Sem provas e sem novidades: PF rejeita segunda oferta de delação de Daniel Vorcaro

Flávio pede que Lula seja investigado por discursar sobre “traidores da pátria”

Piada do Ano! Fachin diz que os EUA deviam cumprir as ordens de Moraes…

Fachin em carreira solo - Blog da Denise

Charge do Cau Gomez (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Todo ano é a mesma coisa. Sempre aparece alguma personalidade importante dos Três Poderes da República que decide fazer o possível e o impossível para ganhar o cobiçado troféu da Piada do Ano. Agora é o presidente do Supremo, Edson Fachin, com uma piada atrás da outra, tentando acumular pontos desde o primeiro semestre.

Fachin é um ilustre apoiador da então candidata Dilma Rousseff, que em 2010 abandonou seus trabalhos na Procuradoria do Paraná para se integrar à campanha petista. O ministro sabe o valor da Piada do Ano e quer repetir a dose, porque hoje poucos lembram que ele ganhou o concurso em 2019.

RECAÍDA PETISTA – Recordar é viver. Como relator da Lava Jato, Fachin saiu-se admiravelmente, durante anos deu um show em termos de imparcialidade. Em 2019, porém, quando o destrambelhado Jair Bolsonaro passou a exercer o poder pateticamente, Fachin teve uma recaída petista e tirou Lula da cadeia.

Com uma coragem inacreditável, o relator Fachin aceitou a tese de que Lula não poderia ter sido julgado em Curitiba e instituiu a “incompetência territorial absoluta” para anular as condenações do petista, que estava preso há 580 dias.

Com isso, o Brasil se tornou o único país do mundo em que existe essa “incompetência territorial absoluta”, uma possibilidade juridicamente abominável, mas quem se interessa? E assim Fachin ganhou a Piada do Ano de 2019.

VOLTA AO PALCO – Sete anos depois, o presidente do Supremo aproveita seu palco iluminado na Praça dos Três Poderes para fazer sucessivas piadas, todas de altíssimo nível, a começar pelo manual de boas condutas, realmente impagável, só faltou ensinar os ministros a não extorquir banqueiros.

Daí em diante, Fachin desembestou, como se diz no Nordeste. Primeiro, apoiou Dias Toffoli no caso Master, dizendo que ele seria um relator imparcial, todos riram da piada, menos a Polícia Federal, que em seguida obrigou Toffoli a se declarar impedido, digamos assim.

Depois, o presidente do STF tentou convencer Alexandre de Moraes a pôr fim ao inquérito do fim do mundo, mas Xandão não achou graça e Fachin teve mudar o roteiro, perdendo a piada para não perder o amigo, e até colocou a Advocacia-Geral da União na defesa de Moraes, que é investigado pelo Congresso dos EUA e processado na Flórida pela plataforma Rumble e pela Media Trump, empresa do presidente americano.

PIADA DO SÉCULO – Para não perder a amizade de Moraes, esta semana Fachin resolveu lançar logo a Piada do Século, dizendo que os Estados Unidos têm obrigação de seguir as ordens judiciais que Moraes tentou ver obedecidas pela Justiça americana.

Sob aplausos entusiásticos, criticou a filial USA por não cumprir nenhuma determinação de Moraes, aqui da filial Brazil, e argumentou que “cooperação judicial entre países não pode ser confundida com ingerência”.

A piada foi feita durante apresentação solo de Fachin no lançamento do Anuário da revista Consultor Jurídico, levando a plateia ao delírio, com arrancos de soberania e de civismo.

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P.S. –
Sem citar diretamente os Estados Unidos ou casos específicos, o ministro Fachin avisou que a resistência em obedecer às ordens judiciais brasileiras pode gerar “consequências que ultrapassam fronteiras”, deixando o presidente Donald Trump na expectativa de retaliações da filial Brazil, caso os processos contra Moraes não sejam logo arquivados na matriz USA. (C.N.)

