Autor de ação que tornou Bolsonaro inelegível acusa Flávio de repetir erro do pai

Flávio Bolsonaro segue estratégia de radicalização

Johanns Eller
Rafael Moraes Moura
O Globo

O presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), cometeu crime eleitoral ao questionar a lisura do sistema de votação do Brasil e disseminar informações falsas sobre urnas eletrônicas a diplomatas estrangeiros na última terça-feira (21) em Brasília.

Essa é a posição do advogado Walber Agra, autor da ação do PDT que tornou Jair Bolsonaro inelegível em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ocasião da famigerada reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, a menos de três meses da eleição de 2022.

MESMO ERRO – “Flávio repete o erro do pai, porque a radicalização é uma ferramenta para aglutinar o eleitor radical dele. Vejo método e estratégia para minar a democracia. Isso daí é um infração eleitoral que deve ser severamente punida”, avalia Agra, que vê condições para levar a uma eventual inelegibilidade de Flávio caso o episódio seja alvo de uma ação de investigação judicial eleitoral, as chamadas Aijes, no futuro.

“O que não se pode falar é que houve crime político. O ex-presidente Bolsonaro foi enquadrado por abuso de poder político e econômico porque estava no controle da máquina, o que não é o caso de Flávio agora”, complementou, em referência à transmissão da reunião do então presidente com diplomatas em julho de 2022 pela emissora estatal TV Brasil.

FRAUDES ELEITORAIS – Em um evento organizado por uma consultoria privada na capital federal com a presença de diplomatas, Flávio mencionou documentos tornados públicos pelo governo Donald Trump sobre fraudes eleitorais na Venezuela que vinham sendo explorados nos últimos dias pelo bolsonarismo nas redes.

À plateia com representantes de 42 países, entre eles os Estados Unidos, repetiu uma notícia falsa já desmentida pelo TSE em 2017, 2020 e 2022 sobre o uso de urnas de uma empresa venezuelana e fez um apelo para que “todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possível” para as eleições de outubro. “É um episódio grave, porque há uma sistematização de descredibilizar as urnas e a própria Justiça Eleitoral”, diz Agra.

PUNIÇÃO – Agra lembra que o Código Eleitoral prevê punição para quem atribui falsamente um crime ao sistema eleitoral ou a seus membros, como a prática de fraude. Também há precedentes do TSE em que o ataque às urnas levou à cassação do mandato e à declaração de inelegibilidade, como aconteceu com o ex-deputado estadual Fernando Francischini (PSL-PR), o primeiro parlamentar a perder o mandato no Brasil por disseminar fake news contra o sistema eletrônico de votação.

No caso, que teve como relator o ministro Luís Felipe Salomão, Francischini foi condenado por realizar uma live na data do primeiro turno das eleições de 2018 denunciando uma suposta fraude em urnas que não estariam computando votos do então correligionário Jair Bolsonaro para presidente, e que teriam sido apreendidas. Horas mais tarde, ele foi eleito como o deputado estadual mais votado do Paraná, mas a Justiça Eleitoral comprovou que o boato era notoriamente falso.

APELOU PARA A CIA  – “Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação”, declarou o pré-candidato à Presidência da República.

“E uma das suspeitas [dos EUA] é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país”, prosseguiu Flávio. “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”.

A Smartmatic, na verdade fundada nos EUA por engenheiros do país caribenho, nunca forneceu urnas ao Brasil. A companhia participou de uma licitação para as eleições de 2020, mas não se classificou. O TSE firmou um contrato com a empresa para o treinamento de funcionários do suporte técnico-operacional nas eleições de 2014, mas sem relação com a produção ou operação das máquinas.

NOTA  – Diante da repercussão, Flávio divulgou uma nota dizendo ter “integral confiança” no sistema eleitoral brasileiro, mas não esclareceu por que citou informações falsas e nem especificou a origem delas.

