TSE fecha cerco à IA e proíbe clonagem de voz de candidatos nas eleições

Após fracassar na busca por uma vice, Flávio culpa Centrão por isolamento eleitoral

Dino aciona a PF e amplia pressão sobre emendas Pix com indícios de prejuízo de R$ 55 milhões

Flávio prepara ofensiva contra Lulinha para marcar estreia na propaganda eleitoral

Escolha de Alfredo Gaspar para vice reforça estratégia

Luísa Marzullo
O Globo

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) avalia usar já na estreia do horário eleitoral gratuito as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema também vai seguir alimentando uma ofensiva nas redes sociais e nos discursos do candidato, numa estratégia para transformar as suspeitas sob apuração em um flanco permanente de desgaste do petista durante a corrida ao Planalto.

A ideia começou a ser desenhada antes mesmo da definição da chapa, mas ganhou força com a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vice. Relator da CPI do INSS, ele deverá assumir papel de destaque na exploração do escândalo dos descontos indevidos de aposentados e das relações de personagens investigados com pessoas próximas ao filho do presidente.

REFERÊNCIAS A LULINHA – Integrantes da campanha afirmam que ainda está em discussão o formato do primeiro programa, mas a possibilidade de estrear na televisão com referências a Lulinha está à mesa. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto, e Flávio deverá ter aproximadamente 4 minutos e 20 segundos em cada bloco, segundo projeção do O Globo feita com base nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Até lá, a estratégia deverá ser testada principalmente nas redes. A campanha pretende produzir peças que associem as investigações envolvendo Lulinha ao governo do pai e explorar o contraste com a maneira como familiares de Jair Bolsonaro foram tratados durante os governos anteriores. Expressões como “pai do Lulinha” e questionamentos sobre “onde está” o filho do presidente já vinham sendo discutidos como parte desse repertório.

A ofensiva ganhou impulso após a abertura de investigações da Polícia Federal sobre Fábio Luís. Flávio passou a explorar publicamente o episódio e, em uma de suas lives, afirmou que “falta braço” à PF para investigar Lulinha e questionou qual seria a repercussão caso as suspeitas recaíssem sobre um filho de Bolsonaro.

LINHA DE FRENTE –  A chegada de Gaspar à chapa oferece à campanha um novo caminho para explorar o assunto. Sua atuação na CPI do INSS foi um dos fatores que pesaram na escolha para a vice e é vista pela cúpula do PL como uma credencial para colocá-lo na linha de frente dos ataques relacionados ao caso.

No próprio anúncio da chapa, Flávio deixou claro que pretende fazer do escândalo um dos eixos da campanha. O presidenciável citou as investigações sobre o INSS e buscou aproximá-las do entorno de Lula ao mencionar Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou a campanha petista nesta semana.

ESTRATÉGIA – A estratégia deverá explorar as relações entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e pessoas próximas a Lulinha. A campanha pretende usar Gaspar para dar peso às acusações por sua experiência na CPI, enquanto Flávio fará a exploração política do tema contra o presidente.

O movimento faz parte de uma tentativa mais ampla de deslocar para Lula um de desgaste que marcou a pré-campanha de Flávio, com a divulgação das mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro pelo financiamento do filme “Dark Horse”.

DIFERENTES FRENTES –  A intenção é não restringir a exploração do assunto à propaganda eleitoral. A campanha discute uma atuação combinada entre redes sociais, discursos, entrevistas, lives e, posteriormente, rádio e televisão.

A entrada de Duda Lima no comando da comunicação também ocorre no momento em que a equipe começa a estruturar a produção para o período oficial da campanha. Uma das preocupações é transformar assuntos complexos das investigações em peças mais simples, capazes de estabelecer uma associação política direta entre as suspeitas envolvendo Lulinha e o presidente.

Na última quarta-feira, a campanha veiculou um vídeo de Gaspar afirmando que o filho do presidente se envolveu com o Careca do INSS. No dia anterior, chamou o caso das fraudes de “esquemão do Marcolão”. A ideia é seguir apostando em expressões de fácil compreensão e trazer o tema cada vez mais ao centro do debate eleitoral.