Acesso restrito a Bolsonaro provoca ruídos na montagem dos palanques estaduais

El Niño precisa varrer do mapa esses abutres que infestam a política brasileira

Cartum: quadrinhos, tirinhas e charges - 26/05/2026 | Folha

Charge do Laerte (Folha)

Vicente Limongi Netto

O fenômeno climático El Niño já começou mesmo a fustigar o Brasil. Está a meio caminho. Não se sabe ainda qual será sua intensidade. Deverá mostrar as garras principalmente no Nordeste e Sul do país atingindo quem estiver pela frente.

Mas precisamos de um El Niño diferente, que venha invocado e com tudo para jogar no lixo patifes engomados de todos os coturnos. A fúria do fenômeno deveria ter endereço certo, como ministro assediador e impune, do Superior Tribunal de Justiça (TSTJ).

PASTORES CRETINOS – El Niño precisa arrastar pastores cretinos que escondem mandato parlamentar para saciar seus apetites de enriquecimento ilícito. eleitoreiros. Deveria vir com força para assustar a escória do Tariflávio e de outros políticos do mesmo nível, em todos os partidos.

Vai exigir que o falsário meliante Daniel Vorcaro seja homem. Que conte tudo realmente, sem escamotear nomes de poderosos numa delação que não mereça mais reparos da Policia Federal nem da Procuradoria Geral da República.

El Niño Quer olhar na cara dos candidatos para saber as reais intenções deles com o Brasil.  Os homens de bem querem olhar de perto as caras dos abutres.

CELA NA PAPUDA – El Niño também precisa fustigar o  caolho Ibaneis Rocha, chefão da gang que desgraçou o Banco Regional de Brasília (BRB) e desonra o MDB. A Papudinha tem cela esperando por ele.

A passagem do poderoso El Niño será curta, mas com tTempo suficiente para preparar o caminho do inferno para a corja podre do clã Bolsonaro. A começar pelo destrambelhado chefão Jair Bolsonaro, golpista que infelicitou o Brasil e ensinou os filhos a seguir o mesmo infame caminho.

Caso seja informado pelos meteorologistas que sua rápida viagem não foi convincente, que a ordinarice continua solta, então El Niño garante que volta antes das eleições de outubro. Aí, sim, com sangue nos olhos, para fazer uma limpeza profunda na vida pública brasileira, em todos os partidos.

STM pode reavaliar provas da trama golpista para preservar patentes de generais

Eleitorado pune estratégia de Flávio Bolsonaro e melhora avaliação de Lula

Brecha no Regimento do Supremo pode permitir a libertação de Vorcaro & Cia

Os segredos da Suíte Master. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (9). #meio #charge #bancomaster #vorcaro

Charge do Sppaca (Arquivo Google)

Jorge Béja

Todos os Tribunais de Justiça nacionais são formados por número ímpar de magistrados. Tanto o plenário quanto os órgãos que compõem as Cortes. O Supremo Tribunal Federal é composto por 11 ministros. E cada uma de suas duas turmas é composta por 5 ministros.

O número ímpar de integrantes das cortes não é superstição. Nem, muito menos, coincidência. A finalidade é evitar que os julgamentos, sejam pelo plenário, sejam por turmas, nunca terminem em empate.

RAZÃO LÓGICA – Diante desta razão juridicamente lógica, conclui-se que a Segunda Turma do STF não pode julgar Daniel Vorcaro, seus comparsas, nem o Banco Master. Esse impedimento acontece porque a Segunda Turma está composta de apenas quatro ministros, em razão do impedimento e suspeição de Dias Toffoli para decidir sobre o Master.

E quando isso acontece a parte a quem aproveita o empate fica em flagrante vantagem. Em qualquer julgamento do caso Master pela Segunda Turma o placar de 2 a 2 favorece Vorcaro & Cia, quer estejam criminalmente investigados acusados, denunciados, ou mesmo réus, em se tratando de ação penal com denúncia já apresentada e recebida.

A vantagem decorre do princípio “in dubio pro réu”, que é fundamental para o Direito Penal e Processual Penal. O placar 2 a 2 deixa a dúvida: inocente ou culpado, E o réu é beneficiado.

E NO PLENÁRIO – E se o julgamento fosse levado ao plenário?  A resposta não seria a mesma, porque, com o impedimento de Toffoli, por ora o plenário estará formado por nove ministros, impossibilitando o empate como resultado.