Na última quarta, o PT acionou o TSE e pediu, em caráter liminar, para que Flávio seja multado em R$ 30 mil e que publicações dos deputados federais Júlia Zanatta (PL-SC), cotada para a vice do presidenciável, e Gustavo Gayer (PL-GO) que distorceram os documentos da CIA sejam retirados do ar. O partido de Lula citou o precedente de Francischini e a própria condenação de Bolsonaro no TSE.

O uso do nome da CIA na divulgação de desinformação faz parte de uma estratégia do governo Trump de requentar acusações de interferência estrangeira nas eleições presidenciais de 2020 cujo pano de fundo é sustentar que Joe Biden venceu o pleito por meio de fraudes em larga escala — tese que foi demolida em diversas Cortes dos EUA mas que o republicano tenta emplacar em seu segundo mandato.

REUNIÃO COM EMBAIXADORES – No paralelo brasileiro, Jair Bolsonaro também organizou a reunião com os embaixadores no Palácio da Alvorada de olho no retrovisor: sem provas, disse que as eleições de 2014 e 2018 no país foram fraudadas – a primeira para fazer prevalecer a então presidente Dilma Rousseff (PT) no embate contra Aécio Neves (PSDB) e a segunda para evitar uma vitória do próprio Bolsonaro já no primeiro turno. Na ocasião, negou ter a pretensão de forjar um golpe desacreditando as urnas e vaticinou que seu objetivo era “exatamente o contrário”.

Três anos depois e com o ex-presidente já inelegível por determinação do TSE, os ataques dele contra as urnas eletrônicas em uma reunião agendada pelo próprio Bolsonaro com diplomatas estrangeiros foram citados entre as evidências da existência de uma trama golpista no núcleo duro do Palácio do Planalto pelo relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes.

As declarações de Flávio aos diplomatas nesta semana foram imediatamente associadas ao episódio que tornou seu pai inelegível. O recuo de Flávio diante da repercussão de suas falas indica que ele quer evitar o risco de seguir o mesmo roteiro.

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Candidata ao Senado, Roseana Sarney é um exemplo de resistência e superação

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Roseana vence o câncer e lança candidatura ao Senado

Vicente Limongi Netto

Roseana Sarney, 72 anos, ex-governadora, ex-senadora, atualmente deputada federal, se alimenta com a força de Deus. Tem a têmpera de lutas do pai, José Sarney. Não esmorece. Destaca que os ensinamentos de Deus foram fundamentais para enfrentar um tratamento penoso contra o câncer,  para seguir em frente na caminhada política.

“Sei que a luta é árdua, mas nós vamos vencer e recomeçar”, exclama Roseana, candidata ao Senado, pelo MDB, bem pontuada nas pesquisas.  Ela tem participado de eventos políticos no Maranhão. O mais recente foi de apoio a Helena Dualibe, candidata a deputada estadual.

Para Roseana, “em qualquer idade, você tem o direito de se renovar, de sonhar, de persistir naquilo que você mais acredita, que é trabalhar pelo nosso povo”.

TRISTEZA NO SUL – Rastros de agonias crescem com escombros. Garras do desespero secam as lágrimas dos obreiros gaúchos. Chuvas e enchentes fortes voltaram a causar sofrimento e tristeza em cidades do Rio Grande do Sul.  Dilacerando e esmagando a felicidade de famílias inteiras.

Centenas de famílias estão morando em abrigos. Águas do rio GuaÍba avançam sobre Porto Alegre. A teimosa esperança pela vida esmaga a raiva. Penaliza sorrisos. O frio espanta o choro. Travo soluços.  A tensão coletiva não sai da alma. Permanece doendo nos ossos.

Dias e noites surgem tristes. Ninguém prega o olho. O quadro avassalador de tragédias se multiplica. Insiste em voltar.  Humilha o céu. Ninguém sabe quando o sofrimento vai acabar. Continuam a fibra e o ânimo para ajudar os necessitados que perderam tudo. A energia vem de Deus. Ganharia saudável alívio caso São Pedro puxasse as orelhas das açodadas chuvas.