Juízes reagem ao fim da aposentadoria compulsória e prometem ir ao STF

Declarações de ministro da Fazenda ampliam desconfiança do mercado sobre equipe econômica

Governo promete reforçar equipes da PF em meio à tensão com André Mendonça

Maioria do STF isola Moraes e cria precedente que beneficia condenados do 8 de Janeiro

Lula segue favorito, mas o cenário eleitoral já revela uma disputa mais competitiva

Polarização continua a marcar a corrida presidencial

Pedro do Coutto

As novas sondagens eleitorais do instituto Quaest confirmam uma tendência que vem se consolidando ao longo dos últimos meses: Lula da Silva permanece como o principal nome da disputa presidencial de outubro, mas a vantagem que parecia confortável começa a dar sinais de redução. O presidente continua liderando tanto no primeiro quanto no segundo turno, porém a recuperação de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto indica que a oposição voltou a encontrar algum espaço político, ainda que insuficiente para alterar, neste momento, a condição de favoritismo do Palácio do Planalto.

Os números merecem uma leitura mais cuidadosa do que aquela sugerida pelas manchetes. A redução da diferença entre os dois candidatos não significa, necessariamente, uma mudança estrutural do eleitorado. Pesquisas de opinião captam o humor de um determinado momento e, em campanhas longas, oscilações dentro da margem de erro costumam ser frequentes. Ainda assim, quando um movimento se repete em levantamentos consecutivos, passa a merecer atenção dos estrategistas de ambos os lados.

OPOSIÇÃO FRAGMENTADA – Lula preserva uma vantagem construída sobre fatores relativamente sólidos. O peso da máquina pública, programas sociais amplamente conhecidos, uma economia que, apesar dos desafios fiscais, mantém indicadores de emprego relativamente favoráveis e uma imagem consolidada entre o eleitorado de menor renda continuam funcionando como importantes pilares de sustentação eleitoral. O presidente também segue sendo beneficiado pela fragmentação do campo oposicionista, que ainda não conseguiu ampliar significativamente sua capacidade de conquistar o eleitor moderado.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, demonstra capacidade de recuperar parte do terreno perdido. Depois de registrar queda na sondagem anterior, voltou a crescer e reduziu a distância para Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno. O movimento sugere que parte do eleitorado conservador voltou a se mobilizar, especialmente após a intensificação do discurso crítico ao governo em temas sensíveis para a opinião pública.

FRAUDES DO INSS – Entre esses temas, o escândalo envolvendo fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) permanece como um dos principais instrumentos da oposição. Embora as investigações apontem irregularidades iniciadas antes do atual governo e envolvendo entidades de diferentes períodos administrativos, o episódio oferece à campanha adversária uma narrativa poderosa: a de que o governo falhou em proteger justamente um dos segmentos mais vulneráveis da população. Em política, a percepção pública frequentemente pesa tanto quanto a responsabilidade jurídica.

Outro foco de desgaste está nas controvérsias envolvendo gastos na área da saúde. As críticas dirigidas a compras públicas e decisões administrativas produziram repercussão suficiente para provocar mudanças internas na equipe política ligada ao presidente. O afastamento de integrantes da coordenação da campanha demonstra que o Palácio do Planalto procura reduzir danos antes que o tema adquira maior dimensão eleitoral. Em campanhas presidenciais, mudanças na coordenação raramente são apenas administrativas; costumam representar tentativas de reorganizar a comunicação diante de crises.

DESGASTE POLÍTICO – Há ainda um componente particularmente delicado para Lula: as investigações que envolvem seu filho, Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Independentemente do desfecho judicial, episódios que alcançam familiares de presidentes tendem a produzir desgaste político porque alimentam narrativas exploradas pelos adversários. A experiência internacional demonstra que denúncias dessa natureza dificilmente alteram, sozinhas, o resultado de uma eleição, mas podem influenciar a percepção sobre integridade e confiança, especialmente entre eleitores independentes.

