a sua gloriosa introdução orquestral”. O hino da França foi avaliado em segundo lugar.

REELEIÇÕES –  José Aparecido Freire foi reeleito, com gestão até 2030, para o terceiro mandato como presidente do Sistema Fecomércio do Distrito Federal.

Em setembro, por sua vez, José Roberto Tadros será reeleito, em chapa única, presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

As eleições para entidades empresariais são tão importantes quanto as eleições para cargos no Executivo, porque são as empresas que pagam grande parte dos impostos que os governantes desperdiçam. Ou seja, são tão exploradas quanto os cidadãos.

PL testará desgaste de Lula na Bahia após operação da PF contra Jaques Wagner

Delúbio chama Joaquim Barbosa de “desqualificado” e promete reabrir o Mensalão

A sombra poética de Waly Salomão, fazendo versos como quem morde…

Se todas as coisas nos reduzem a zero,... Waly Salomão - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, compositor e poeta baiano Waly Dias Salomão (1943-2003), um dos mais atuantes agitadores do movimento Tropicália, no poema “Amante da Algazarra”, fala sobre uma sombra sobrenatural que se apodera dele, que os espiritualistas chamam de “encosto”.

AMANTE DA ALGAZARRA
Waly Salomão

Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela!!!

Todo mundo sabe,
sou uma lisa flor de pessoa,
sem espinho de roseira
nem áspera lixa de folha de figueira.
Esta amante da balbúrdia
cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!

Enquanto caminho a pé,
pedestre–peregrino atônito até a morte,
Sem motivo nenhum de pranto
ou angústia rouca ou desalento.
não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura
que fez de mim seu encosto.
E se apossou do estojo de minha figura
e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida,
sem ceder a concha do ouvido
a ninguém que dela discorde,
é esta selvagem sombra acavalada
que faz versos como quem morde.              

Flávio escolhe SP para sediar candidatura e sinaliza mudança de estratégia

Pesquisa indica liderança de Lula, enquanto Flávio Bolsonaro tenta contornar caso Dark Horse

Pesquisa mostra estabilidade em relação ao mês passado

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa Datafolha traz um retrato que merece uma análise além dos números. O presidente Lula da Silva continua liderando a corrida presidencial tanto no primeiro quanto no segundo turno, preservando uma vantagem importante sobre o senador Flávio Bolsonaro. No entanto, o dado politicamente mais relevante do levantamento não é apenas a manutenção da liderança do petista, mas a percepção de que o impacto eleitoral do caso Dark Horse sobre a candidatura de Flávio parece ter perdido intensidade, devolvendo competitividade à disputa.

No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%. Já em uma eventual segunda etapa da eleição, o presidente venceria por 47% a 43%. Embora a vantagem permaneça favorável ao Palácio do Planalto, a diferença está distante de representar uma situação confortável para qualquer um dos lados, sobretudo diante da polarização que continua caracterizando o ambiente político brasileiro.

FINANCIAMENTO – O episódio envolvendo o filme Dark Horse havia produzido um dos momentos mais delicados da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A controvérsia surgiu após a divulgação de informações relacionando o senador a pedidos de financiamento para a produção cinematográfica que retrata a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A repercussão negativa atingiu diretamente a imagem do candidato, alimentando questionamentos sobre sua relação com empresários investigados e sobre os bastidores da produção do longa.

Nas semanas seguintes ao escândalo, pesquisas indicaram uma perda perceptível de apoio ao senador. Entretanto, a nova rodada do Datafolha sugere que esse desgaste foi, ao menos temporariamente, contido. Em linguagem política, trata-se de um sinal de que a candidatura conseguiu impedir que a crise continuasse produzindo danos sucessivos. Não significa recuperação plena da popularidade, mas indica que parte do eleitorado conservador permaneceu fiel ao candidato, relativizando os efeitos da controvérsia.

Para Lula, o levantamento também traz mensagens ambíguas. De um lado, permanece na liderança e mantém vantagem suficiente para vencer uma eventual disputa em dois turnos. De outro, não consegue ampliar essa diferença de forma consistente, mesmo após semanas em que seu principal adversário enfrentou uma crise de imagem. Em qualquer campanha presidencial, espera-se que escândalos relevantes provoquem migrações expressivas de voto. Quando isso não ocorre, abre-se espaço para a interpretação de que a capacidade de convencimento do eleitor já se aproxima de um teto.