Pensando bem, não acho que a espécie humana faria qualquer falta ao planeta

Título – A ética da extinção Ilustração em técnica mista. As figuras foram desenhadas com lápis carvão sobre papel e, posteriormente, escaneadas e manipuladas digitalmente para formar uma composição em tons de preto, cinza e sépia, sem narrativa linear aparente. Ao centro, um grande círculo em degradê sépia ocupa a maior parte da imagem, sobre um fundo branco. Dentro e ao redor desse círculo distribuem-se diversas silhuetas escuras de primatas e seres humanos, repetidas em diferentes escalas, posições e orientações. Algumas figuras caminham eretas, outras se deslocam curvadas sobre quatro membros; algumas carregam lanças ou galhos, enquanto outras aparecem de cabeça para baixo, como se estivessem refletidas ou invertidas. Nas bordas superior e inferior, as figuras se prolongam para além dos limites do círculo, reforçando a sensação de continuidade. Em um dos extremos, algumas formas humanas parecem gradualmente transformar-se em troncos de árvores com raízes expostas, enquanto, em outros pontos, os corpos sugerem uma transição entre primatas e humanos. A composição não apresenta um percurso de leitura definido nem uma sequência cronológica evidente. As figuras se sobrepõem e se repetem em diferentes direções, criando um padrão visual que remete simultaneamente à evolução, à regressão e à transformação das formas vivas, sem indicar uma interpretação única. A assinatura vertical "Cammarota" aparece na margem direita da imagem.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

“A vida é tão terrível que teria sido melhor não ter nascido. Quem tem tanta sorte? Ninguém numa centena de milhares” – este ditado judeu é citado pelo filósofo sul-africano David Benatar no seu livro “Better Never to Have Been, The Harm of Coming Into Existence”, numa tradução selvagem, “Melhor nunca ter existido, e o mal de vir à existência” —não conheço tradução em português.

Benatar foi entrevistado nesta Folha dia 13 de julho, sobre o tema do antinatalismo, atitude que ele defende, antes de tudo, por razões ontológicas e éticas, e não políticas, a priori —como é o caso hoje em dia.

MAL MAIOR – Aliás, sua posição é próxima do filósofo romeno, radicado na França, Emil Cioran, que considerava ter nascido um “inconveniente”, e do filósofo norueguês Peter W. Zapffe, que via a consciência como um mal maior dentro do mal que já era a vida.

Não pretendo discutir a entrevista. Interessa-me a questão em si da proposta de recusa da reprodução humana e a queda da natalidade sustentada já há tempos em regiões mais afluentes da Terra. Nos últimos tempos tem sido comum relacionar a defesa da reprodução humana —tenham filhos! — a figuras políticas do panteão conservador, como faz, aliás, a entrevista citada acima.

De fato, muitos nomes desse panteão como J. D. Vance, Giorgia Meloni, Marine Le Pen, entre outros, defendem a reprodução humana. J. D. Vance chegou mesmo a dizer que os Estados Unidos eram governados por mulheres solitárias que criam gatos ou algo semelhante.

GATILHO EXISTENCIAL – O tema da recusa de reproduzir a espécie humana é, de fato, um gatilho existencial. Primeiro porque, normalmente, o problema é colocado diretamente às mulheres, quando, na verdade, importa tanto a mulheres quanto a homens. Biologicamente falando, ambos são necessários para a reprodução, no mínimo, no nível dos gametas.

De um ponto de vista moderno, o tema dialoga diretamente com a emancipação feminina, o sexo como lazer, o mercado de trabalho e a possibilidade de formação e carreiras de sucesso para as mulheres. Isto é fato inegável: filhos podem atrapalhar a carreira das mulheres.

Para o homem, também. A recusa da reprodução por parte de homens jovens se refere muitas vezes ao imperativo existencial “filhos hoje, contencioso amanhã”. Este terreno jurídico impacta evidentemente as mulheres também. Nem precisamos lembrar que quem arca com o ônus fisiológico e psicológico da gestação é a mulher.

REAÇÃO RADICAL – Muitas mulheres se sentem agredidas pessoalmente quando a recusa de ter filhos é posta em questão, mesmo que sem nenhuma condenação moral a priori. Acompanho esse tema há muito tempo, quando comparava a fertilidade entre mulheres de adesão religiosa estrita e mulheres seculares, sendo as primeiras muito mais férteis.