Outrora, em situação idêntica à que se encontra atualmente o STF, eram chamados ministros do Superior Tribunal de Justiça para a composição integral da Corte. Hoje, não mais.

O Regimento Interno do STF é outro e não admite o que era razoavelmente bom, justo e célere, para o desate dos julgamentos, evitando-se a possibilidade de ocorrer empate, repita-se.

HIPÓTESE ODIENTA – O que vai escrito a seguir deixa qualquer pessoa indignada. Revoltada, mesmo. Mas não se pode desrespeitar a lei, nem contorná-la.

Enquanto perdurar a atual composição da Segunda Turma, Daniel Vorcaro, seus asseclas e o Banco Master não podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, até que a composição da Corte seja regularizada na forma da Constituição Federal e dos princípios que regem a Ciência do Direito, Vorcaro e sua “gang” teriam até o direito de deixar a prisão.

E não se pode negar que é possível o resultado de 2 a 2 no recurso que está em curso, em que os ministros Mendonça e Fux já votaram a favor de manter a prisão preventiva, e aguarda-se o voto dos ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques.

Eleitor com mais de 70 anos pode ser fiel da balança nas eleições de 2026

Aceitar estoicamente o destino não deve impedir nossa evolução política e social

Ilustração de Ricardo Cammarota foi realizada em técnica digital, vetorial, sobre fundo preto com moldura fina dourada de cantos arredondados. A composição é formada por elementos geométricos e símbolos distribuídos horizontalmente. À esquerda, uma linha vertical dourada conecta um círculo serrilhado menor na parte superior, um círculo maior com múltiplos raios ondulados na região central e uma lua crescente na parte inferior. No centro, uma linha curva dourada atravessa a composição formando ondas suaves. Sobre essa linha está uma balança simétrica com haste vertical central e dois pratos triangulares suspensos, ambos preenchidos parcialmente por formas semicirculares douradas. Abaixo da balança aparece o símbolo da letra grega psi (Ψ). À direita, uma linha vertical sustenta uma sequência de formas geométricas. Na parte superior há um círculo contendo triângulos sobrepostos e um triângulo preenchido voltado para baixo. Abaixo aparecem dois triângulos alinhados verticalmente, um deles com um círculo vazado no centro. Mais abaixo há triângulos contornados, alguns com linhas tracejadas. Pequenos pontos e estrelas douradas e brancas estão espalhados pelo fundo, simulando um céu noturno.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Quando escolas filosóficas entram na moda, temos como consequência dois fenômenos. O primeiro, negativo, é o uso abusivo de ideias tiradas de contexto e utilizadas como algum tipo de ferramenta motivacional. Penso que a categoria de conteúdo motivacional é uma das misérias do pensamento em nosso tempo. Viciante, move toda uma economia de ideias empobrecidas a serviço da ignorância e da mentira sistemática.

O segundo ponto, positivo, é a possibilidade de que a escola filosófica que “entra na moda” possa despertar em almas mais consistentes o interesse pela filosofia que está em questão. E a escola filosófica à qual me refiro neste artigo é o Estoicismo.

CONSTATE ESTÓICA – O filósofo espanhol, autor do grande dicionário de filosofia que carrega seu sobrenome, José Ferrater Mora, afirma no verbete “Estoico” que o estoicismo se caracteriza por ser uma “constante estoica”. Esse fato pode ser responsável, em grande parte, pelo seu sucesso entre o senso comum e, mesmo, no uso empobrecido, quando essa constante se despedaça no discurso motivacional.

“Constante estoica” significa que o estoicismo fala com todos nós, independente da época em que vivemos, principalmente, se levarmos em conta o fato que os verdadeiros estoicos viveram na Grécia e em Roma desde o século 4º a.C., com seu fundador Zenão de Cítio, em Atenas, e seguiram até o século 2º d.C. em Roma, com o imperador filósofo Marco Aurélio.

SEIS SÉCULOS – No total, cerca de 600 anos se passaram até que seu último grande representante, Marco Aurélio, viesse a morrer em 180 d.C. Por isso, trata-se de uma escola filosófica cujas fontes são fragmentadas, muitas vezes contraditórias.