Apesar disso, o governo ainda não enfrenta uma crise eleitoral comparável àquelas que, historicamente, alteraram o rumo de disputas presidenciais no Brasil. Lula continua apresentando níveis de intenção de voto que o colocam em posição privilegiada para chegar ao segundo turno como líder da corrida. Mais importante do que a oscilação recente é observar se ela representa o início de uma tendência consistente ou apenas uma acomodação estatística após meses de estabilidade.

Para Flávio Bolsonaro, o desafio permanece muito maior do que reduzir alguns pontos percentuais. Será necessário ultrapassar o núcleo tradicional do eleitorado bolsonarista e convencer parcelas do centro político, dos eleitores moderados e daqueles que votam prioritariamente com base em questões econômicas. Historicamente, candidatos identificados com polos ideológicos muito definidos encontram dificuldades justamente nessa etapa da campanha.

BRANCO, NULO OU INDECISO – Também merece atenção o comportamento do eleitor que ainda declara voto branco, nulo ou indeciso. Em eleições polarizadas, esse grupo costuma diminuir à medida que a campanha avança. Dependendo de como se distribua, pode ampliar ou reduzir diferenças aparentemente pequenas observadas nas pesquisas atuais. É justamente nesse segmento que campanhas investem recursos de comunicação nas últimas semanas antes da votação.

Outro aspecto relevante é que a campanha ainda será fortemente influenciada por acontecimentos externos. A evolução da economia, eventuais decisões judiciais envolvendo figuras políticas, crises internacionais capazes de afetar preços e inflação e até fatos inesperados podem modificar significativamente o ambiente eleitoral. Pesquisas retratam o presente, não antecipam necessariamente o futuro.

POLARIZAÇÃO – Por isso, embora a pesquisa Quaest confirme Lula na liderança, seria precipitado concluir que a eleição esteja definida. Da mesma forma, seria exagerado interpretar a recuperação de Flávio Bolsonaro como o início inevitável de uma virada. O cenário mais provável continua sendo o de uma disputa polarizada, em que o presidente larga em posição de vantagem, mas precisará administrar crises e preservar sua imagem para impedir que a redução da diferença observada nesta rodada se transforme em tendência.

A corrida presidencial entra, assim, numa nova fase. Lula continua sendo o favorito, sustentado por uma base eleitoral resiliente e pela força institucional do governo. Flávio Bolsonaro demonstra capacidade de reação, mas ainda precisa transformar recuperação estatística em expansão efetiva de seu eleitorado. As próximas semanas serão decisivas para mostrar se a vantagem do presidente representa uma liderança consolidada ou apenas um retrato momentâneo de uma eleição que ainda promete mudanças até o voto final.

Lula isola adversários e chega à disputa como único candidato com aliança partidária

O risco de uma eleição a ser decidida na delegacia, com medo e com raiva

No Brasil, senadores e deputados se beneficiam do foro privilegiado. O  Ranking dos Políticos tira pontos pelos processos contra cada parlamentar.  Confira em http://www.politicos.org.br/

Charge do Sinfrônio (Arquivo Google)

Vinicius Torres Freire
Folha

A eleição presidencial de 2026 será decidida na delegacia, influenciada por rolos policiais e judiciais que afetam em maior ou menor grau as candidaturas principais? Até aqui, o grosso das preferências está definido pela aversão a Bolsonaros ou a Luiz Inácio Lula da Silva.

No grupo menor de eleitores oscilantes, o escândalo da vez parece levar uns três pontos percentuais de votos para lá ou para cá. A eleição vai ser isso, o balanço da aversão dos eleitores “nem-nem” (bolsonarista ou lulista) a imundícies ou à propaganda mais ou menos falsa da imundície adversária?

RECADO DAS URNAS – Quase sempre sabemos do sentido da eleição depois de encerradas as apurações, o clichê do “recado das urnas”. Isto é, sabemos de algo novo da opinião pública por meio dos tamanhos das votações. Parece obviedade, mas não prestamos atenção a essa afirmação acaciana enquanto tentamos prognosticar o que vai sair das urnas.

