Eduardo Bolsonaro vira ‘camisa 10’ de Lula e amplia desgaste da candidatura de Flávio

O “DOTAPUDE”, UM DEPUTADO AO CONTRÁRIO! Eduardo Bolsonaro (PL/SP) é um antideputado. Agride sistematicamente o Código de Ética e Decoro Parlamentar. Entre os deveres fundamentais do deputado está o de “promover a

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Roseann Kennedy
Estadão

A história política do País registrou um capítulo irônico na última terça-feira, 16. Ao ser condenado por unanimidade no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação de ministros no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) consolidou seu papel de “camisa 10” no time do presidente Lula.

De forma involuntária, o filho “Zero Três” do ex-presidente Jair Bolsonaro transformou-se em um grande cabo eleitoral do petista. Além de presentear Lula com o discurso em defesa da soberania nacional, ele ainda corre o risco de tirar a próprio família de campo.

AGENDA NO EXTERIOR – Curiosamente, enquanto Eduardo era sentenciado a 4 anos e 2 meses de prisão — acusado de articular, nos Estados Unidos, sanções contra o Brasil e ministros do STF —, o presidente Lula cumpria agenda no exterior justamente propagando a bandeira da soberania nacional.

O resultado do julgamento no STF tem potencial para prejudicar mais a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Eduardo sempre foi o principal fiador do nome do irmão no grupo político, a despeito de todas as críticas e das sinalizações de que uma chapa de centro-direita teria mais força para enfrentar Lula.

Vivendo em uma espécie de mundo paralelo nos Estados Unidos, Eduardo acabou colando a imagem do irmão às ameaças de um novo “tarifaço” americano contra produtos brasileiros, sobretudo após articular o recente encontro de Flávio com Donald Trump. Essa associação afasta o eleitor independente — que deve decidir o pleito deste ano —, uma vez que o teto dos votos radicais já está estabelecido.

SABOTAGEM INTERNA – Aliados que circulam no núcleo duro do bolsonarismo e da pré-campanha já identificam um movimento de sabotagem interna para que Flávio desista da disputa eleitoral de 2026.

É claro que a pressão está muito mais associada ao seu derretimento nas pesquisas após as revelações de conversas em que pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, além do temor de novos escândalos. Contudo, a condenação de Eduardo joga combustível na crise. Os primeiros passos, segundo apurou a Coluna, sinalizam uma tentativa de viabilizar o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) para substituí-lo.

Ou seja, embora a bolha bolsonarista aposte em uma espécie de “VAR” jurídico para virar o jogo — forçando um paralelo do caso de Eduardo com o desfecho do julgamento de Carla Zambelli na Corte italiana, que apontou a parcialidade do ministro Alexandre de Moraes —, o risco real é de o grupo imitar a seleção da Itália: ver os Bolsonaros fora desta “Copa” eleitoral.

Após Ciro e Cláudio Castro, escândalo do Master chega ao coração do governo Lula

“Tô com saudade de tu, meu desejo; tô com saudade do beijo e do mel…”

Nando Cordel - Pesquisa Escolar

Nando Cordel, grande músico pernambucano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, instrumentista e compositor pernambucano Fernando Manoel Correia, nome artístico Nando Cordel, expressa o que acarreta a saudade de um amor na letra de “Gostoso Demais”, parceria com Dominguinhos. A música foi gravada por Maria Bethânia no LP Dezembros, em 1987, pela Universal Music.

GOSTOSO DEMAIS
Dominguinhos e Nando Cordel

Tô com saudade de tu, meu desejo.
Tô com saudade do beijo e do mel,
Do teu olhar carinhoso,
Do teu abraço gostoso,
De passear no teu céu.

É tão difícil ficar sem você,
O teu amor é gostoso demais.
Teu cheiro me dá prazer,
Quando estou com você,
Estou nos braços da paz.

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz assim
Tem dó de mim,
O que eu posso fazer?                     

Rumble e empresa de Trump dizem que Moraes perdeu prazo e pedem revelia

Empresas afirmam que Moraes não respondeu dentro do prazo

Isabella Menon
Folha

A Rumble e a Trump Media, empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediram nesta quinta-feira (18) que a Justiça da Flórida reconheça formalmente que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), não apresentou defesa dentro do prazo previsto em uma ação movida pelas companhias contra ele.

A medida representa um passo preliminar para um eventual julgamento à revelia. As empresas afirmam que Moraes foi citado por email em maio, por meio de um procedimento alternativo autorizado pela própria corte, e que o prazo para resposta terminou em 15 de junho sem manifestação do ministro.

POR EMAIL – Segundo os advogados da Rumble e da Trump Media, os documentos da ação foram enviados por meio de dois emails. Embora uma das mensagens tenha retornado com aviso de que a caixa não estava habilitada para receber emails, os autores afirmam ter recebido confirmação de entrega da mensagem enviada ao endereço vinculado ao gabinete do ministro.

Na petição, as empresas sustentam que Moraes “não compareceu, respondeu, solicitou prazo adicional ou apresentou qualquer defesa” após a citação. Com base nisso, pedem que a secretaria da corte registre formalmente o descumprimento do prazo processual pelo réu.

O pedido foi apresentado três dias após a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressar no processo. A Rumble argumenta que a iniciativa do governo brasileiro não impede o reconhecimento de que Moraes deixou transcorrer o prazo sem apresentar defesa.

AFRONTA À SOBERANIA – Ao anunciar a medida, a AGU afirmou que a ação representa uma tentativa de submeter atos praticados por um integrante da Suprema Corte brasileira à jurisdição de um tribunal estrangeiro, o que configuraria afronta à soberania nacional e à independência do Judiciário.

Na manifestação protocolada nesta quinta, porém, os advogados da Rumble afirmam que a atuação do governo brasileiro não substitui uma resposta de Moraes. Segundo eles, a República Federativa do Brasil não representa o ministro individualmente no processo e não possui autoridade para responder em seu nome.

Os autores destacam ainda que, embora o governo brasileiro tenha pedido para intervir na ação e solicitado seu arquivamento, Moraes não apresentou defesa própria nem pediu prorrogação do prazo para se manifestar.