Devo dizer que filosoficamente não acho que a espécie humana faria qualquer falta ao planeta, portanto, não vejo condenação moral para quem se recusa a ter filhos.

A espécie pode muito bem acabar e pronto, o que não significa que esta hipótese não seja em si terrivelmente trágica para a própria espécie. Ao longo do tempo histórico, seria uma catástrofe para quem vivesse esse processo.

Os ditos progressistas não alcançam a questão ontológica da existência em jogo, só querem combater conservadores. Falta aos militantes uma percepção ontológica profunda das coisas, muitas vezes.

FORTES RAZÕES – Filósofos e afins contra a reprodução humana o são normalmente por razões que extrapolam em muito a polarização política. Encabeça a lista o problema do sofrimento intrínseco à condição de ser vivo, como bem aponta Benatar.

A vida se alimenta da própria vida, o que, em si, implica um ciclo infernal de violência. O problema não seria só reproduzir gente, seria reproduzir a vida enquanto tal. A reprodução em si seria um ato imoral.

Outro tema é o envelhecimento como destino maldito —independentemente das tentativas risíveis do mercado motivacional de negar este fato— e tudo que daí decorre como perdas, dores, abandono e adoecimento.

DRAMA IMORAL – O drama da velhice exibe a injustiça dominante na História, a violência da política neste “imenso mundo de tristeza”, como cantou Freddie Mercury.

A suspeita de que a existência enquanto tal seria um drama imoral habita mesmo algumas formas antigas de espiritualidade, como o gnosticismo cristão dos primeiros séculos da era comum.

O antinatalismo é uma das formas mais radicais de pessimismo, por isso não vai bem com pautas progressistas, mais dadas ao otimismo ligeiro com relação à natureza humana. O sapiens parece se revelar suicida nessa recusa de ter filhos, e a modernidade fez dos filhos um ônus.

Armínio critica irresponsabilidade fiscal de Lula e Flávio, e afirma que prefere  Caiado

Ex-presidente do Banco Central, um dos economistas mais respeitados do Brasil e com grande trânsito no exterior, Arminio Fraga não esconde a preocupação com o país. Os mais de 80 milhões de

Armínio Fraga desistiu de Lula, que vai causar forte recessão

Márcio Juliboni
Veja

Ex-presidente do Banco Central, um dos economistas mais respeitados do Brasil e com grande trânsito no exterior (foi convidado no início de julho por Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, para coordenar o grupo de trabalho que revisará a comunicação da instituição americana), Arminio Fraga não esconde a preocupação com o país.

Os mais de 80 milhões de brasileiros inadimplentes e as dificuldades das empresas em rolar dívidas são sintomas de problemas no mercado de crédito que costumam anteceder a períodos recessivos.

“O próprio governo encurta o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil”, diz.

De acordo com Fraga, que é CEO e sócio-fundador da Gávea Investimentos, o presidente Lula é um dos responsáveis pelos problemas. “Dizem que já temos austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez a dívida pública crescer?”, questiona o economista, para quem cortar os gastos requer um compromisso dos três Poderes.

Qual é o aspecto econômico que melhor representa o terceiro mandato de Lula?
As estatísticas de emprego e de crescimento foram boas até agora, mas os ingredientes para que o Brasil possa crescer a um ritmo mais acelerado e sustentável ainda não foram acionados. A taxa de investimento continua muito baixa. Sem isso e sem ganhos de produtividade, o país não vai andar. Nesse meio-tempo, as fragilidades da economia estão crescendo.

Que fragilidades são essas?
A situação fiscal é bastante grave. Embora o governo tenha criado o arcabouço fiscal, chutou o pau da barraca logo de cara e os resultados estão aí. Em termos médicos, o Brasil está com uma baita febre, representada pelo fato de o país pagar uma taxa muito alta de juro para tomar dinheiro emprestado. Esse “febrão” não pode ser confundido com questões de curto prazo, cíclicas ou de inflação, porque os juros de longo prazo também estão altíssimos. Desde 1994, o crescimento per capita do Brasil foi de 1,3%, que é muito modesto, para não dizer medíocre.