PREFERÊNCIAS POLÍTICAS – Outro aspecto importante revelado pelo cenário eleitoral é o elevado grau de cristalização das preferências políticas no país. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro possuem eleitorados altamente identificados com seus respectivos campos ideológicos. Isso reduz o impacto de acontecimentos isolados e faz com que fatores econômicos, percepção sobre segurança pública, inflação, emprego e renda tendam a exercer peso crescente conforme a campanha avança.

A estabilidade observada pelo Datafolha também evidencia que a eleição continua aberta. Uma vantagem de quatro pontos percentuais em um eventual segundo turno, embora relevante, não elimina a possibilidade de mudanças ao longo dos próximos meses, especialmente considerando a margem de erro da pesquisa e o elevado número de eleitores que ainda podem rever suas escolhas diante dos debates, da propaganda eleitoral e de novos acontecimentos políticos.

NOVAS REVELAÇÕES – O desafio de Flávio Bolsonaro será convencer o eleitor de que o episódio Dark Horse pertence ao passado e impedir que novas revelações tragam o tema novamente ao centro da campanha. Já Lula precisará transformar sua vantagem estatística em uma percepção mais sólida de favoritismo, evitando que a disputa permaneça excessivamente equilibrada na reta final.

Em uma eleição marcada por forte polarização, nenhum dos dois lados pode considerar o cenário consolidado. A pesquisa mostra um presidente que segue liderando, mas sem margem confortável, e um adversário que sobreviveu ao maior desgaste de sua pré-campanha e permanece competitivo. A partir de agora, mais do que escândalos isolados, será a capacidade de cada candidato de apresentar respostas convincentes para os problemas concretos do país que poderá definir o resultado das urnas em outubro.

Professora de Direito que enfrentou a ditadura exige rigor contra penduricalhos etc.

Novo penduricalho dá seis meses de folga a cada ano para os juízes e procuradores

Charge reproduzida do Arquivo Google

Raphael Di Cunto
Folha

Já agraciados por 60 dias de férias por ano, juízes e integrantes do Ministério Público flexibilizaram regras para parcelamento do período de descanso de modo a poderem folgar seis meses por ano –número que pode ser ampliado por outras licenças criadas. A mudança também permite elevar o pagamento de indenizações sem abrir mão de períodos longos de descanso.

O benefício contrasta com o de trabalhadores da iniciativa privada. Um empregado na escala 6×1, que o Congresso discute proibir por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), tem 78 dias de folga por ano. Já um juiz federal ou procurador pode ficar 178 dias sem trabalhar –128% a mais. Um funcionário ou servidor na jornada 5×2 tem 124 dias de descanso anuais.

E O FERIADOS? – A conta, feita pela Folha, não considera feriados, que variam ano a ano, e licenças que podem ampliar os dias não trabalhados de magistrados e procuradores. Organizações que fiscalizam o Judiciário e o Ministério Público apontam o risco de que o uso de folgas seja intensificado após o STF (Supremo Tribunal Federal) limitar o pagamento de penduricalhos dessas carreiras a R$ 33 mil por mês, para além do salário.

“Há receio de que façam uma interpretação muito específica, de deixar de pagar a licença compensatória em pecúnia e transformar em descanso. É quase como se você tivesse uma greve, uma operação tartaruga, com o usufruto máximo dos privilégios de descanso dessas carreiras para compensar uma perda financeira”, afirma o coordenador de projetos da Transparência Brasil, Cristiano Pavini.

PARCELAMENTO – Antes mesmo da decisão do STF, a Procuradoria-Geral da República e o Conselho da Justiça Federal aprovaram no ano passado a possibilidade de que as férias de 60 dias sejam parceladas em até 12 períodos de cinco dias cada, o que permite juntar dois fins de semana e feriados para otimizar o uso das folgas e evitar a sobreposição com sábados e domingos. A divisão só vale para procuradores e magistrados.