NOVA FASE – A medida solicitada pelas empresas não encerra o processo nem representa uma vitória automática dos autores. Caso o pedido seja aceito, a ação seguirá para uma nova fase processual, na qual a Rumble e a Trump Media poderão buscar uma decisão favorável com base na ausência de defesa apresentada pelo réu.

A disputa judicial teve início após a Rumble e a Trump Media contestarem decisões de Moraes relacionadas à moderação de conteúdo e ao bloqueio de contas em plataformas digitais.

Em 22 de maio, a Justiça dos EUA autorizou a citação do magistrado por email. Segundo a decisão, foram frustradas as tentativas de notificação formal por meio de cooperação internacional entre os dois países. Com a citação efetivada, passa a correr prazo de 21 dias para apresentação de resposta, sob pena de decretação de revelia. As empresas alegam que as determinações do ministro produzem efeitos nos Estados Unidos e violam garantias previstas na Constituição americana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Cansamos de avisar que Alexandre de Moraes ia perder o prazo de defesa e ser condenado à revelia. Mas ele quis bancar o espertinho, economizar a contratação de advogado americano e fingir que a acusação era contra o Brasil. Em sua arrogância e prepotência, Moraes se julgava o máximo, a ponto de enviar ordens da filial Brazil para serem cumpridas na matriz USA. O resultado aí está. A soberba é um pecado capital, mas Moraes não liga para essas bobagens. (C.N.)

Cadé os bilhões de reais que a PF diz ainda estarem disponíveis a  Vorcaro?

Vorcaro segue preso sem prazo definido e terá destino julgado pela Segunda  Turma do STF #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Duarte Bertolini

Muitas coisas mudam – e velozmente – no Brasil. Mas outras continuam imutáveis e guiando nossos dias. Por exemplo, o bordão “O Brasil não é para amadores”. Sempre que é citado, percebo minha absoluta ignorância. Foi o que aconteceu ao ler esta manchete: “PF está pressionando Vorcaro a devolver bilhões de reais aos fundos…”

A grande imprensa publica uma notícia desse teor, mas ninguém pergunta aonde foram parar estes bilhões. Se ainda restam no patrimônio ou estão disponíveis de Vorcaro, não deveriam estar sob a guarda do Banco Central?

MAIS DÚVIDAS – Se continuam à disposição do Vorcaro, como a PF ainda não encontrou essa fortuna? Ou as espalhafatosas buscas e apreensões seriam só para animar os telejornais e aumentar o prestígio do PF?

Se estão em paraíso fiscal, em contas de laranjas no exterior, em imóveis registrados por cúmplices, em bitcoins ou similares, por que os famosos rastreamentos da PF, Receita Federal, Coaf, Banco Central e Tribunal de Contas da União não encontraram qualquer rastro? O sempre útil e necessário site Intercept, oráculo de todos os segredos favoráveis à esquerda, não poderia ajudar neste caso?

Essas inquietantes dúvidas vêm confirmar o bordão celebrizado por Tom Jobim mostrando que o Brasil realmente não é para amadores.

TERCEIRA TENTATIVA – Os bilhões podem até sumir, mas uma coisa é certa – a delação de Vorcaro vai acontecer. Lembrem que na Lava Jato as delações possibilitaram a devolução de bilhões aos cofres públicos, mas depois os empresários corruptos recuperaram tudo, devido ao apoio entusiasmado do Supremo.

No caso da trama do golpe que não houve, a delação foi coisa de profissionais. O tenente-coronel Mauro Cid, brilhante oficial que era orgulho do Exército, foi moldando seus depoimentos às necessidades da relatoria até chegar ao que interessava aos grandes atores/defensores da democracia desta vibrante nação.

Somente depois de prestar nove depoimentos, Mauro Cid deixou de ser pressionado e sua delação foi aprovada com aplausos. Quanto a Daniel Vorcaro, o banqueiro está apenas no terceiro depoimento. Ainda faltam seis, pelo menos. Enquanto isso, os bilhões do banqueiro vão se evaporando, num país que não é mesmo para amadores.

Campanha de Flávio mira eleitorado feminino e busca uma mulher para vice

Flávio está com dificuldade para conseguir uma vice mulher

Malu Gaspar
O Globo

A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que acaba de se engajar na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para ser porta-voz da campanha para assuntos econômicos, não deve ser a única mulher que o filho de Jair Bolsonaro pretende atrair para o seu entorno. Pelo que se ouve dos aliados, povoar a campanha de mulheres é uma espécie de obsessão do candidato do PL, por duas razões.

A primeira é o fato de que Flávio precisa diminuir a diferença para Lula na preferência do eleitorado feminino, que é muito grande. Na última pesquisa Genial/Quaest, divulgada na semana passada, Lula aparecia com 41% do voto feminino e Flávio, 24%. O segundo motivo é regulatório. Segundo a lei eleitoral, todo partido precisa ter 30% de candidatas mulheres e gastar 30% de seu orçamento com elas.

CANDIDATA A VICE – Uma das formas de ajudar a resolver essa questão é ter uma candidata a vice que seja mulher, o que parece consenso entre todas as alas do PL. Por isso, Eduardo Bolsonaro tirou da cartola a candidatura da Júlia Zanatta (PL-SC), da ala mais radical do bolsonarismo. A iniciativa assustou os dirigentes do partido, que já vinham pensando em alternativas para compor a chapa com Flávio.

A vice dos sonhos do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, é a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que além de mulher é da bancada do agro e tem boa imagem como gestora, de quando foi ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro. Ela poderia ainda agregar apoios à candidatura, mas para que ocupa o posto é preciso, primeiro, que a federação formada pelo PP e pelo União Brasil feche uma coligação nacional com o PL – o que já foi muito provável mas, agora, com o impacto do caso Master sobre Flávio e Ciro Nogueira, principal liderança do PP, já não se sabe mais como funcionaria.

Sem coligação, será preciso encontrar outras alternativas em outras legendas, como o Republicanos e o próprio PL, o que não é considerado ideal. Mas se a vice tiver que sair do mesmo partido de Flávio, a ideia é de que seja uma mulher nordestina. Desse universo vem saindo os nomes mais citados nos últimos dias entre os líderes do PL, como o da vereadora de Fortaleza Priscila Costa, que além de nordestina é muito amiga de Michelle Bolsonaro, o que poderia ajudar no trabalho igualmente prioritário de aproximar a madrasta do enteado.