A ascensão de Jair Bolsonaro em 2018 tinha um tanto de surpresa, até mesmo para boa parte do establishment, embora o alerta de tsunami tocasse desde fins de 2017, quando o candidato começava a ser normalizado pela elite ou viralizava.

A surpresa foi grande, em especial nas reviravoltas no fim da campanha e no resultado parlamentar impressionante de direitas e “outsiders”. Viu-se derrota ainda mais dura da esquerda e o massacre do centro tucano ou atucanado.

POLARIZAÇÃO – Desde então, a desconexão entre o grosso das elites tecnocráticas e programáticas e partidos apenas aumenta. Haveria pistas de surpresa ou de elementos que possam moldar a eleição além da “polarização” e da delegacia?

Lula disputa a Presidência faz 37 anos, é vitorioso faz 24 anos e encruou nos últimos 4. O bolsonarismo, desde sempre reacionário, está na liça faz 9 anos. Nenhuma corrente apresenta nomes novos, marcas de governo vendáveis e plano diferente, que mexa com ânimos sociais ou represente forças sociais inovadoras.

Algumas candidaturas murcham ou crescem na campanha, que começa daqui a 10 dias; na TV e no rádio, no final do mês. Flávio é mais conhecido por ser Bolsonaro, não por ser Flávio. Vai crescer ou encolher quando seu jeito e sua ficha corrida forem mais expostos, em especial para o eleitor oscilante?

PT ENVELHECEU – Lula e o lulismo envelheceram. Os tantos programas eleitorais ou eleitoreiros de crédito e gasto que Lula 3 lançou podem ter mais repercussão se propagandeados na campanha?

Aquilo que se chama de “economia”, em particular emprego e benefícios sociais, não tem causado comoção ou mudado opiniões; não deve mudar de modo relevante até a eleição. Faz anos, de resto, a opinião sobre “economia” depende mais de preferência política, não o contrário.

Planos técnicos são incompreensíveis para o eleitorado. Mudanças econômicas, se é que há plano disso, serão escamoteadas pelas candidaturas.

ESTELIONATO – Haverá algum estelionato eleitoral ou inércia que causará crise. Não há mensagem nova de outra natureza. Difícil esperar conformação nova no Congresso.

Não há expectativa de mudança como em 1994 (FHC), 2002 (Lula) ou 2018 (Bolsonaro), mesmo que não se gostasse da mudança. Partidos não estão nem aí para mudança nem tem competência para tanto. Poderia ser “normal” em país mais “normal”, mais arrumado, menos pobre, desigual, violento etc. Não o somos.

Além de instrumentos de rejeição ao adversário, ou de rejeição ou de adesão ao golpismo, as candidaturas por ora não vendem nem ilusões novas. As mentiras são velhas.

 

Pesquisas eleitorais fazem comovente esforço para ocultar avanço de Caiado

Pesquisas eleitorais - Espaço Vital

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

É impressionante a crença que a grande maioria das pessoas demonstra ter em relação às pesquisas eleitorais. Essa excessiva credibilidade é causada pela grande imprensa, que transforma os institutos em novas versões do Oráculo de Delfos. o templo mais importante da Grécia Antiga.

Construído nas encostas do Monte Parnaso no século VI antes de Cristo, destruído nas guerras e depois reerguido no século IV a.C., o centro religioso foi dedicado ao deus Apolo. As previsões de Delfos eram transmitidas em sessões mediúnicas, nas quais a sacerdotisa principal, chamada de Pitonisa ou Pítia, entrava em transe para responder às dúvidas de reis e peregrinos. O nome Pitonisa era derivado da serpente Píton, que teria sido morta pelo deus Apolo no local deste santuário em Delfos.  

VENERAÇÃO – O fato deplorável, tantos séculos depois,  é que a grande imprensa trata as pesquisas com uma veneração realmente religiosa.

Apesar dos grotescos erros cometidos a cada eleição, os jornalistas continuam curvados diante desses oráculos, que se multiplicam cada vez mais, por se tratar de um ramo de negócios altamente lucrativo, que movimenta dezenas de milhões de reais em anos eleitorais. Mas não se consegue saber o valor total, porque muitas pesquisas não vêm a público e são as mais caras.

