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A saída de Sidônio e o problema que o marketing não consegue esconder

Lula mantém Sidônio na Secom e o afasta da campanha

Pedro do Coutto

O afastamento de Sidônio Palmeira do núcleo central da campanha de Lula da Silva à reeleição é mais do que uma mudança de nomes na comunicação petista. É um sinal político de que a campanha entrou numa fase de ajustes, disputas internas e crescente preocupação com uma eleição que, embora ainda tenha Lula na liderança, deixou de oferecer ao governo a margem de segurança que seus estrategistas desejariam.

Segundo reportagem de Sérgio Roxo, O Globo, o presidente decidiu retirar Sidônio do comando da estratégia eleitoral. O ministro continuará à frente da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, mas deixará de participar diretamente da coordenação cotidiana da campanha. A decisão ocorre depois de meses de tensão entre diferentes grupos responsáveis pela comunicação do governo e da candidatura.

RELAÇÃO DE CONFIANÇA – A escolha é particularmente significativa porque Sidônio não era um profissional qualquer dentro do universo lulista. Publicitário responsável pelo marketing da campanha vitoriosa de Lula em 2022, ele construiu uma relação de confiança com o presidente e chegou ao comando da Secom justamente pela combinação entre experiência eleitoral e capacidade de leitura política.

No início de 2025, Lula havia confiado a ele a tarefa de reorganizar a comunicação do governo. Por isso, sua saída da campanha não pode ser interpretada simplesmente como uma troca técnica. Ela representa uma revisão de estratégia. O problema, porém, é que campanhas eleitorais não são agências de publicidade.

Um marqueteiro pode organizar uma mensagem, escolher uma linguagem, definir uma identidade visual, orientar discursos e explorar determinados temas. Não pode, entretanto, produzir por publicidade aquilo que a realidade política não entrega. É justamente aí que está a questão central para Lula.

DIANTEIRA – A pesquisa Datafolha divulgada em julho mostra o presidente com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Num eventual segundo turno, Lula aparece com 48%, ante 43% do senador. Ou seja: o presidente continua à frente, mas a vantagem não é suficientemente confortável para permitir que sua campanha trate a eleição como uma formalidade.

Outro levantamento recente, da Quaest, também apontou Lula na liderança, mas registrou aproximação de Flávio Bolsonaro. A fotografia eleitoral, portanto, é clara: Lula continua sendo o candidato a ser batido, mas o adversário já encontrou espaço suficiente para transformar a eleição numa disputa competitiva. Nesse cenário, a crise de comunicação ganha uma dimensão maior.

Desde o início do ano, a campanha lulista vem sendo marcada pela tentativa de distribuir responsabilidades entre diferentes núcleos. Em janeiro, a própria Folha informou que Lula havia decidido manter Sidônio no governo e procurar outro profissional para o marketing eleitoral. O nome de Raul Rabelo, ex-sócio de Sidônio, passou a ser considerado para a função. A intenção era preservar a influência política de Sidônio sem necessariamente colocá-lo na linha de frente da campanha.

COMPLEXIDADE – A experiência dos últimos meses, entretanto, mostrou que separar governo, partido, comunicação institucional e campanha eleitoral é muito mais complicado na prática do que no organograma. O PT precisa comunicar as realizações do governo. O Planalto precisa defender sua agenda. A campanha precisa conquistar votos. E Lula, como candidato à reeleição, precisa apresentar ao eleitor uma razão convincente para permanecer no poder. São objetivos relacionados, mas não idênticos.

Quando essas estruturas começam a disputar espaço, a comunicação deixa de ser instrumento de uma estratégia política e passa a ser também território de disputa política. É nesse ponto que o afastamento de Sidônio se torna revelador.

PROBLEMAS ESTRUTURAIS -A troca não significa necessariamente que o publicitário tenha fracassado. Tampouco seria correto atribuir a ele, individualmente, eventuais dificuldades eleitorais de Lula. A política brasileira oferece inúmeros exemplos de campanhas altamente profissionais que não conseguiram superar problemas estruturais dos candidatos ou dos governos que representavam.

O marqueteiro pode ajudar o candidato a explicar uma realidade. Não pode substituir a realidade. Essa regra vale para Lula e também para seu principal adversário.