FORA DA CAMPANHA – Michelle, que é presidente do PL Mulher e passou os últimos anos organizando núcleos femininos Brasil afora, não se engajou na campanha de Flávio até agora e não demonstra nenhuma vontade de fazer isso. A ex-primeira-dama e Flávio não têm boa relação. Além disso, estão rompidos desde novembro do ano passado, quando ela criticou publicamente a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e foi desautorizada pelo enteado.

Em reação, Flávio chamou Michelle de “autoritária” e disse que ela “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”, que havia autorizado a aliança. Depois ele pediu desculpas em privado. Ela queria uma retratação pública.

Após uma articulação nos bastidores que envolveu interlocutores dos dois lados, Michelle fez um aceno ao enteado ao lhe desejar “feliz aniversário” em suas redes em 30 de abril, quando Flávio comemorou 45 anos.

MANIFESTAÇÃO – O passo seguinte seria uma manifestação de Michelle declarando apoio explícito à candidatura do senador ao Palácio do Planalto, mas o movimento foi abortado com a divulgação dos áudios em que Flávio cobra de Daniel Vorcaro dinheiro para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Na semana passada, ao responder a perguntas de repórteres, a ex-primeira-dama afirmou que se engajaria na campanha de Flávio “no momento certo”. Mas no entorno dela o que se diz é que Michelle, que pretende se candidatar a senadora pelo PL no Distrito Federal, fará apenas o mínimo necessário para não criar muitos ruídos.

Sem a presença da liderança mais carismática do PL no palanque, vai restar a Flávio recorrer aos planos B do partido. Nesse contexto, Daniella Marques vira uma espécie de curinga para a campanha, preenchendo ao mesmo tempo dois vácuos: o de quadros para gerir a economia e o de mulheres.

Lula acertou ao responder Trump: soberania nacional não admite tutores estrangeiros

Lula cobrou respeito à soberania nacional

Pedro do Coutto

A política externa raramente decide eleições no Brasil. Mas, quando um presidente dos Estados Unidos resolve comentar a disputa presidencial brasileira, o debate deixa de ser apenas diplomático e passa inevitavelmente para o terreno eleitoral. Foi exatamente isso que ocorreu quando Donald Trump classificou o Brasil como um país “politicamente perigoso” e voltou a demonstrar preferência pelo campo político ligado à família Bolsonaro.

A resposta do presidente Lula da Silva foi direta: “Não se meta nas eleições no Brasil.” Acrescentou que as eleições brasileiras dizem respeito exclusivamente aos brasileiros e cobrou respeito à soberania nacional.

NÃO INTERVENÇÃO – Independentemente das preferências partidárias de cada eleitor, é difícil contestar o princípio que orientou a resposta presidencial. Desde a redemocratização, um dos pilares da política externa brasileira tem sido justamente a defesa da não intervenção nos assuntos internos dos Estados. O Brasil historicamente rejeitou ingerências estrangeiras, fossem elas vindas de Washington, Moscou, Pequim ou de qualquer outro centro de poder internacional.

Esse princípio não pertence à esquerda nem à direita. É uma tradição diplomática construída ao longo de décadas pelo Itamaraty. A declaração de Trump, portanto, produz um efeito político curioso. Ao demonstrar simpatia por um dos campos da disputa eleitoral brasileira, o presidente americano oferece a Lula a oportunidade de ocupar um terreno historicamente sensível para o eleitorado nacional: a defesa da soberania.

O nacionalismo brasileiro possui características próprias. Diferentemente de outros países, ele costuma emergir quando há percepção de pressão externa. Em momentos assim, divergências ideológicas frequentemente cedem espaço à ideia de que decisões nacionais devem ser tomadas exclusivamente dentro das fronteiras brasileiras.

REAÇÕES – Não é a primeira vez que esse fenômeno aparece. Ao longo da história recente, manifestações de governos estrangeiros sobre temas internos brasileiros quase sempre provocaram reações de defesa institucional, inclusive entre grupos políticos que normalmente divergem em praticamente tudo. A percepção de que uma potência estrangeira tenta influenciar decisões nacionais costuma gerar resistência muito maior do que apoio.

Sob esse aspecto, Trump acabou oferecendo a Lula uma pauta politicamente confortável. Ao responder que o presidente americano pode ter suas preferências pessoais, mas não deve interferir nas eleições brasileiras, Lula evitou transformar o episódio em confronto ideológico com os Estados Unidos. Em vez disso, deslocou a discussão para um princípio amplamente aceito nas relações internacionais: o respeito à soberania dos Estados.

Isso não significa que as declarações de Trump tenham potencial para alterar significativamente o resultado das urnas. O peso eleitoral de um presidente americano sobre o voto do brasileiro sempre foi limitado. Questões como inflação, emprego, renda, segurança pública e qualidade dos serviços costumam exercer influência muito superior na decisão do eleitor. Entretanto, episódios internacionais podem moldar narrativas políticas.

ARGUMENTOS – Neste caso, Lula ganha argumentos para reforçar o discurso de que seu governo defende a autonomia nacional diante de pressões externas. Já a oposição enfrenta um desafio adicional: demonstrar que eventuais aproximações com Washington não representam subordinação política nem aceitação de interferências em assuntos internos.

O episódio também evidencia um aspecto mais amplo das relações internacionais sob Donald Trump. Ao longo de sua trajetória política, o presidente americano rompeu diversas convenções diplomáticas tradicionais ao manifestar preferências por candidatos, partidos e lideranças de outros países. Esse estilo personalista produz repercussões internas que nem sempre favorecem aqueles que recebem seu apoio. Em democracias consolidadas, demonstrações explícitas de preferência por parte de líderes estrangeiros frequentemente despertam reações nacionalistas e fortalecem o discurso da autonomia política.

No caso brasileiro, essa lógica parece especialmente evidente. Ao dizer que o Brasil se tornou “politicamente perigoso”, Trump buscava criticar o ambiente institucional brasileiro. No entanto, ao fazê-lo durante um período pré-eleitoral e ao associar suas declarações ao contexto envolvendo aliados da família Bolsonaro, acabou permitindo que Lula respondesse ocupando uma posição institucionalmente difícil de contestar: a defesa da independência do processo eleitoral brasileiro.