Como o desequilíbrio fiscal agrava esse quadro?
Do lado fiscal, as metas que foram definidas no início do mandato nasceram modestas e não foram cumpridas. O fato é que a situação não é sustentável. O mercado de crédito também dá sinais muito preocupantes. Há, pelo menos, 80 milhões de pessoas inadimplentes. Muitas empresas que se endividaram utilizaram instrumentos de securitização e hoje têm dificuldades de rolar suas dívidas. O próprio governo está encurtando o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil. Eu entendo que o governo não queira emitir papel de trinta anos pagando inflação mais 8% ao ano, mas, por outro lado, assim ele aumenta o risco de sua própria rolagem.

Ainda que muitos problemas acompanhem o país há décadas, há também a resistência de Lula em cortar gastos. Diante disso, o que se pode prever de um eventual quarto mandato dele?
O presidente mantém uma liderança relevante nas pesquisas e é o favorito hoje para vencer as eleições. A pergunta que deve ser feita é qual será o Lula que teremos em um quarto governo. Sei que é difícil para o presidente aceitar, mas há uma certa semelhança com o governo de Dilma Rousseff, quando foi feito um grande esforço para vencer a eleição, estourando as contas de uma maneira espetacular. A situação atual do Brasil requer muito mais um governo do estilo Lula 1, do que do Lula 3 ou da Dilma. Não tem como tapar o sol com a peneira.

Tudo indica que o adversário de Lula na eleição será o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O que se pode esperar de um eventual governo dele?
O que se pode levar em conta é o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que foi imensamente problemático, a começar pela própria questão da sobrevivência da democracia, para mim inegociável. Seu pai trouxe um economista liberal para o governo, mas ele próprio não é um liberal, nem do ponto de vista econômico, nem do político. Aquilo criou várias tensões que não podemos esquecer. Foi um governo que não apoiou vacinação, facilitou a venda de armas e munições e não esteve à altura dos desafios sociais do país.

Recentemente, o senhor afirmou que romper a polarização política é essencial para o país voltar a crescer. Há condições de surgir uma terceira via nesta eleição?
Entre os nomes mais conhecidos, eu diria que os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema talvez pudessem oferecer respostas que contassem com o apoio do Congresso para tirar o Brasil dessa situação. Quero crer que um Congresso que, apesar de alguns traços ideológicos confusos, pode ser visto como de centro-direita se sentiria mais responsável pelo país ao trabalhar com um governo da mesma linha política.

Em março, o senhor declarou apoio à pré-candidatura de Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul. Sem ele na corrida eleitoral, o senhor pretende apoiar outro nome?
Não pretendo. Eu me expus muito nos últimos anos e não me arrependo. Sou partidário de procurar o melhor voto possível para o Brasil. Eu tenho votado na linha original do PSDB, onde eu a encontrar. Sou um pouco órfão daquele PSDB histórico, pois é o que representava a melhor chance de o país se desenvolver e oferecer mais oportunidade a todos. O governador Eduardo Leite certamente de o país se desenvolver e oferecer mais oportunidade a todos. O governador Eduardo Leite certamente se apresentava nessa linha geral. O governador Caiado tem um histórico mais conservador, mas fez um governo de qualidade em Goiás. Pode ser uma boa opção.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente entrevista de Armínio Fraga, que conhece economia bem melhor do que qualquer petista, especialmente o ex-ministro Fernando Haddad, que apoiou a irresponsabilidade de Lula e endividou o país de uma forma muito perigosa, que tem de ser contida pelo próximo governo. Mas isso só acontecerá se Caiado vencer, porque Flávio Bolsonaro é tão despreparado e irresponsável quanto Lula. Eis a questão. (C.N.)