A equipe de Flávio Bolsonaro enfrenta problema semelhante quando tenta administrar a associação entre o senador e Daniel Vorcaro, personagem central da crise envolvendo o Banco Master. A comunicação pode tentar estabelecer distância, modificar a agenda e oferecer novas narrativas, mas não consegue simplesmente apagar fatos que já ingressaram no debate público.

INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE – É justamente por isso que a eleição de 2026 tende a ser menos uma disputa entre campanhas publicitárias e mais uma disputa pela interpretação da realidade. Lula tem ativos importantes. Continua conhecido por praticamente todo o eleitorado, possui uma história política singular, mantém forte identificação com parcelas relevantes da população e dispõe da estrutura de um governo federal. As pesquisas ainda mostram sua vantagem nos principais cenários de segundo turno. Mas esses ativos não eliminam suas vulnerabilidades.

O governo precisa transformar indicadores econômicos, políticas sociais e resultados administrativos em percepção concreta para o eleitor. Precisa responder à insatisfação de setores que não se sentem representados pela atual administração. Precisa enfrentar o desgaste político acumulado e, sobretudo, encontrar uma linguagem capaz de dialogar para além do eleitorado já convencido. Esse talvez seja o maior desafio da comunicação lulista.

Durante boa parte de sua trajetória política, Lula demonstrou extraordinária capacidade de transformar acontecimentos políticos em narrativas simples, compreensíveis e emocionalmente fortes. O Lula candidato de 2002 e o de 2022 souberam construir mensagens que ultrapassaram a fronteira do PT e alcançaram eleitores que não necessariamente tinham identificação ideológica com o partido.

ESTRATÉGIA – O Lula de 2026 precisa fazer novamente esse movimento. E não há marqueteiro capaz de realizá-lo sozinho. A mudança na equipe pode até produzir uma campanha mais agressiva, mais organizada ou mais eficiente nas redes sociais. Pode melhorar a resposta aos adversários e corrigir erros de comunicação. Mas, se a estratégia depender exclusivamente de publicidade, estará condenada a administrar sintomas em vez de enfrentar as causas.

A eleição também exige uma resposta política. Lula precisa decidir que campanha quer fazer. Uma campanha de defesa do legado? Uma campanha de confronto com o bolsonarismo? Uma campanha centrada na economia e na melhoria das condições de vida? Uma campanha de continuidade ou de renovação? É possível combinar esses elementos, mas não é possível substituir uma estratégia por slogans.

A definição do conceito “O Brasil pronto pra mais”, divulgado nos últimos dias, aponta justamente para a tentativa de apresentar a continuidade como promessa de futuro, e não apenas como defesa do governo atual.

MENSAGEM AO ELEITOR – A dificuldade estará em fazer essa ideia chegar ao eleitor como experiência concreta, e não como peça publicitária. É por isso que a saída de Sidônio deve ser observada com atenção. Ela revela que o problema da campanha de Lula não está apenas em quem segura o volante da comunicação. Está na necessidade de encontrar uma narrativa política suficientemente forte para atravessar um ambiente eleitoral mais competitivo, uma oposição mais organizada e um eleitorado menos disposto a votar apenas por memória.

A eleição de 2026 ainda está aberta. Lula parte de uma posição favorável, mas não confortável. Flávio Bolsonaro já demonstrou capacidade de reduzir distâncias, enquanto nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema tentam preservar espaço próprio. Nesse contexto, trocar o marqueteiro pode ser necessário. Mas não será suficiente.

O verdadeiro teste de Lula será descobrir se ainda consegue transformar governo em esperança, realizações em voto e experiência em futuro. Se não conseguir, nenhuma agência, nenhum slogan e nenhuma operação de redes sociais será capaz de produzir o milagre que a política, sozinha, deixou de entregar. O marketing pode melhorar a embalagem. A eleição, porém, continuará sendo decidida pelo conteúdo.