Somados aos 104 sábados e domingos e aos 18 dias de recesso forense (dos quais 4 a 6 dias coincidem com fins de semana, a depender do ano), os 60 dias de férias corridos permitirão que eles possam folgar 178 dias por ano e trabalhar apenas 187 –praticamente um dia de descanso para cada dia de trabalho.

A possibilidade de tirar férias sem sobreposição com fins de semana pode servir também para potencializar a própria remuneração. Uma juíza de Pernambuco com salário de R$ 33.689,11, por exemplo, recebeu R$ 1,3 milhão em um único mês com a indenização de férias não usufruídas.

FOLGAS DEMAIS – Ao juntar com quatro dias do fim de semana, do anterior e do seguinte, o magistrado ou procurador folgará na prática nove dias, mas só terá o desconto de cinco dias de férias. Dessa forma, poderá tirar férias 12 vezes no ano ou vender até 20 dias para aumentar o salário e ainda folgar mais do que os demais trabalhadores.

Além disso, o STF autorizou que até 30 dias de férias sejam indenizados em dinheiro quando não forem utilizados no período de um ano. Esse valor é livre de imposto de renda.

A mudança aprovada no ano passado tem ainda uma brecha e não veda que as férias sejam usadas em períodos de cinco dias em semanas consecutivas, apenas pulando o fim de semana para não haver a “perda de dias” de descanso. Até então, os procuradores tinham que parcelar as férias em, no máximo, seis períodos de dez dias e os juízes federais, em duas etapas de 30 dias cada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A Folha questionou há um mês o Conselho e a Procuradoria, mas não teve resposta. Já era esperado. Não há justificativa para tantos penduricalhos, quando a Justiça Federal agora só funciona das 11 às 17 horas, e os juízes e procuradores raramente comparecem, pois desde a pandemia só trabalham sem sistema de home office. (C.N.)

Polarização é estúpida, e o que importa mesmo é haver desenvolvimento social

A quatro meses das eleições, especialistas comentam polarização política entre os brasileiros – Lide Jornal

Charge reproduzida do Lide Jornal

Luiz Felipe Pondé
Folha

Lênin, num artigo para o jornal bolchevique Pravda, em abril de 1917, escreveu que “uma marca altamente relevante da nossa revolução é que ela trouxe à tona um poder dual”.  Esse poder dual ao qual Lênin fazia referência era o conflito entre o então governo provisório russo, liderado por Kerenski — que era desqualificado pelos bolcheviques, como sendo afeminado e, supostamente, tendo fugido da Rússia vestido de mulher, coisa que diziam ser um gosto pessoal dele — e o soviete dos trabalhadores e soldados de Petrogrado.

Este nome foi dado a cidade de São Petersburgo para que, durante a primeira guerra contra a Alemanha, sua então capital fosse russificada.

NADA DE NOVO – Entretanto, esse caráter dual da soberania no início da Revolução Russa, que implicava um impasse para esta mesma soberania, não era exatamente novidade na história das revoluções. Lênin comparava a situação do soviete bolchevique à chamada Comuna de Paris de 1871, que então enfrentara o governo nacional francês.

Lênin descrevia em seu artigo para o Pravda três fatores que marcaram a Comuna de Paris de 1871 —”uma iniciativa direta do povo a partir de baixo, em suas áreas locais”, “população armada” e “governo direto do próprio povo”.

O sociólogo e historiador Charles Tilly, no seu “From Mobilization to Revolution”, de 1978, descreveu como processos revolucionários foram marcados por um governo único inicial revolucionário, seguido por uma tendência ao fenômeno de múltiplas soberanias em conflito, muitas vezes, levando a violência a se alastrar pelo tecido social. Ou seja, diferentes grupos organizados reclamando serem eles o soberano legítimo.

COMUNA DE PARIS – Para Dan Edelstein, no seu “Revolution to Come, a History of an Idea of Revolution from Thucydides to Lenin”, de 2025, essa semelhança entre o soviete bolchevique e a Comuna de Paris de 1871 replicava o mesmo fenômeno que se passou na Revolução Francesa, quando a Comuna de Paris de 1792 entrou em conflito com a Assembleia Geral revolucionária.

A partir de 1789, todos os republicanos revolucionários franceses concordavam que a soberania deveria ser do povo. O conflito não era, portanto, quanto a quem deveria ter a soberania, mas, sim, quem representava de fato o povo soberano.