Trump dá sinais de desequilíbrio mental e pode sofrer processo de impeachment

Portal Panorama | Arcoverde e região | O presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump, voltou a provocar repercussão internacional ao sugerir que a  Venezuela poderia se tornar o... | Instagram

Especialistas em doenças mentais estão preocupados

Roberto Nascimento

Donald Trump voltou com tudo na política de tarifação, com decisões sem pé nem cabeça, que já foram refutadas pela Suprema Corte, mas ele insiste em aumentar as alíquotas, com base na interpretação de uma outra lei, criando uma confusão dos diabos.

Seus tarifaços não têm base legal nem lógica, porque atingem inclusive os países que são deficitários no comércio externo com os Estados Unidos, que é justamente o caso do Brasil.

DEMÊNCIA – Trump chegou à presidência acusando de demente seu antecessor Joe Biden, que tinha 81 anos e era o presidente mais velho do mundo. Porém, o castigo veio a cavalo, porque agora é Trump está a caminho dos 81 anos, tomando decisões radicais que colocam em dívida sua saúde mental.  

Ele tenta levar os EUA a se tornar uma autocracia. Só quem manda é ele, como uma nova espécie de Nabucodonosor laranjão. O nível de desaprovação a seu governo só faz aumentar, mas ele mantém a enlouquecida estratégia.

Na política externa, prometeu, mas não conseguiu acabar com a guerra na Ucrânia. Além disso, apoiou prazerosamente a destruição da Palestina por Israel, com mortandade de civis, incluindo crianças, mulheres e idosos. E continua atacado o Irã, numa selvageria realmente incomum.

ELEIÇÕES À VISTA – As decisões radicais e destrambelhadas do presidente americano são incentivadas pela necessidade de vencer as eleições parlamentares de novembro, para dar seguimento à administração. Sem apoio do Congresso, nenhum presidente americano conseguiu conduzir os mandatos sem problemas de governabilidade.

O Comércio mundial virou uma bagunça depois dos tarifaços de Trump, que a Suprema Corte anulou, inutilmente, porque seu governo alega ter encontrado uma brecha jurídica para alterar as tarifas sem aprovação do Congresso.

Parece que o ogro deseja o caos no mundo, e nenhum país está seguro diante dele, que já invadiu a Venezuela e quer dominar a Groelândia, o Canadá e o Oriente Médio.

INSANIDADE – O fato concreto é que Trump dá sinais de problemas mentais. “É nossa opinião profissional, baseada em avaliações anteriores e contínuas, que o estado mental de Donald Trump se deteriorou ainda mais desde nossa declaração de 2024”, começa a carta que um grupo de médicos e pesquisadores da área da saúde entregou ao Congresso em 30 de abril deste ano, reafirmando advertência feita em 2024,.

Os especialistas alertam “para o fato de que o presidente dos EUA representa um perigo crescente para a população”. O documento foi assinado por psiquiatras, neurologistas, psicólogos e especialistas em saúde pública e mental ligados a universidades prestigiadas, como Harvard, Columbia e George Washington.

Cabe ao Congresso aprovar o impeachment, mas isso depende das eleições de novembro. Historicamente, nenhum presidente dos EUA foi destituído, Andrew Johnson (1868), Bill Clinton (1998) e Donald Trump (em 2019 e 2021) sofreram  impeachment na Câmara, mas acabaram absolvidos no Senado. Richard Nixon renunciou em 1974 antes que a Câmara votasse seu processo. Vamos aguardar.

A extraordinária viagem poética de João de Aquino e Paulo César Pinheiro

João de Aquino – Wikipédia, a enciclopédia livre

João de Aquino, grande compositor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta carioca Paulo César Francisco Pinheiro é considerado um dos maiores autores da canção popular do Brasil, cuja obra ultrapassa 2 mil músicas compostas, entre as quais, “Viagem”, considerada uma das mais bonitas músicas brasileiras, uma parceria com o célebre violonista João de Aquino (1945/2022), sem amigo de infância.

Vale ressaltar, que Paulo César Pinheiro escreveu a belíssima letra de “Viagem” aos 15 anos e Aquino tinha 19 anos. A música foi gravada por Marisa Gata Mansa, em 1972, produção independente.