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Recuperar a credibilidade dos Poderes é a maior missão de André Mendonça

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Carlos Newton

Em meio a tanto negativismo e desânimo, com a administração pública dominada por políticos enriquecidos ilicitamente, como Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Davi Alolumbre e tantos outros sanguessugas que se espalham pelos Estados e municípios, mesmo assim sou otimista e acredito que este país vai conseguir ir em frente, apesar do apodrecimento dos Três Poderes e seja qual for o vencedor dessa eleição.

Minha convicção é inabalável, porque se trata de um país continental, com imensuráveis riquezas minerais a explorar, as mais extensas terras agricultáveis, amplas possibilidades de irrigação, por possuir as maiores reservas de água potável no subsolo e ter condições ideais de clima, que possibilitam várias safras por ano, além de além de possuir a maior reserva ambiental do mundo, com sua incalculável biodiversidade, e de contar com uma indústria diversificada e de grande porte,  tudo isso confirma que o crescimento socioeconômico do Brasil é apenas uma questão de tempo.

FORÇA DA NATUREZA – Qualquer pessoa medianamente interessada em geopolítica sabe que o Brasil é uma força da natureza e seu desenvolvimento é irrefreável, não importa os imbecis que nos governem, sejam petistas, bolsonaristas ou alcolumbristas, cada um pior do que o outro.  

A conjunção dos astros é favorável ao Brasil e inevitavelmente estará nos transformando em grande exportador de petróleo, que será cada vez mais importante na economia como produtor de matérias-primas, embora tenda a perder importância no setor de transportes.

Segundo o estrategista norte-americano Robert Clive, ex-diretor da CIA, que previu com impressionante exatidão a desagregação da União Soviética, o Brasil é um país muito especial, que tem uma impressionante união interna, pois todas as regiões falam o mesmo idioma, têm os mesmos hábitos e não há tendências separatistas, como ainda existem no que restou da União Soviética, na China e na Índia.

O QUE FALTA? – O velho ditado ensina que o Brasil cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. Na situação atual, o maior problema, além de dívida pública que Lula despreza (“o dinheiro vai sair de onde está e ser levado para onde deveria estar”, diz ele), é a deterioração das instituições.

No entanto, esse tipo de crise é passageiro, porque acaba se formando um sentimento de inconformismo que obriga os três Poderes a se aprimorarem.

Assim, podemos acreditar que chegamos ao fundo do poço e agora deve sobrevir uma fase de recuperação. Nesse sentido, será fundamental a atuação do ministro André Mendonça, que tem demonstrado invulgar seriedade em sua carreira, seja na Controladoria-Geral da União, na Advocacia-Geral da União, no Ministério da Justiça e no Supremo Tribunal Federal.

NA RELATORIA – Agora, como relator dos mais importantes e explosivos inquéritos de consequências políticas, que são os escândalos do Banco Master e do INSS, com investigações sobre importantes parlamentares e autoridades, além de figuras exóticas como Lulinha, filho  de Lula, que se tornou um fenômeno em lavagem de dinheiro, o ministro Mendonça parece estar destinado a ser um nome na História.

Aos 53 anos, formado em Teologia e atuando como ministro da Igreja Presbiteriana, que não deve ser confundida com as seitas evangélicas que exploram o povo, Mendonça tem a seriedade necessária para provocar a recuperação do Supremo, especialmente a partir de 2030, quando terminar a atual fase decadente liderada por Gilmar Mendes, que terá de se aposentar os 75 anos.

Com a moralização do Supremo, o país saí lucrando. Quando a Justiça funciona adequadamente, respeitando as leis e fazendo com que sejam cumpridas, tudo se encaixa e os outros Poderes se aprimoram automaticamente, acredite se quiser.

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P.S. 1 – O que evita corrupção e lavagem de dinheiro é justamente a possibilidade de prisão, mas hoje, do lado debaixo do Equador, ainda vivemos num intolerável clima se impunidade, que faz a festa de criminosos abomináveís como Sérgio Cabral. Condenado a mais de 350 anos de cadeia, ele continua solto, e o juiz que o condenou foi punido e está suspenso das funções.

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P.S.
2 – André Mendonça tem o perfil ideal para limpar a honra dos brasileiros. Ele está consciente disso e tem conseguido enfrentar e vencer Gilmar Mendes no plenário, o que é o primeiro passo para se consagrar como um grande brasileiro. (C.N.)