É preciso entender que existem dois tipos principais  – um deles é formado pelas pesquisas registradas na Justiça Eleitoral, para ampla divulgação; e há as demais pesquisas, feitas por partidos políticos, candidatos ou grupos econômicos interessados em decidir a quem apoiar mais fortemente, e esse levantamentos ficam trancadas a sete chaves. São os mais importantes, porque não sofrem  manipulações e são feitos para mostrar a realidade.

QUEM FINANCIA? – Quase todos os levantamentos dependem de patrocinadores. Alguns institutos financiam as próprias pesquisas, para atrair clientes, e alguns órgãos de imprensa criam seus próprios institutos, como o Data Folha e o PoderData, cujas pesquisas podem ser patrocinadas também por terceiros.

Entre os levantamentos que são feitos para serem divulgados, a maioria é patrocinada por entidades empresariais, órgãos de imprensa e empresas do mercado financeiro.

Não são confiáveis, porque os financiadores sempre têm interesse em agradar a este ou aquele candidato. Mesmo assim, os jornalistas as seguem caninamente.

BRIGAM ENTRE SI – Com tantos institutos, tantos patrocinadores e tantos interesses envolvidos, as pesquisas brigam entre si, porque os resultados são díspares e o alcance da amostragem é muito reduzida. Por exemplo, um levantamento com apenas 2 mil entrevistas é pífio, pois o país tem 5.571 municípios… — “fala sério!”, como diria Bussunda.

Para ter um mínimo de alcance, num país populoso como o Brasil, uma pesquisa precisaria abranger, pelo menos, 20 mil entrevistas, divididas proporcionalmente entre os Estados. E mesmo assim, o resultado pode não ser confiável, pois é apenas uma amostragem.

###
P.S.1
– Esta é uma eleição atípica, em que os dois candidatos principais têm interesse em disputar entre si. Tanto Lula quanto Flávio enfrentam forte rejeição. Se forem ao segundo turno contra algum candidato alternativo, perdem a eleição. No momento, os institutos de pesquisas fazem um esforço comovente para esconder as possibilidades de crescimento de Ronaldo Caiado, do PSD, um avanço que vem sendo registrado nas redes sociais.

P.S.2 –Quase morri de rir quando um “especialista” deu declarações à imprensa dizendo que essa mudança nas redes sociais não tem importância e em nada influenciará as eleições. Sinceramente, vamos crescer, raciocinar como adultos e perceber que esta pode ser uma disputa eleitoral a ser decidida pela rejeição, um fator que jamais deve ser desprezado. Mas quem se interessa? (C.N.)

PF deve convocar Lulinha para depoimento presencial em investigação no STF

Lulinha vive na Espanha desde 2024

Bela Megale
O Globo

A Polícia Federal deve chamar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, para prestar um depoimento presencial no âmbito de investigações que apuram se ele cometeu tráfico de influência junto a órgãos do governo federal e ao Palácio do Planalto.

Nos últimos dias, o filho primogênito do presidente Lula passou a ser alvo de três inquéritos da Polícia Federal que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Dois deles estão sob a relatoria do ministro André Mendonça e um sob a relatoria de Flávio Dino.

ESCLARECIMENTOS – O presidente Lula já disse publicamente que, caso seu filho seja formalmente acusado ou convocado pela Justiça, ele virá ao Brasil. O advogado de Fábio Luís, Marco Aurélio Carvalho, também afirmou que, se for demandado pelas autoridades, seu cliente comparecerá para prestar esclarecimentos.

Diante disso, os investigadores avaliam que seria o caso de o empresário dar explicações de maneira presencial, o que é mais produtivo para as apurações.

Lulinha vive na Espanha desde 2024. Ele foi dragado pelas investigações da PF devido à sua relação com a lobista Roberta Luchsinger, apontada como uma peça-chave de um suposto esquema de tráfico de influência que vigorou no terceiro mandato do governo Lula. Ela também está envolvida no esquema de desvios do INSS.