Esta questão ainda hoje se aplica, por exemplo, no Brasil, ou seja, a quem de fato faz a defesa da democracia, o Supremo Tribunal Federal e sua dobradinha com o PT ou os bolsonaristas.

ESTÚPIDA POLARIZAÇÃO – O discurso público desses dois “partidos”, para quem tem algum repertório que vai além da estúpida polarização que assola o país, é, evidentemente, marcado por essa controvérsia acerca de quem, verdadeiramente, detém a legítima representação do povo brasileiro soberano na defesa da sua democracia.

Na França revolucionária, os conflitos entre os atores políticos versavam, em grande parte, sobre quais desses atores falavam em nome do povo francês. Como bem sabemos, esse processo de esgarçamento da soberania levou à violência que devastou a França por anos.

Mas, ainda seguindo Edelstein, devemos dar um passo atrás, se quisermos, consistentemente, compreender qual era a raiz filosófica e política dessa multiplicidade de partidos a disputar a legítima representação do povo francês soberano, ou, dito de outra forma, quem era o soberano legítimo que recebia essa soberania de quem, de fato, a possuía — o povo.

FÉ PROGRESSISTA – E aqui, revela-se uma disputa acerca de quem representava de modo consistente o princípio filosófico e histórico que animou todas as revoluções modernas até aqui, a saber, a crença de que a história progride. A fé no progresso da humanidade estava por trás de tudo.

Se o progresso implica uma linearidade de ações políticas que se somam para realizá-lo no horizonte, a disputa é por quem realizaria o progresso ao longo do tempo histórico e quem tentaria, a todo custo, impedi-lo.

Se há vários partidos que dizem representar o progresso, alguém mente ou erra. Quem não concorda comigo, a rigor, é contra o progresso. É nesse lugar que deita raízes o conceito de progressista.

AVANÇO POSITIVO – Há, portanto, um postulado metafísico por trás do progressista: a história avança para melhor.

O oposto desse postulado não é o conservador ou o contrarrevolucionário, que formam um par dialético com o progressista, mas, sim, quem pensa como os antigos: a história anda e se repete em círculos, indo para lugar nenhum. Tucídides e não Hegel ou Marx.

Há, entretanto, um impasse, hoje, para os progressistas, à diferença das revoluções modernas: não se pode mais defender, abertamente, matar os contrarrevolucionários. “O que fazer?”, como escreveu Lênin.

Cartão consignado vira peça-chave do escândalo que atinge Jaques Wagner

Processo judicial para suspender as bets destaca que Lula prometeu fechá-las

Charge 24/09/2024 - Marco Jacobsen

Charge do Marco Jacobsen

Carlos Newton

O advogado Luiz Nogueira, que representa o ex- deputado paulista Afanasio Jazadji na ação popular para suspender as apostas em bets, encaminhou nova petição à 18ª Vara Federal Cível de Brasília, pedido celeridade no exame e julgamento do processo, devido aos prejuízos causados aos brasileiros, especialmente às camadas mais carentes.

No requerimento, a defesa classifica o esquema de apostas como ilegal, imoral e lesivo ao erário público. Em seguida, transcreve trecho de editorial do jornal “O Estado de S. Paulo”, enfatizando que “enquanto critica apostas, o governo Lula impede que o País saiba como foram autorizadas”.

DISSE LULA – Segundo o “Estadão”, há dois meses o presidente Lula aventou a possibilidade de proibir as bets no Brasil.

“Se dependesse de mim, a gente fecha as bets”. A declaração de Lula sugere um governante alarmado com os efeitos de um setor que se transformou em problema de saúde pública, alimenta o endividamento de famílias e já começa a cobrar sua conta do Estado. Pena que o próprio governo não demonstre o mesmo entusiasmo quando o assunto é lançar luz sobre esse mercado. “Lula diz que fecharia as bets, por enquanto, parece mais empenhado em fechar os olhos”.

O advogado Luiz Nogueira lamenta-se que a 18ª Vara não tivesse, em tempo, atentado para a retificação da petição inicial e do objeto da ação, na qual tenta-se impugnar a Portaria SPA 1231/2024, do Ministério da Fazenda, que regulamentou a jogatina.