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Nunca ninguém foi amado pela bola como o rei Pelé

Vicente Limongi Netto

“Ninguém amou Pelé mais do que eu. Fico triste com tolas e insistentes comparações. Nossa afinidade era completa. Sempre fui tratada por Pelé como uma filha preferida e endeusada. Com carinho e ternura. Felicidade de Pelé, também era minha. Não tenho queixas dele. Pelo contrário, vivia nas nuvens, com tudo que Pelé me proporcionava.

Pelé nunca escondeu que fui eu quem deu tudo para ele. Com uma simples troca de olhar entre nós, Pelé virava emoção. Quando marcou o milésimo gol, ganhei um beijo inesquecível. Todo meu. Guardo para o resto da vida.

Pelé gostava de ver todos felizes. Vibrava com a alegria das pessoas. Tinha prazer de viver. Juntos encantamos o mundo e multidões. Pelé nunca ficou decepcionado comigo. Nunca tive ciúmes por Pelé ser idolatrado por reis, rainhas, presidentes e belas mulheres.

Quando estávamos juntos, Pelé esquecia o mundo. Eu passava a ser a figura a que ele mais amou dentro de campo. Ninguém foi nem será melhor do que Pelé. Dizer o contrário é falta de assunto.

Pelé foi o maior de todos.  Pelé dignificou o futebol e a própria vida.  Nunca mais amarei alguém como Pelé”.

VISITA PROIBIDA – “Xandão é um demônio, que odeia nossa família. Tentei beijar você no Dia dos Pais, mas ele não deixou. Minha vida não anda fácil. Preciso dos seus conselhos.

Minha campanha não agrega. Só desune. Nada que propondo repercute bem. Critiquei as urnas, foi um tiro no pé.

Nenhuma mulher teve a coragem de ser minha vice. O jeito foi apelar para o Gaspar. Que já recebe mais flechadas no peito do que São Sebastião. Preciso das tuas luzes, papai. E da tua benção”.

Flávio, o Zero Um.

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Vinicius amava tanto, que pediu Gesse em casamento na noite que se conheceram

Vinícius de Moraes teve uma forte ligação com o candomblé, que se  intensificou na década de 1970, influenciado por sua então esposa, Gesse  Gessy, levando-o a uma "imersão profunda no universo da

Vinicius e Gesse se casaram no candomblé

Paulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta Vinícius de Moraes (1913-1980) foi essencialmente lírico e notabilizou-se pelas canções e pelos poemas de amor que escreveu, como o belíssimo “Soneto do Amor Total”, que se refere à realidade interior do poeta, confessando seus sentimentos sempre ardorosamente.

Vinicius era tão amoroso que pediu em casamento a atriz baiana Gesse Gessy na noite em que a conheceu, num bar em Ipanema,  na Rua Montenegro, que após a morte dele passou a se chamar Rua Vinicius de Moraes.

O poetinha casou com Gesse, uma bela morena de olhos verde, mudou-se para Salvador e ficou com ele durante seis anos. Foi um de seus casamentos mais duradouros.

SONETO DO AMOR TOTAL
Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, como grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

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TCU planeja construir casas de luxo para ministros em área nobre de Brasília

União cedeu dois terrenos no Lago Sul em 2024

Guilherme Pimenta
Adriana Fernandes
Folha

O TCU (Tribunal de Contas da União) quer construir casas para seus ministros em uma área nobre de Brasília, ampliando a lista de imóveis funcionais disponíveis para a cúpula da corte, que é responsável por controlar o uso do dinheiro público federal. A intenção do tribunal é erguer duas novas residências oficiais em terrenos que foram cedidos pela União em 2024. Eles estão localizados no Lago Sul, bairro com um dos metros quadrados mais caros de Brasília e um dos mais valorizados do país.

A Folha esteve nos locais no último dia 28 e encontrou dois terrenos desocupados. De acordo com vizinhos, as casas que estavam construídas nesses terrenos, e que antes pertenciam à União, foram demolidas no ano passado.