Piada do Ano! Superintendentes defendem diretor da PF que tentou blindar Lulinha

Marco Buzzi é condenado pelo STJ e pode se tornar o primeiro ministro a perder o cargo

Buzzi pode ser excluído dos quadros da magistratura

Pepita Ortega
O Globo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou nesta quinta-feira o ministro Marco Buzzi à pena de disponibilidade com proposta de perda do cargo em razão de acusações de importunação sexual e assédio. Em decisão inédita, a medida abre caminho para que o ministro seja o primeiro a ser excluído dos quadros da magistratura após o fim da aposentadoria compulsória.

Com a decisão, o caso de Buzzi será encaminhado à Advocacia-Geral da União para que proponha, em até 30 dias, uma ação de perda de cargo contra o ministro, perante o Supremo Tribunal Federal. A Corte máxima dará a palavra final sobre a demissão do magistrado.

EFEITOS PRÁTICOS – No julgamento do caso no STF, que ainda não tem data para acontecer, serão definidos os efeitos práticos da pena de Buzzi. O Supremo deve discutir, por exemplo, se a perda de cargo implica somente na perda do salário ou de outros benefícios, como plano de saúde. Também deve ser discutida questões relacionadas a contribuição previdenciária do ministro.

A pena imposta a Buzzi confirma o afastamento do ministro, que era até o momento temporária. O ministro está recebendo o salário proporcional até que o STF decrete, ou não, sua perda de cargo. Além disso, a decisão leva à vacância imediata do cargo do ministro no STJ, abrindo a possibilidade de uma nova indicação à Corte superior. Nesse interim, o desembargador Luís Carlos Gambogi, do Tribunal de Justiça de Minas, seguirá atuando nos casos que estavam no gabinete de Buzzi.

A condenação segue o entendimento da comissão de sindicância, presidida pelo ministro Luís Felipe Salomão. O voto teve peso três, porque também valeu como posicionamento dos outros ministros que integraram o grupo — os ministros Benedito Gonçalves e Ricardo Villas Bôas Cueva.

INFRAÇÕES – Por unanimidade, o pleno entendeu que Buzzi incorreu em infrações disciplinares. Houve um debate, no entanto, sobre a pena que deveria ser aplicada ao ministro. A maioria do colegiado – 24 ministros – votou para impor a Buzzi a nova pena máxima na magistratura – a disponibilidade com proposta de perda de cargo. Os ministros João Otávio de Noronha, Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria defenderam que o colega fosse aposentado compulsoriamente – punição recém-derrubada pelo Supremo Tribunal Federal.

Participaram do julgamento 28 dos 33 ministros que integram a Corte. Ficaram fora a ministra Isabel Gallotti, que se declarou suspeita para atuar no processo; o ministro Og Fernandes, diagnosticado com Covid-19; e o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques. A outra baixa tem relação com a vaga aberta no Tribunal com a aposentadoria do ministro Antônio Saldanha Palheiro, em maio.

VÍDEOS – Durante o julgamento desta quinta, Buzzi assistiu pela primeira vez os vídeos de depoimentos das vítimas, antes da leitura do voto que levou a sua condenação. Nos bastidores do STJ, o julgamento era aguardado por representar uma resolução para a Corte. Nos corredores, a avaliação é a de que, com a condenação, se vira uma página, com uma atuação institucional antes mesmo do avanço da investigação criminal contra o ministro.

No centro da condenação estão duas acusações: a de uma jovem que afirma ter sido vítima de importunação sexual durante uma viagem ao litoral de Santa Catarina e a de uma ex-servidora do gabinete do ministro, que o acusa de assédio sexual. Buzzi nega as acusações e sustenta que é inocente. Em alegações finais, a defesa sustentou ter apresentado provas de que os fatos relatados pelas vítimas “não teriam como ocorrer”.

Uma das vítimas é filha de um casal de advogados, que eram amigos de Buzzi e estavam hospedados em sua casa de praia localizada no litoral catarinense, em janeiro deste ano.

PRÓXIMOS PASSOS – Após o julgamento, a defesa de Buzzi afirmou que respeita a decisão do STJ, apesar de discordar da mesma. Além disso, informou que vai analisar a recente resolução do Conselho Nacional de Justiça, que instituiu a pena aplicada a Buzzi, para decidir sobre os próximos passos.