O maior acesso que temos a essas fontes são dos três grandes estoicos em Roma, Sêneca, senador romano, Epicteto, escravo liberto grego, mas que viveu parte da sua vida em Roma, e o imperador filósofo Marco Aurélio. Esses poucos dados servem para nos dar alguns parâmetros da complexidade da constituição temporal da escola estoica.

O primeiro problema com relação à banalização do estoicismo é porque se trata de uma filosofia muito distante do discurso de sucesso e controle da vida que marca a nossa época. Muito pelo contrário, um estoico porá em dúvida a validade de pensar a vida como um projeto de controle sobre as coisas e os eventos a nossa volta.

BANALIZAÇÃO – Por outro lado, sem que isso justifique a banalização que toda moda de pensamento carrega consigo, a ideia de que podemos, sem apelos a tradições religiosas práticas, aprender racionalmente a viver com menos sofrimento, pode parecer que se trata de uma espécie de “autoanálise cognitiva” a serviço de uma vida melhor.

O que a faz uma constante também é sua proposta de que podemos, por nós mesmos, nos tornarmos mais sábios, ainda que aprendendo com a tradição filosófica que lhe era anterior. De novo, nada mais distante da ideia contemporânea de que a tradição de nada serve a não ser como afetação vintage.

Vejamos alguns dos temas que marcam, por exemplo, o universo de angústias estoicas —que são constantes entre nós humanos— na abordagem do imperador filósofo Marco Aurélio.

AS ANGÚSTIAS – Misantropia, ou seja, uma desconfiança profunda com relação aos homens e suas ações no mundo, o medo da morte, o sentimento do vazio da existência, a monotonia, a covardia repentina que nos acomete diante da vida e, acima de tudo, a consciência da efemeridade do tempo —a fuga do tempo— e da impotência humana.

Assim, o especialista Pierre-Maxime Schuhl resume as preocupações estoicas centrais. Pergunto: como encarar temas como esses banalizando-os, vestindo-os com a capa da simplificação a favor do sucesso no fim do dia?

Por outro lado, estoicos como Epicteto, seguido por Marco Aurélio, estabelecerão três estratégias ou modos de ação diante dos problemas da vida, conhecidas como “topoi”. Em oposição a eles, identificarão vícios simétricos, já que esses “topoi” serão entendidos como virtudes, por sua vez.

VAZIO DE INTELIGÊNCIA – É preciso entender que tudo tem uma causa que é fruto da natureza e que escapa ao nosso controle e que, portanto, não devemos atribuir uma intenção contra ou a favor de nós. O vicio oposto, por sua vez, é o “vazio de inteligência”, ou seja, a incapacidade de compreender nossa impotência diante da natureza ou do cosmos.

Sempre levarmos em conta aqueles que vivem conosco, portanto, ter um senso de comunidade ativo. O vício oposto é se apartar do vínculo com as pessoas com quem vivemos.

Estar atento a nossa alma, intelecto e corpo, e não fazer deles veículos de desordem. O vício oposto é contaminar, com as agitações da nossa alma e do nosso corpo, o mundo a nossa volta.

Declarações de Eduardo voltam a gerar incômodo no núcleo de Flávio Bolsonaro

Uma viola enluarada que marcou época, fustigando o regime militar

Marcos E Paulo Sérgio Valle Discography: Vinyl, CDs, & More | Discogs

Paulo Sérgio e Marcos Valle, irmãos e parceiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

Os irmãos cantores e compositores cariocas Paulo Sérgio e Marcos Kostenbader Valle fizeram em parceria a música “Viola Enluarada”, cuja letra mostra que era preciso lutar, enfrentar a ditadura militar vigente no Brasil desde 1964 e buscar a liberdade. A música intitula o LP Viola Enluarada, lançado por Marcos Valle, em 1967, pela Odeon.