DECISÃO NAS URNAS – No fim das contas, a principal lição desse episódio talvez seja menos sobre Lula ou Trump e mais sobre a natureza das democracias. Países soberanos escolhem seus governantes nas urnas, por decisão de seus próprios cidadãos. Preferências internacionais sempre existirão, assim como afinidades ideológicas entre líderes. O que não pode se tornar normal é a expectativa de que governos estrangeiros influenciem processos eleitorais que pertencem exclusivamente às sociedades nacionais.

Nesse ponto específico, a resposta de Lula transcendeu a disputa entre governo e oposição. Reafirmou um princípio que antecede qualquer eleição, qualquer partido e qualquer presidente: a soberania popular não admite tutela externa. É esse princípio, e não uma conveniência circunstancial, que sustenta a legitimidade de qualquer democracia.

“Deu um abalo”: coordenador de Flávio reconhece prejuízo eleitoral com o ‘Dark Horse’

Aliados de Lula pressionam Jaques Wagner a deixar liderança do governo

Lula considera que permanência é insustentável

Catia Seabra
Brasília

Com aval do presidente Lula (PT), ministros e aliados se lançaram nesta quinta-feira (18) em uma operação de convencimento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para que ele entregue o cargo.

Segundo aliados, Lula avalia como insustentável a permanência dele na liderança do governo, mas, apesar dessa avaliação, não deverá destituí-lo. Espera que essa iniciativa parta do próprio Wagner. Procurados por emissários do governo, aliados do senador, incluindo ministros e integrantes do Governo da Bahia, desencadearam essa articulação. Eles mesmos estariam convencidos da delicadeza da situação de Wagner.

TELEFONEMAS – A expectativa desses aliados de Lula é que Wagner renuncie nesta sexta-feira (19) ou no máximo na segunda-feira (22). Nesta quinta, após a Polícia Federal deflagrar operação na Bahia relacionada ao Banco Master, Lula telefonou duas vezes para Wagner. Segundo aliados do presidente, nas duas conversas, não puderam discutir uma sucessão na liderança do governo devido ao abalo emocional do senador.

Ministros afirmam que esse gesto de solidariedade do presidente não deve ser entendido como uma garantia de manutenção no cargo de líder. Mas um aceno para que Wagner assuma a saída como uma iniciativa pessoal, sob o argumento de que precisa se dedicar à sua defesa.

Ainda segundo esses aliados, foi Lula quem sugeriu que concedesse uma entrevista para dar explicações. Mas, dentro do governo, a avaliação é de que elas foram insuficientes, o que exigirá desdobramentos.

MUNIÇÃO PARA FLÁVIO – Aliados do presidente avaliam que a operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado pode fornecer o discurso de defesa de Flávio Bolsonaro (PL), que foi flagrado em conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para obtenção de recursos para o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em meio a suspeitas de que Wagner tenha recebido valores ligados ao banco Master, de Vorcaro, Wagner chegou a ressaltar, em entrevista à Band News TV, a confiança de Lula em sua integridade. Após relatar um dos telefonemas do presidente, recebido pouco antes do meio-dia, Wagner disse apostar em sua permanência na função. “Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”, afirmou.

O senador disse continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem. “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim.”

ACIMA DO TOM – Aliados do presidente classificaram a entrevista como acima do tom, acrescentando não haver qualquer definição por sua permanência. A PF cumpriu nesta quinta 18 mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Compliance Zero. Os mandados foram expedidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

Foram feitas buscas em endereços ligados a Wagner e Lima em Salvador e em um hotel em Brasília onde o senador mora. Policiais federais também estiveram em endereço em Salvador de Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner, e da esposa dele, Bonnie Bonilha.

Maioria do STF precisa desistir de apoiar Moraes e Toffoli, que já perderam a moral

Mendonça se reúne nesta segunda-feira com a PF para nova rodada de conversas sobre caso Master

Mendonça conseguiu colocar Gilmar no seu devido lugar

Carlos Newton

Depois que um grupo de ministros, unidos pelo caráter duvidoso e por decisões controversas, passou a controlar a maioria do Supremo, o país entrou numa crise que parecia não ter fim. Porém, não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, aconteceu o escândalo do Banco Moraes, e o vento virou.

Surgiu, de forma concreta, uma possibilidade de fazer uma nova limpeza ética nos três Poderes. Evidentemente, não pegará a todos os envolvidos em corrupção e lavagem de dinheiro, mas pode colocar muitos deles na cadeia e restaurar um mínimo de moralidade pública.

CISÃO NO STF – A divisão é cada vez mais nítida. De um lado, estão Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes; do outro, postam-se André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux, num placar empatado, de 3 a 3, que não levará o Supremo a nada.

E no olho do furacão, em meio ao caos à sua volta, estão os outros quatro ministros que vão definir se haverá ou não essa imprescindível limpeza ética – Edson Fachin e Cármen Lúcia, que já até tentaram fazer um Código de Conduta, e Cristiano Zani e Flávio Dino, que ainda são calouros e precisam definir de que lado pretendem estar.

Tudo indica que, na hora da verdade, Fachin e Cármen se liguem a Mendonça, Nunes e Fux. Portanto, é preciso que um dos que restam indecisos – Zanin ou Dino – apoie a renovação, formando maioria de 6 a 4, pelo menos.  

PRIMEIRO ROUND – Essa disputa já corrói o Supremo há tempos, desde o início da demolição da Lava Jato. Mas só começou a vir a público esta semana, com o duelo inicial entre os dois líderes das facções – André Mendonça e Gilmar Mendes, que atuam na Segunda Turma.

Os dois se enfrentaram no julgamento da prisão preventiva do pai e do primo de Vorcaro, que Gilmar tentou desesperadamente libertar, com os argumentos rotos e encardidos que usou em benefício dos criminosos da Lava Jato.

Mas levou uma educada lição de moral de Mendonça, que apontou a gravidade do erro pretendido por Gilmar, deixando-o de saia justíssima no plenário da Segunda Turma, só faltou sair pelo ralo, como se dizia antigamente.