O advogado Daniel Bialski, que defende uma das vítimas, destacou que a decisão da Corte superior deve ter repercussão sobre a investigação criminal em curso, perante o STF, sobre as acusações contra Buzzi. Em nota, a defesa afirmou ainda que a condenação de Buzzi dá um exemplo, para toda sociedade, que “independentemente do cargo, profissão ou autoridade exercida, aquele que cometeu um ato ilícito não apenas pode, como deve ser devidamente punido”.

A ACUSAÇÃO –  O assédio, de acordo com o relato da denúncia, ocorreu em uma praia de Balneário Camboriú (SC) no mês passado. Quando a jovem foi tomar um banho de mar, Buzzi, que estava dentro da água, teria tentado agarrá-la. Ao saber da agressão, vítima e familiares retornaram a São Paulo, onde lavraram um boletim de ocorrência que deu base à abertura de um inquérito policial.

A denúncia foi registrada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que informou que o caso está tramitando em sigilo. “Tal medida é necessária para preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar a exposição indevida e a revitimização. A Corregedoria colheu nesta manhã depoimentos no âmbito do processo”, diz o CNJ.

RELATO – Em depoimento prestado à Corregedoria Ncional de Justiça, a jovem que apresentou a denúncia de assédio confirmou a acusação e fez um relato detalhado dos fatos. Segundo O Globo apurou, o depoimento foi prestado de forma presencial e durou cerca de duas horas.

Como mostrou O Globo, a Comissão da Sindicância que analisou o caso propôs ao plenário do STJ que imponha a Buzzi a nova pena máxima da magistratura, que inclui a possibilidade da perda do cargo. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia reforçado o pedido de responsabilização do ministro por assédio e importunação sexual.

QUEM É MARCO BUZZI 

Buzzi completou 68 anos nesta quarta-feira e se formou em direito em 1980, em Itajaí (SC). Ele é mestre em Ciência Jurídica e especializado em Direito do Consumo e Instituições Jurídico-Políticas. Em 2002, tomou posse como desembargador. No STJ desde 2011, nomeado pela ex-presidente Dilma Rousseff, Buzzi também é membro do Conselho da Justiça Federal (CJF) e presidente da Turma Nacional de Uniformização, composta por 12 juízes federais.

O magistrado é membro da Comissão Permanente de Divisão e Organização Judiciárias do Estado de Santa Catarina e fundador da União dos Magistrados do Mercosul. Além disso, Buzzi já integrou o Conselho Executivo da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Em Santa Catarina, Buzzi também já foi presidente do Grupo de Câmaras do Tribunal de Justiça, em 2008, e presidente da Terceira Câmara de Direito Comercial, em 2010. Foi coordenador dos Juizados Especiais do estado entre 2004 e 2010 e supervisor entre 2010 e 2012, além de ter ministrado disciplinas na Universidade do Vale de Itajaí.

Entre suas condecorações, está a Medalha do Mérito Judiciário Catarinense, concedida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina “em razão dos relevantes serviços” prestados ao estado.

Buzzi, o ministro imundo, foi afastado do STJ e vai receber punição exemplar

STJ decide punir ministro Marco Buzzi com perda do cargo

Buzzi, o ministro tarado, pensava (?) que era irresistível

Vicente Limongi Netto

Togado imundo e desprezível, o ainda ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, está encrencado. Perdeu o cargo de ministro nesta quinta-feira, mas ainda pode recorrer ao Supremo. Ele não pode ficar impune, escondido atrás daquela toga imunda.

Como todos sabem, ele assediou uma jovem, amiga de sua família, numa praia, em Santa Catarina. A vítima contou à Polícia detalhes escabrosos e imundos que sofreu nas mãos do cretino. Buzzi é ministro do STJ desde 2011, nomeado pela presidente Dilma.

A jovem ultrajada e humilhada pelo infame magistrado é filha de um casal amigo da família do indecoroso Buzzi. Estavam hospedados na casa dele.