VIOLA ENLUARADA
Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle

A mão que toca um violãoSe for preciso faz a guerraMata o mundo, fere a terraA voz que canta uma cançãoSe for preciso canta um hinoLouva à morteViola em noite enluaradaNo sertão é como espadaEsperança de vingança
O mesmo pé que dança um sambaSe preciso vai à lutaCapoeiraQuem tem de noite a companheiraSabe que a paz é passageiraPrá defendê-la se levantaE grita: “Eu vou!”
Mão, violão, canção e espadaE viola enluaradaPelo campo e cidadePorta bandeira, capoeiraDesfilando vão cantandoLiberdade
Quem tem de noite a companheiraSabe que a paz é passageiraPrá defendê-la se levantaE grita: “Eu vou!”Porta bandeiraCapoeiraDesfilando vão cantandoLiberdade… 
Liberdade, liberdade, liberdade

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Derretimento entre independentes leva Flávio Bolsonaro a redesenhar estratégia eleitoral

Votações simbólicas no Congresso dificultam pressões sobre parlamentares

O cessar-fogo jamais chega ao Oriente Médio, apesar da nova crise do petróleo

Sob a sombra da Ficha Limpa, políticos recorrem à Justiça para disputar eleição

Esquerda está presa à armadilha de pedir sempre apoio do STF, sem debater ideias

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Maria Hermínia Tavares
Folha

A Parada LGBT+ é hoje o único movimento progressista que mobiliza e leva multidões de brasileiros às ruas. Talvez por ser singular mistura de alegria de festa com afirmação bem-humorada de identidade e combativo engajamento por direitos.

Outros movimentos mais tradicionais do campo da esquerda — por melhorias urbanas; pelo acesso a moradia e à saúde; contra a discriminação racial ou de gênero; ou por direitos trabalhistas, campo de atuação sindical— certamente continuam aí. Há mais de uma década, porém, disputam as ruas e praças com a extrema direita — quase sempre em desvantagem.

EXEMPLO DO PT – O mesmo se pode dizer do PT, cuja militância se confundia em boa medida com ativistas sindicais e de organizações populares. E mais ainda das agremiações partidárias que orbitam em torno da legenda de Lula.

Haverá boas explicações para a dificuldade que o partido e seus movimentos encontram para mobilizar multidões em torno de agendas menos ou mais ambiciosas. Entre elas, a proximidade com o governo federal ocupado pela coalizão encabeçada pelo PT, ensejando que lideranças sociais e ativistas partidários fossem sugados pela máquina pública.

A verdade é que desde a vitória de Bolsonaro, em 2018, a reação extraparlamentar progressista às ameaças à democracia e aos direitos fundamentais não se deu prioritariamente nas ruas. As esquerdas assumiram a judicialização como estratégia principal.

APOIO DO STF – Entre 2019 e 2022, usando instrumentos previstos na Constituição — em especial a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) —, buscaram barrar no Supremo Tribunal Federal as iniciativas mais reacionárias do Executivo ou do Legislativo.

Naquele período, foram protocoladas cerca de 2.000 ADIs e 600 ADPFs, que trataram de providências relativas à epidemia de Covid 19; meio ambiente e fiscalização ambiental; proteção de povos indígenas durante o surto; operações policiais nas favelas; cerceamento à liberdade de expressão; decretos sobre uso de armas de fogo.

Embora não tendo sido os únicos, os partidos de esquerda foram os principais motores da judicialização. Provocados por movimentos sociais e organizações não governamentais, tornaram-se os maiores litigantes, destacando-se pela frequência de seus recursos à Suprema Corte: pela ordem, PSOL, Rede, PDT, PT, PSB e PCdoB. Não estando habilitadas por lei a usar aqueles instrumentos, as ONGs frequentemente participaram das ações, contribuindo com pareceres técnicos.

SEM IDEIAS NOVAS – Para as forças progressistas, a judicialização é estratégia defensiva com vantagens e limitações, porque pode deixar em segundo plano a organização e a mobilização social em defesa de suas causas. E se beneficiam da diminuição da assimetria de poder quando a disputa se instala no terreno da interpretação legal.

Por outro lado, o recurso à Suprema Corte, além de aumentar perigosamente o poder de seus 11 magistrados, acaba delimitando a agenda das esquerdas.

Esta fica reduzida à batalha pelo programa inscrito na Carta —dispensado o debate de ideias. Especialmente de ideias novas para problemas ausentes do horizonte dos constituintes de 1988. E se algo não falta neste país são problemas.