VIAGEM
João de Aquino e Paulo César Pinheiro

Óh tristeza, me desculpe
Estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar.

Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe, lá do fim do mar.

Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas vai escondida
Querendo brincar.

Senta nesta nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas
Minha poesia, dançam nossa valsa
Pelo céu que um dia
Fez todo bordado de raios de sol.

Oh poesia, me ajude
Vou colher avencas, lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza de jardins-do-céu

Mas pode ficar tranquila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela-guia
Num clarão de lua quando serenar.

Ou talvez até, quem sabe
Nós só voltaremos no cavalo baio
O alazão da noite
Cujo o nome é raio, é raio de luar.

Lula defende mais investimentos nas Forças Armadas diante de “loucos” que querem guerra

A democracia está diante da ameaça do avanço dos políticos autoritários

O tarifaço como instrumento de pressão: quando o comércio vira arma política

Charge do J.Bosco (O Liberal)

Pedro do Coutto

A nova sobretaxa anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros representa mais do que uma decisão de natureza comercial. Ao acrescentar 12,5% às tarifas que já incidiam sobre parte das exportações brasileiras, Washington eleva a pressão sobre o Brasil e transforma a relação econômica entre os dois países em mais um capítulo de uma disputa que há muito deixou de ser apenas tarifária.

A medida, que se soma à alíquota de 25% anunciada anteriormente, cria um ambiente de crescente tensão e expõe a fragilidade de uma relação bilateral submetida, cada vez mais, à lógica do confronto político. O argumento apresentado pelo governo norte-americano para justificar a nova cobrança é particularmente controverso.

JUSTIFICATIVA – Segundo a justificativa divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), países afetados pela medida teriam falhado em impor e aplicar de maneira efetiva uma proibição à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. No caso brasileiro, a acusação provocou reação imediata do governo, que considerou a justificativa descabida e sem fundamento.

É preciso, portanto, separar duas coisas. O combate ao trabalho forçado é uma pauta legítima e universal, que deve ser defendida por qualquer democracia. O problema surge quando uma questão de direitos humanos é utilizada como fundamento para uma política comercial unilateral sem que estejam claros os critérios objetivos, as evidências e a proporcionalidade da punição aplicada. A defesa dos direitos trabalhistas não pode ser seletiva, tampouco transformar-se em instrumento de coerção econômica.

A nova tarifa também precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo. A política comercial do governo de Donald Trump tem recorrido sistematicamente às tarifas como mecanismo de pressão sobre parceiros e concorrentes. Nesse modelo, a barreira alfandegária deixa de ser apenas uma ferramenta de proteção econômica e passa a funcionar como instrumento de negociação diplomática e, em determinadas circunstâncias, de pressão política. É justamente aí que está o aspecto mais preocupante para o Brasil.

DESAFIO – Quando tarifas são impostas com justificativas que ultrapassam a esfera estritamente comercial, o país atingido precisa responder com equilíbrio. Não basta reagir com indignação, mas também seria um erro aceitar passivamente uma escalada que pode prejudicar empresas brasileiras, trabalhadores e setores inteiros da economia. O desafio é construir uma resposta que combine firmeza diplomática, proteção aos exportadores e diversificação de mercados.

O Brasil tem razões para questionar a medida. A economia brasileira possui uma relação comercial relevante com os Estados Unidos, mas não depende exclusivamente do mercado norte-americano. O país tem condições de ampliar sua presença na Ásia, na Europa, no Oriente Médio e em outras regiões.

A diversificação, porém, não acontece da noite para o dia. Empresas que construíram cadeias produtivas e relações comerciais ao longo de décadas não conseguem simplesmente substituir um mercado por outro a partir de uma decisão governamental. Por isso, o tarifaço representa um problema imediato, mas também uma oportunidade para o Brasil rever sua estratégia de inserção internacional.