AÇÃO POPULAR – A título ilustrativo, a defesa argumenta que, para diversas e conceituadas correntes jurídicas “a Justiça admite a ação popular para atacar leis de efeitos concretos, que embora tenham a forma de lei (geral e abstrata), na verdade, possuem destinatários específicos e finalidades certas, quando a lei materialmente se confunde com um ato administrativo e que pode ser combatida pela Ação Popular”.

E mais: “A existência de um decreto de regulamentação (Portaria SPA no. 1231/2024) reforça a ideia de que a lei está saindo do mundo abstrato e operando no mundo prático e produzindo efeitos concretos”.

Com base nessa justificativa, a defesa afirma ser cabível a ação popular, porque a portaria e as consequências da lei violaram a moralidade administrativa

SUSPENDER AS BETS – Em seguida, a petição requer que seja suspensa a comercialização das bets e sua “mendaz propaganda”, assim como a posterior condenação da União e de outros citados, ressarcindo-se o erário público dos danos sofridos, a ser apurado em regular execução de sentença.

Por fim, cita o princípio da razoável duração do processo (art. 5º., inciso LXXVIII da Constituição Federal), que exige celeridade. E argumenta que, ações que tutelam a moralidade administrativa ou interesses difusos (como a Ação Popular), “o juiz não pode usar a sobrecarga de trabalho como justificativa para o atraso de decisões de urgência e de proteção de 210 milhões de brasileiros”.

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P.S.
1 – 1029773-82.2026.4.01.3400 – este é o número do importantíssimo processo que a grande imprensa está desprezando, pois apenas a Tribuna da Internet vem cobrindo sua letárgica tramitação. Por óbvio, o juiz tem obrigação de dar prioridade a uma causa de tamanha importância. Mas quem se interessa?
(C.N.)

P.S. 1 – Não perca amanhã, com absoluta exclusividade:
Parecer de Nunes Marques (a favor) fará
a condenação  de Bolsonaro  ser anulada

Ano eleitoral amplia gastos dos estados e ameaça o equilíbrio fiscal

Congresso mais poderoso exige eleitor mais atento – eis o desafio pós-2026

Próximo Congresso não tem que ser pior que o atual

Dora Kramer
Folha

O crescimento do poder do Parlamento não serviu só para inverter o equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo. Servirá nesta eleição para dar chance ao eleitorado de desmentir a escrita de que o próximo Congresso será sempre pior que o anterior.

Para isso é preciso observar alguns pré-requisitos na escolha de deputados e senadores. Renúncia ao pertencimento a bolhas ideológicas é um deles, mas há outros: atenção máxima ao cardápio de candidatos, prioridade semelhante à dada aos postulantes à Presidência e abandono de badulaques tais como carisma e venda de terrenos na Lua.

IDENTIFICAÇÃO PROGRAMÁTICA – Conta também para um Legislativo alinhado às regras do presidencialismo a conjugação de parlamentares à opção por um candidato a presidente que tenha com eles identificação programática —de novo, não necessariamente ideológica— que facilite o ato de governar.

Não se trata de interditar o essencial ofício da oposição, mas de distinguir os papéis dos Poderes, seus deveres e direitos, no sistema presidencialista. Há dúvida sobre o interesse dos beneficiários da atual distorção de explicar que se eles querem exercer o controle do Orçamento devem ter também responsabilidade na execução das políticas públicas.

Sem essa atribuição clara de prerrogativas, vamos continuar na toada em que o Congresso dita ações do governo sem ter responsabilidade sobre as consequências. Situação muito confortável para o Parlamento, mas de evidente distorção institucional. Urgente, portanto, que se corrija a deformação.

VOTO CONSCIENTE – Se não for pela mudança de sistema —duas vezes recusada em plebiscito—, que seja pelo voto consciente. Convencida de que a eleição de congressistas influi no ato de governar, altera decisões, prospera ou interdita decisões, a população tem a chance de dar o seu jeito.

E qual seria o melhor jeito? Decerto prestar atenção, empregar rigoroso escrutínio ao que dizem candidatos sobre a utilidade que pretendem dar aos futuros mandatos e questioná-los sobre o que acreditam ser o papel do Congresso.