Quando a Justiça falha, os três Poderes logo se corrompem, diria Montesquieu

BELA, RECATADA E ENVERGONHADA" SOBRE A CHARGE ACIMA RESPONDA: O SIGNIFICADO DA PALAVRA DEMOCRACIA ESTÁ - brainly.com.br

Charge do Duke (Itatiaia)

Carlos Newton

Se ainda estivesse entre nós, o genial Barão de Montesquieu estaria acompanhando a política brasileira com a maior atenção e curiosidade. Logo de início, constataria que o problema deste país continental é que não consegue ter um só poder que funcione a contento. Os três conseguiram apodrecer a um só tempo, levando o Brasil a uma situação muito preocupante, não há a menor dúvida.

Sua famosa obra “Do Espirito das Leis”, em que estabelecia uma relação harmônica entre os poderes para possibilitar o aperfeiçoamento da política, foi publicada em 1748, antes da Independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa (1789), tornando-se fundamental para o surgimento e a consolidação das democracias.

TEORIA E PRÁTICA – Montesquieu morreu sete anos depois de publicar sua revolucionária tese, sem ter comprovado como a teoria funcionaria na prática, pois viveu num mundo ainda governado por monarcas ou déspotas.

O filósofo iluminista previu a consolidação das democracias, mas não desceu a detalhes, apenas demonstrou que a política somente funcionaria corretamente se houve independência, respeito e harmonia entre os três Poderes.

Essa regra não tem exceção e demonstra ser imutável. Não há como uma democracia transcorrer normalmente se qualquer um dos poderes estiver atuando de forma irregular. Ou seja, Montesquieu acertou em cheio. Quase 300 anos após serem testadas na prática as regras de sua obra-prima, não há como atualizá-la. Nenhum poder pode se desgarrar, e fim de papo.

PRIMADO DA JUSTIÇA -A única novidade que o filósofo francês poderia comprovar é que, na democracia, a regra mais importante mostra ser o funcionamento adequado do Judiciário. Quando a Justiça faz a sua parte na fiscalização mútua dos poderes, o Executivo e o Legislativo são forçados a também atuar a contento, por saberem que qualquer decisão irregular pode ser punida, mesmo que não tenha muita gravidade.

Portanto, quando a Justiça fraqueja e se curva à impunidade dos poderosos, todo o resto desaba, como num castelo de cartas. É justamente o que está acontecendo no Brasil, nesta triste fase que estamos atravessando.

E os exemplos são múltiplos. Um ministro do Supremo pode cobrar R$ 3,6 milhões mensais a um banqueiro criminoso, ser gravado tentando bloquear a intervenção na instituição financeira dele, e não acontece nada, rigorosamente nada.

MAIS EXEMPLOS – Outro ministro recebia R$ 100 mil mensais da mulher, sem declarar ao Imposto de Renda, depois tornou-se dono de um luxuoso resort, ninguém sabe onde arranjou o dinheiro. Em decisões inexplicáveis, devolveu bilhões de reais a empresários corruptos que tinham confessado os crimes, e também não há possibilidade de punição a esse magistrado.

Ao mesmo tempo esses dois ministros consideraram “terrorista” um pequeno empresário que deu R$ 500 numa vaquinha para alugar um ônibus e conduzir manifestantes a Brasília. Sem clemência ou remorso, condenaram-no a 14 anos de prisão e multa vultosa, e a ampla maioria do STF considera normal esse julgamento.

Se constatasse esse deplorável funcionamento da Justiça, o Barão de Montesquieu poderia ter um mal súbito e morrer na hora. Ele jamais conseguiria entender como um regime político de tal nível pode ser considerado democracia. Desse jeito, não há iluminista que resista a tanto obscurantismo.

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P.S. –
Em meio a esse regime de trevas, o Brasil prepara mais uma eleição presidencial, sob os auspícios de uma imprensa claramente amestrada, que não zela pelos interesses nacionais e se comporta como se o Brasil estivesse funcionando como uma democracia perfeita, Essa situação demonstra que muitos jornalistas, decididamente, não têm medo do ridículo. (C.N.)

Ataques ao STF batem recorde nas redes e revelam nova frente da guerra política digital