VIÉS POSITIVO – Agora, com Mendonça à frente e Fux dando-lhe sustentação, pode-se até dizer que a crise do Supremo tem condições ideais para ser debelada, porque a maioria pode chegar a 7 a 3. Tanto Zanin quanto Dino não têm nada a ganhar nada caso continuem obedecendo a Gilmar Mendes, que mantém controle sobre Moraes e Toffoli.

Até por instinto de sobrevivência, para não se contaminar com apoio aos três Cavaleiros do Apocalipse, Zanin e Dino podem aderir de corpo e alma à maioria ética.

Os dois novatos só têm a ganhar com essa iniciativa. Especialmente, Flávio Dino, que tem alma de político e pode ser sucessor de Lula na esquerda, pois o espólio do PT é rico e sólido, mas precisa de um nome politicamente forte para ocupar o vácuo pós-Lula.

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P.S. –
Desculpem o otimismo, que presumo não ser exagerado. O Brasil tem jeito. É o país emergente de maior viabilidade socioeconômica. Se os ocupantes dos três Poderes não atrapalharem, podemos ir em frente, em alta velocidade. E o caso do Banco Master veio em boa hora e é ideal para fazermos uma limpeza no estábulo. (C.N.)

Ciro Nogueira articula neutralidade de União-PP e afasta apoio a Flávio Bolsonaro

Rodrigo Pacheco recusa relatoria da PEC do fim da escala 6×1 no Senado

Nome do senador era defendido por Alcolumbre

Helena Prestes
CNN

O senador e ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG) afirmou nesta quarta-feira (17) que não aceitará a relatoria da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) pelo fim da escala 6×1. “Há vários senadores com o interesse de relatar essa proposta. Eu não estou nesse rol dos que pediram a relatoria. Eu não serei o relator dessa matéria”, disse Pacheco.

Como mostrou a CNN Brasil na última semana, Pacheco seria o nome defendido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) para relatar a PEC. Segundo interlocutores do presidente do Senado, a escolha de Pacheco para apadrinhar o projeto na Casa faz parte de uma estratégia de Davi Alcolumbre.

CONDICIONAMENTO – A avaliação é que a medida criaria uma espécie de condicionante para que o Palácio do Planalto passe a dialogar com o presidente do Senado sobre a proposta, já que, até o momento, o governo não tem aberto espaço para conversas com Alcolumbre a respeito da matéria.

Como Pacheco é uma figura próxima do presidente da República, seria uma forma de obrigar a conversa a acontecer. Entretanto, o senador preferiu não aceitar o convite, de acordo com ele, por já ter relatado muitas matérias importantes e tido “vários projetos aprovados” na Casa.

De acordo com Pacheco, seria importante dar espaço a outro senador para relatar a matéria e ter para si o “domínio da pauta”. O senador era o plano número 1 do presidente Lula para disputar a eleição ao governo de Minas Gerais, mas decidiu encerrar a vida política ao fim do mandato no Senado neste ano.

PEC DA SEGURANÇA –  Após declarar que não aceitaria relatar a proposta pelo fim da 6×1 no Senado, Pacheco confirmou que recebeu o convite de Alcolumbre para relatar a PEC da Segurança Pública. “O que houve, por parte do presidente Alcolumbre, foi uma ponderação a mim sobre a PEC da Segurança. Se pudesse contribuir”, declarou.

De acordo com ele, a relatoria ainda não é certa, visto que outros senadores também estão interessados na pauta. Pacheco afirmou que não tem interesse pessoal em relatar a matéria, mas não recusaria o convite do presidente do Senado.

Em maio, o presidente Lula (PT) fez um apelo a Alcolumbre para que paute a votação da PEC da Segurança Pública, enviada há mais de um ano pelo Planalto ao Congresso. O texto segue parado na Casa Alta há pelo menos três meses, quando foi aprovado na Câmara. A PEC 8 de 2025 é um dos principais interesses do governo federal no Congresso Nacional visando a pauta do combate ao crime organizado como um dos ativos com apelo popular para as eleições de outubro.

Piada do Ano! Aliados organizam jantar para levantar o ânimo de Ciro Nogueira…

Ciro Nogueira ganhou jantar de consolo

Bela Megale
O Globo

O senador Ciro Nogueira ganhou um jantar para “melhorar seu ânimo”, depois de ser alvo da operação da Polícia Federal que apura irregularidades envolvendo Daniel Vorcaro. O encontro aconteceu recentemente na mansão de uma ex-liderança política no Lago Sul, bairro nobre de Brasília.

Os convidados foram poucos, mas envolveram presidentes de partidos políticos de centro-direita. Segundo presentes, o encontro foi uma espécie de “jantar de consolo”, já que o senador está no centro do escândalo do Master e foi alvo de buscas da Polícia Federal.

PREOCUPAÇÃO – No jantar, o presidente do PP se mostrou “abatido” e “muito preocupado”, conforme relatos de pessoas que estavam no local. Ciro ainda disse acreditar que Vorcaro não traria novas informações sobre a relação de ambos e reforçou que Vorcaro era seu “amigo-irmão”.

Ciro, no entanto, não mostrou disposição de abrir mão da sua candidatura à reeleição do Senado pelo Piauí. Na conversa, disse acreditar que medidas como uma condenação ou uma prisão não ocorreriam, ainda mais antes do pleito eleitoral.

No inquérito que investiga os dois pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a PF destaca que o “vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal”. O relatório policial diz que Vorcaro mantinha uma “relação instrumental” com Ciro Nogueira para atender a interesses do Master no Congresso Nacional. Em contrapartida, a PF aponta que o parlamentar recebia vantagens financeiras, como o pagamento de despesas no exterior. O relatório da PF lista uma série de fotos em que Vorcaro aparece com Ciro em viagens internacionais.

Arma de Bolsonaro foi inutilizada por causa de remédios psiquiátricos, diz defesa

Medicações afetam ‘cognição do ex-presidente’

Pepita Ortega
O Globo

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a equipe de segurança do ex-presidente retirou um item da arma de fogo que ele tinha em casa com o objetivo de torná-la inoperante. Os advogados afirmam que a medida foi adotada porque os medicamentos psiquiátricos que Bolsonaro toma afetam sua “cognição”.

“Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário (Bolsonaro), capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, diz a peça apresentada ao ministro Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no STF.

POSSE REGULAR – Percussor é um componente que atua no disparo da arma de fogo. A defesa também negou haver irregularidades na posse, pelo ex-chefe do Executivo, da pistola que foi apreendida durante blitz do bafômetro no início da semana, no Distrito Federal. Segundo os advogados, a posse da arma era regular e, apesar da condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de estado em 2022, não foi determinada a entrega de armas ou o cancelamento de registros em nome do ex-presidente.

“Bolsonaro, portanto, não se encontrava em situação irregular”, sustentaram os advogados após uma cobrança do ministro Alexandre de Moraes. Eles alegaram ainda que o ex-chefe do Executivo “teria prontamente entregue o armamento” caso houvesse determinação do Supremo Tribunal Federal. Dizem que Bolsonaro não tem interesse em reaver a pistola – hoje sob custódia da Polícia Civil do DF – enquanto estiver preso.

Os advogados de Bolsonaro sustentam que, recentemente, o ex-presidente percebeu, pelo “simples acionamento do ferrolho e sem qualquer necessidade de disparo”, que o mecanismo da pistola não estava funcionando regularmente. O ex-chefe do Executivo não conseguiu identificar a causa do problema e então entregou o armamento para um segundo-sargento do Exército, para que ele verificasse o ocorrido, sustentou a defesa.

FALHA – “A necessidade de verificação do armamento decorreu exclusivamente da falha constatada em seu funcionamento, sem qualquer relação com a proximidade do término do período de prisão domiciliar humanitária”, afirmaram ainda os representantes de Bolsonaro ao STF.

Moraes cobrou as explicações agora prestadas pela defesa de Bolsonaro após a Polícia Civil do Distrito Federal informar o gabinete sobre a apreensão. A arma foi encontrada com um sargento que se identificou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República e disse trabalhar com Bolsonaro.

À Polícia Civil, o militar sustentou que a pistola seria do ex-presidente e lhe foi entregue em razão de uma “pane que aparentava ser de fácil solução”. A versão do sargento é a de que ele retirou a arma ontem para fazer o reparo do percussor e que a pistola seria devolvida nesta terça.

SEM REGISTRO – Segundo o policial responsável pela abordagem de fiscalização da Lei Seca, o segundo-sargento que levava a arma de Bolsonaro inicialmente afirmou que a pistola constava em sua funcional. Somente após o agente confirmar que não havia registro da arma em seu nome, o sargento declarou que a pistola pertencia ao ex-presidente e que a mesma ficava dentro do carro.

Ainda de acordo com o policial, o sargento afirmou que não estava com o registro da arma. Também foi encontrado no carro um carregador sobressalente. O militar foi então conduzido à Delegacia para registro do caso. Segundo o documento, o sargento foi abordado por volta das 22h30, em Taguatinga, região administrativa de Brasília.

Consulta ao sistema do Exército brasileiro demonstrou que a pistola Glock 9 mm, com carregador sobressalente, recolhida pela Polícia Civil na noite de segunda, é de propriedade de Bolsonaro. A apreensão se deu a menos de 10 dias para encerramento do período de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente, para que ele se recuperasse de um quadro de broncopneumonia.

INQUÉRITO –  Também nesta quarta, a Polícia Civil do Distrito Federal informou a Moraes que abriu um inquérito para investigar a apreensão da arma do ex-presidente. As informações da apuração serão compartilhadas com o gabinete do ministro do STF.

Conforme o boletim de ocorrência, a arma foi apreendida porque não havia documentação necessária para o porte da mesma. Segundo o documento, o sargento não levava o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), o que é irregular e implica na necessidade de recolhimento da pistola. No B.O., o nome do ex-presidente aparece como “envolvido” na ocorrência.

Condenação de Eduardo pode inviabilizar chapa em São Paulo, dizem analistas

Ex-deputado ficará inelegível por oito anos

Carolina Faria
Folha

Eventual manutenção de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na suplência de André do Prado (PL-SP) para a disputa ao Senado por São Paulo neste ano resultaria na cassação da chapa inteira após a condenação do ex-deputado federal pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), segundo especialistas ouvidos pela Folha.

O lançamento da pré-candidatura de André do Prado, que hoje é presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, foi mantido para sábado (20), e ele disse que caberá a Eduardo decidir se seguirá como suplente ou se indicará algum outro nome enquanto recorre da decisão do STF.

CARÁTER POLÍTICO – A professora Vânia Aieta, presidente da Comissão de Direito Eleitoral do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), avalia que a estratégia do PL tem caráter sobretudo político. “Eduardo Bolsonaro terá de ser substituído em dez dias diante da decretação da inelegibilidade no momento do julgamento do registro. Os outros permanecem. Se não substituírem, cairá a chapa toda. O partido não deixará jamais isso acontecer. Sabem que não prosperará essa tentativa. É factoide de vitimização para angariar votos”, afirma.

Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto pelo crime de coação no curso do processo por sua atuação nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro. Com a condenação, o ex-parlamentar se torna ficha suja e fica impedido de disputar as eleições por oito anos. Ainda cabe recurso contra a decisão.

EFEITOS – Segundo o advogado Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV-SP, a condenação já produz efeitos sobre uma eventual candidatura de Eduardo, mesmo antes da publicação do acórdão ou do trânsito em julgado (quando não há mais margem para recursos). “A partir do momento em que existiu a condenação, já incide sobre Eduardo Bolsonaro uma inelegibilidade prevista na lei complementar 64 de 1990”, afirma.

Segundo ele, porém, quem reconhece formalmente essa condição não é o STF no julgamento criminal, mas a Justiça Eleitoral ao analisar um eventual pedido de registro de candidatura.

Neisser afirma que isso não impede o PL de registrar Eduardo dentro do prazo legal. “O partido tem liberdade para escolher o candidato e pedir o registro. Depois disso, abre-se prazo para impugnações, e adversários ou o Ministério Público Eleitoral podem sustentar que ele está inelegível”, diz. O caso seria julgado inicialmente pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo).