ELITE POLÍTICA – Às margens do lago Paranoá, o Lago Sul abriga residências luxuosas, em lotes amplos, onde mora parte da elite política, empresarial e diplomática da capital, além de embaixadas. Casas são anunciadas no bairro por valores que frequentemente superam R$ 15 mil o metro quadrado, de acordo com dados de imobiliárias.

Praticamente todos os imóveis vizinhos aos terrenos onde serão construídas as casas têm piscinas. Uma delas tem uma quadra de tênis e, em outra, há um pequeno campo de futebol. Os dois terrenos foram cedidos pela União para uso funcional. Em contrapartida, o tribunal assumiu o compromisso de reformar dois outros imóveis federais em Belém. Isso ocorreu no âmbito de um acordo de cooperação técnica firmado entre o tribunal e a SPU (Secretaria do Patrimônio da União), em 2024.

ESTUDOS PRELIMINARES – O tribunal confirmou, em nota, a intenção de construir as residências oficiais. Os projetos, segundo o TCU, estão em fase de estudos preliminares, e ainda não foi iniciado o processo de licitação. O órgão também afirmou que não há estimativa de quanto poderá ser gasto com a eventual construção das duas residências. Segundo a corte, elas terão a finalidade esclarecida em uma resolução interna que regulamenta a concessão de imóveis funcionais a ministros, ministros-substitutos e membros do Ministério Público junto ao TCU.

O tribunal conta com nove ministros titulares. Atualmente, o TCU dispõe de quatro apartamentos funcionais em Brasília, na Asa Sul. Três deles estão ocupados, pelos ministros Vital do Rêgo, Bruno Dantas e Augusto Nardes. O ministro Antonio Anastasia reside em um apartamento do Senado enquanto aguarda a conclusão da reforma de uma das unidades funcionais do TCU, para a qual vai se mudar.

O ex-deputado Odair Cunha, recém-empossado no tribunal, deixou o apartamento funcional da Câmara em que vivia e agora aluga um imóvel na cidade, recebendo auxílio-moradia. O ministro Jhonatan de Jesus também recebe o benefício. Já os ministros Benjamin Zymler, Walton Alencar e Jorge Oliveira moram em residências particulares, sem receber o benefício.

FUTUROS MORADORES – O tribunal informou que ainda não definiu quem ocupará as futuras residências nem quais serão os critérios para a escolha dos beneficiários. Embora o projeto das residências ainda esteja em fase inicial, os preparativos já começaram. Em outubro de 2024, o tribunal contratou a empresa Mega Retro Ltda por R$ 78,5 mil para demolir uma das casas, que estava construída em um dos terrenos. Já em 2025, uma ordem de serviço interna autorizou a demolição de uma edificação no segundo terreno, com custo estimado de R$ 102,5 mil.

Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, o TCU pediu a cessão dos terrenos com a alegação de que não possuía imóveis funcionais suficientes para o número de ministros. “Em contrapartida, a União não dispõe de recursos financeiros para reformar muitos imóveis que estão sem uso e se deteriorando”, disse a pasta, em nota, justificando o acordo para a renovação das propriedades em Belém.

“O Acordo de Cooperação Técnica se dá, portanto, como medida de transferência patrimonial e recuperação de imóveis considerando a necessidade de assegurar a racionalidade na destinação de bens sob a administração do governo federal e os princípios da eficiência e da economicidade que devem orientar a utilização dos recursos públicos”, informou o ministério.

AINDA EM OBRAS – Um dos imóveis reformados, que abriga a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) no Pará, já teve a reforma concluída. O outro, parte da sede do TCU no estado, ainda passa por obras e será destinado ao uso compartilhado por órgãos da administração pública federal.

Decisões recentes do TCU ampliaram benesses para a alta cúpula do tribunal e outras autoridades. Primeiro, a corte de contas liberou remunerações acima do teto constitucional para servidores da Câmara, do Senado e do próprio tribunal.

No mesmo dia, encaminhou ao Congresso um projeto de lei para aumentar em cerca de 35% a 40% o valor de penduricalhos, benefícios que se somam à remuneração principal e, em muitos casos, superam o teto do serviço público estabelecido na Constituição. Esta proposta, caso aprovada, prevê impacto anual de R$ 27,7 milhões a partir de 2027.