REVOLTA – Outros casos de assédio aconteceram. A mulher do ministro, é claro, está envergonhada e revoltada. Diz que o marido, de uma união de 47 anos, acabou com a vida dela.

O cretino Buzzi entrou de licença médica e internou-se em rico hospital de Brasília. Depois da cafajestada com a jovem, ficou doente. Coitadinho. Perdeu uma dignidade apenas aparente, porque um homem como ele jamais foi honrado.

Seguramente, como a jurisprudência do Supremo é incisiva, Buzzi não poderá ser aposentado compulsoriamente. Isso, sim, é punição. Tenho ânsia de vômito. Buzzi é um rato de esgoto. Apenas isso.

Chanceler cobra respeito de Milei em meio à grave crise com Argentina

Crise política força reaproximação entre Lula e Alcolumbre

Lula prepara conversa com Trump para conter escalada da crise diplomática

Lula sinaliza que vai procurar Trump na próxima semana

Victoria Azevedo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a aliados que buscará conversar com o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, na próxima semana. A declaração foi feita num encontro do petista com parlamentares do PSOL e da Rede no Palácio da Alvorada nesta tarde. O encontro ocorreu para oficializar o apoio da federação à reeleição do presidente.

De acordo com relatos de dois participantes, o petista defendeu o fim da guerra na Ucrânia e criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU para conseguir encerrar o conflito. Nesse momento, Lula afirmou que conversou nos últimos dias com os presidentes da China, Xi JinPing, e da Rússia, Vladimir Putin, sobre o conflito e que, na próxima semana, buscaria falar com Trump também.

NOVAS TAXAS – Segundo esses relatos, Lula não disse se também aproveitará a conversa para tratar de outros temas na relação do Brasil com Estados Unidos, que vive momento de tensão após nova imposição de taxas do governo Trump aos produtos brasileiros e sanções a autoridades, como a revogação do visto da atual embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) foi procurada, mas não respondeu. Uma pessoa que acompanha as conversas diz que ainda não está fechada uma data para esse telefonema. O petista afirmou mais cedo em entrevista nesta quarta que buscaria Trump, mas não indicou quando isso ocorreria.

— Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também. São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa (…) Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso (conflitos) e chamar a negociação. Eu falei para o Putin e para o Xi Jinping e vou falar para o Trump: se reúnam, pelo amor de Deus. São os membros mais importantes do Conselho de Segurança, as três maiores potências. Se reúnam e coloquem o fim nesse conflito — disse Lula em entrevista ao canal Os Três Elementos.

INTERFERÊNCIA – Ainda segundo relatos dos participantes da reunião, Lula voltou a falar do risco de interferência do governo Donald Trump nas eleições brasileiras, e citou nominalmente o presidente americano e o secretário de Estado, Marco Rubio, que mostraram ter interesse no domínio da direita na América Latina.

Também no encontro, o petista falou que a eleição deste ano será dura, que é preciso mobilizar a militância nas ruas e nas redes sociais e apontou para propostas que quer tratar num eventual Lula 4 nas áreas de educação e ciência e tecnologia; defesa; e do cuidado com a terceira idade. Ele afirmou ainda, segundo os relatos, que não quer ser eleito presidente pela quarta vez para fazer o que já foi feito em gestões passadas.

EMENDAS – Além disso, voltou a criticar o controle das emendas parlamentares no Congresso, disse que o governo fica engessado com falta de recursos para investimento e que esse tema precisa ser enfrentado num novo governo. Incentivou ainda a candidatura de nomes da esquerda para o Congresso falando na necessidade de uma base para apoiar o avanço de propostas de interesse da população.

O presidente também foi questionado sobre a participação dele ou não nos debates eleitorais. Nesse momento, segundo os relatos, o presidente do PT, Edinho Silva, que acompanhava o encontro, disse que hoje há mais de 30 pedidos de participação em eventos como esse e que isso será analisado pela coordenação da campanha. A expectativa é que todos os partidos aliados tenham ao menos um representante na coordenação da campanha.

Escolha de Alfredo Gaspar foi fechada às pressas após recusa de aliados