REGISTRO NEGADO – Na avaliação do advogado, se a condenação for mantida, a tendência é que o registro seja negado. “A chapa é una. Se um dos membros, seja o titular ou um dos suplentes, tiver o registro indeferido, a chapa inteira é indeferida”, afirma.

Ainda assim, caberiam recursos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o que permitiria a Eduardo permanecer formalmente candidato durante a tramitação do processo. “O partido pode mantê-lo na chapa até 20 dias antes da eleição. Depois disso, se ele continuar inelegível e não for substituído, os votos atribuídos à candidatura podem ser anulados”, diz.

ANULAÇÃO – O advogado eleitoralista Francisco Irapuan Camurça concorda que a manutenção de Eduardo representaria um risco. “Se ele for candidato estando inelegível, como ocorreu com Eduardo Bolsonaro, os votos destinados à chapa poderão ser anulados, porque a candidatura ao Senado, formada pelo titular e dois suplentes, é indivisível”, afirma.

Sobre sua condenação, Eduardo, que atualmente mora nos Estados Unidos, declarou em nota: “O real objetivo deste julgamento sem pé nem cabeça é apenas um: tirar meu nome das eleições”.

Depois de Wagner, a fila anda e chegará a vez de Rui Costa e de Davi Alcolumbre

VORCARO CITA 30 MILHÕES DE DÓLARES PARA ALCOLUMBRE E RELAÇÃO COM PT DA BAHIAVicente Limongi Netto

Jorge Amado não merecia saber da colossal sujeira e roubalheiras do baiano, ex-governador Jaques Wagner.  É claro que Gilberto Gil, Caetano Veloso e Bethânia tentam disfarçar o constrangimento.  Dia 16 a Tribuna da Internet publicou meus sonhos possíveis, com delações de Wagner e Rui Costa, também ex-governador. 

A vez de Rui Costa chegará. Orelhas dele ardendo mais do que carvão de sauna. No mesmo artigo, também frisei meus sonhos vendo, finalmente, Davi Alcolumbre na cadeia. E a batata do cretino roliço também está assando.

LAMA DO CINISMO – Esta escória da política brasileira, infelizmente se afundando mais na imundície. Na lama do cinismo.  A sujeira de Wagner é arma poderosa para adversários. 

O Tariflávio Rachadinha Achocolatado vai calibrar muita munição. Guerra de chumbo trocado. Wagner é do PT, líder do governo, mas a desgraça política de Wagner não pode nem deve respingar em Lula.  O presidente não tem nada a ver com a sujeirada do senador baiano. 

 Notas oficiais pipocando. Jurando que Wagner é puro e santo. Quase foi padre.  Senadores e deputados ligados ao senador também entram na ladainha cretina destacando que o senador é decente. 

É UM DESCLASSIFICADO – O povão está perplexo e indignado. Wagner deveria raspar a barba branca que cultiva há décadas. Não merece mais ser tratado como bom político.   Pobre Brasil, desonrado   por homens públicos desonestos.

Foram-se os áureos tempos de Marcos Freire, Mario Covas, Bernardo Cabral, Nelson Carneiro, Franco Montoro, Vírgilio Távora, Henrique La Roque, Jarbas Passarinho, José Sarney, Josafá Marinho. Convivi com eles. Altivos e bravos. O busto do senador Ruy Barbosa, no plenário do senado, abençoa todos eles. 

Ao tentar soltar pai e primo de Vorcaro, Gilmar teve atitude altamente suspeita

Gilmar: se forem reais, diálogos de Moro são absurdos e podem anular penas | VEJA

Gilmar quis soltar pai e primo de Vorcaro e tomou uma dura…

Marcos Augusto Gonçalves

A recente refrega entre Gilmar Mendes e André Mendonça, em torno da prisão do pai de Daniel Vorcaro, expôs mais uma vez os antagonismos no interior do Supremo Tribunal Federal, além das conhecidas atitudes suspeitas de juízes diante do caso Master. O decano da instituição não ficou bem na fotografia.

Já está mais do que claro que pelo menos dois magistrados têm envolvimento com o banqueiro mafioso. Um deles, Alexandre de Moraes, deve explicações sobre o contrato de cerca de R$ 130 milhões que o escritório de advocacia de sua família firmou com o banco.

OPERAÇÃO ABAFA – Já Dias Toffoli, depois de tentar uma frustrada operação abafa, deixou a relatoria e declarou-se impedido de participar de votações. Seus laços pessoais e familiares com Vorcaro tornaram-se evidentes nas negociações com o famigerado Tayayá Aqua Resort.

Deveriam ambos, Moraes e Toffoli, ser objeto de um inquérito promovido pela própria corte, que, aliás, mantém há sete anos um procedimento desse tipo, sobre fake news e ofensas ao tribunal, mas é usado ao contrário, como instrumento de intimidação em defesa de interesses de magistrados.

Tal situação certamente não ajuda a Operação Compliance Zero, que apura o esquema de fraudes, sob os cuidados de Mendonça. Até prova em contrário, contudo, o relator vem cumprindo o seu papel.

GILMAR ESCORREGA – O decano Gilmar Mendes, notório talento em matéria de acomodações institucionais e acordões, está insatisfeito com o andar da carruagem. Por que será?

Ao se posicionar pela prisão domiciliar do pai de Vorcaro, Gilmar argumentou que a relatoria de Mendonça candidata-se a uma nova Lava Jato. Ou seja, estaria dando margem a abusos que poderiam levar a uma futura anulação das decisões. O raciocínio pareceu suspeito a alguns.

A título de posar de paladino de garantias constitucionais e da democracia, Gilmar Mendes sinalizaria sua inclinação a retomar o modo “abafa o caso” antes acionado por Toffoli e afrouxar o cerco em torno de Vorcaro.

OBJETIVOS SUJOS – A consequência previsível seria ajudar a salvar a pele de gente graúda e de seus companheiros de toga, em prejuízo da Justiça e dos interesses da sociedade.

O principal problema para Gilmar —além de ele não controlar o relator— foi o vazamento de conversas íntimas entre Vorcaro e a noiva e influenciadora Martha Graeff, retiradas de um celular do dono do banco. De fato, a publicidade foi indevida, mas daí apontar o dedo para Mendonça, que pediu investigação, acusando-o de repetir a Lava Jato, vai uma distância.

Gilmar Mendes, não esqueçamos, foi protagonista de um episódio bastante rumoroso na operação de Sergio Moro, ao impedir, em canetada monocrática e abusiva, a presidente da República de exercer o direito de nomear ministros —no caso Lula. E o fez com base num áudio vazado ilegalmente. Portanto, é frágil sua coreografia de escudo contra o lavajatismo.

FRAUDE GIGANTESCA – Presenciamos uma nova onda de revelações que deixam o país de queixo caído.

Como disse Mendonça, o que se configura é uma gigantesca fraude orquestrada por uma máfia com tentáculos nas finanças e nas instituições, que suborna, intimida e manda “moer” desafetos.

O caso de Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e presidente do PP, fala por si. Hugo Motta também apareceu no bolso de Vorcaro. Quem mais vem aí?

Congresso decola inflação se derrubar vetos e multiplicar a conta de energia

Sindpol Alagoas | Inflação oficial de março é a maior para o mês desde 1995

Charge do Cicero (Arquivo Google)

João Gabriel
Brasília

O Congresso Nacional colocou em pauta para a sessão desta quinta-feira (18) a volta dos vetos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez aos chamados jabutis da lei das eólicas offshore, dispositivos sem ligação com o tema principal do texto. Por falta de acordo entre os parlamentares, porém, a sessão foi cancelada, depois de divulgada a sua pauta.

A lei das eólicas offshore foi aprovada pelo Congresso Nacional no final de 2024 para regulamentar a geração de energia em alto-mar. Ao texto, porém, foram incluídos uma série de jabutis que podem ter um impacto de até R$ 545 bilhões sobre a conta de luz, até 2050.

CARAS E POLUENTES – Esses dispositivos determinavam, por exemplo, a contratação obrigatória de uma série de usinas termelétricas a gás —que têm uma operação mais cara e poluente— e de forma ininterrupta (o chamado regime inflexível). Em janeiro de 2025, o governo decidiu vetar parte dos jabutis.

Se derrubados, os vetos em pauta podem ter impacto de R$ 348 bilhões sobre a conta de luz até 2050. Somados aos pontos vetados e que já foram derrubados pelos parlamentares anteriormente, o pacote todo pode elevar o preço da energia em 9% neste período, de acordo com cálculos da consultoria PSR.

O estudo foi encomendado por entidades da indústria e de energia, como Frente Nacional dos Consumidores de Energia, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a Fecomercio de SP e MG, que se mobilizam contra a volta dos jabutis e pela manutenção dos vetos.

VETOS DERRUBADOS– O Congresso já derrubou em junho de 2025, uma primeira parte destes vetos feito pelo governo, validando os trechos. Essa parcela já adicionava um custo de quase R$ 200 bilhões à conta de luz.

Este primeiro pacote incluiu quatro itens, que determinavam a contratação compulsória de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), hidrogênio no Nordeste, eólicas no Sul e a prorrogação dos incentivos fiscais do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica).

Como mostrou a Folha, o aumento do preço de energia é uma das preocupações do Palácio do Planalto em 2026, já que tem o potencial de impactar negativamente a aprovação do governo Lula no contexto de uma corrida eleitoral apertada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

EM PAUTA – Agora, para a sessão desta quinta, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), colocara na pauta o restante dos jabutis, o que pode resultar em preços mais altos para os consumidores.

A sessão deve acontecer em uma semana na qual os trabalhos legislativos estão esvaziados, com a maioria dos parlamentares fora de Brasília, atuando em seus estados durante a Copa com foco nas eleições.

Dentre os vetos em análise está um sobre o dispositivo que determina a contratação ininterrupta das termelétricas a gás. A Abrace, que representa os grandes consumidores de energia, estima que este item acrescentaria mais R$ 155 bilhões à conta de luz.

USINAS A CARVÃO – Outro jabuti que está na pauta é o que prorroga a contratação de usinas a carvão, ainda mais poluentes que as de gás e que podem custar R$ 92 bilhões ao consumidor.

Um terceiro veto que pode ser derrubado pelo Congresso é a ampliação do subsídio para a micro e minigeração distribuída de energia, modalidade de geração que acontece no próprio local — como painéis solares instalados em telhados das casas, por exemplo, ou em um condomínio. Esse ponto pode aumentar a conta em até R$ 101 bilhões.

Segundo os cálculos da PSR, o pacote ainda aumentaria em 25% a emissão de gás carbônico da matriz energética brasileira. É possível que a contratação de mais usinas aumente o excesso de energia na rede elétrica, agravando os cortes de geração. O custo para cada estado varia entre R$ 12 bilhões e quase R$ 20 bilhões, já que a tarifa de energia não é igual para todos os locais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Matéria importante enviada pelo comentarista José Perez Jr.. Alcolumbre exige que o governo estanque a sangria do Master, mas Lula não tem como. Os Estados mais impactados são Pará (R$ 19,45 bi), Mato Grosso do Sul (R$ 18,03 bi), Rio de Janeiro (R$ 17,97 bi), Alagoas (R$ 17,88 bi) e Amazonas (R$ 17,77 bi). (C.N.)

Como Oswaldo Montenegro, faça uma lista dos amigos que você não vê mais

Quando a gente ama Simplesmente ama É... Oswaldo Montenegro - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro, na letra de “A Lista”, fala sobre lembranças que todos já tiveram. Além disso, o compositor ainda faz uma comparação com o que fazia e o que faz hoje. A música foi gravada por Oswaldo Montenegro no Álbum “A Lista”, em 2001, pela Jam Music.

A LISTA
Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos.
Quem você mais via há dez anos atrás.
Quantos você ainda vê todo dia,
Quantos você já não encontra mais.
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!

Quantos amores jurados pra sempre,
Quantos você conseguiu preservar.
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora,
Hoje é do jeito que achou que seria?

Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava,
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer?

Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

Faça uma lista de grandes amigos,
Quem você mais via há dez anos atrás.
Quantos você ainda vê todo dia,
Quantos você já não encontra mais.
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos, ninguém quer saber.
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você.  

Jaques Wagner virou alvo da PF pelos pagamentos ligados ao Banco Master