CAUTELA – A resposta brasileira não deveria ser uma guerra comercial movida pela emoção. Retaliações podem ser necessárias em determinadas circunstâncias, sobretudo quando mecanismos multilaterais e negociações bilaterais fracassam, mas precisam ser calculadas. Uma escalada indiscriminada poderia atingir consumidores brasileiros e setores que dependem de produtos, componentes e tecnologias importados dos Estados Unidos. O caminho mais inteligente é combinar diplomacia, direito internacional e política econômica.

O Brasil deve contestar as medidas nos fóruns adequados, negociar diretamente com Washington e, ao mesmo tempo, acelerar uma estratégia de abertura de novos mercados. Também precisa fortalecer sua indústria, agregar valor às exportações e reduzir a dependência de uma pauta baseada predominantemente em commodities. Quanto maior a capacidade brasileira de exportar produtos de maior valor agregado, menor será sua vulnerabilidade diante de decisões unilaterais tomadas por grandes potências.

A nova tarifa, nesse sentido, revela uma contradição importante da política comercial norte-americana. Os Estados Unidos defendem, com razão, padrões elevados de direitos humanos e combate ao trabalho forçado. Mas a credibilidade dessa defesa depende da consistência com que esses princípios são aplicados. Se o argumento humanitário aparece apenas quando serve para justificar barreiras comerciais, sua força moral inevitavelmente diminui.

COMBATE PERMANENTE – O Brasil também precisa fazer sua parte. Não há espaço para negar problemas reais relacionados ao trabalho escravo contemporâneo ou às violações trabalhistas que ainda existem no país. O combate a essas práticas deve ser permanente, independentemente de qualquer pressão estrangeira. Mas reconhecer problemas internos não significa aceitar que outro país estabeleça unilateralmente sanções econômicas sem transparência suficiente sobre os critérios utilizados.

É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre tarifas e passa a envolver soberania. Nenhum país deve ser indiferente às consequências de suas políticas comerciais. Mas também nenhuma nação pode aceitar que relações econômicas sejam utilizadas como instrumento para impor decisões políticas ou interferir em assuntos internos. O comércio internacional precisa de regras, previsibilidade e mecanismos multilaterais de arbitragem. Quando cada potência passa a impor unilateralmente suas próprias condições, o sistema internacional se torna mais instável e imprevisível.

ERROS PERIGOSOS – O Brasil, portanto, precisa evitar dois erros igualmente perigosos: a submissão e o nacionalismo inconsequente. Submissão seria aceitar qualquer medida externa por medo de represálias. Nacionalismo inconsequente seria responder a toda provocação com uma escalada que prejudique a própria economia brasileira. Entre os dois extremos existe uma política externa madura, capaz de defender interesses nacionais sem transformar cada conflito em uma crise permanente.

A nova sobretaxa de 12,5% é um sinal de alerta. Somada à tarifa de 25% anunciada anteriormente, ela amplia significativamente a pressão sobre as exportações brasileiras e mostra que a relação entre Brasília e Washington entrou em uma fase de maior complexidade.

O governo brasileiro precisa compreender que o problema não será resolvido apenas com discursos. Será necessário negociar, contestar, diversificar e proteger. Ao mesmo tempo, é preciso comunicar à sociedade, com clareza, quais setores serão afetados e quais medidas concretas serão adotadas para reduzir os impactos.

INSTRUMENTO DE PRESSÃO – No fundo, a questão central não é apenas quanto o Brasil pagará para vender seus produtos aos Estados Unidos. A questão é até que ponto o comércio internacional continuará sendo regido por regras compartilhadas ou se será progressivamente transformado em instrumento de pressão das grandes potências.

Se prevalecer a segunda hipótese, o Brasil terá de estar preparado. Porque, quando tarifas deixam de ser apenas tarifas e passam a funcionar como armas de pressão política, a resposta de um país não pode ser improvisada. Ela precisa ser estratégica.

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O Brasil faz questão de ser surrealista e conseguiu criar uma esculhambação política verdadeiramente fora de série. Aqui, do lado debaixo do Equador, a quase totalidade os partidos tem dono. São presidentes vitalícios, que vivem às custas da estrutura partidária e não aceitam perder a boca rica, É assim com Valdemar Costa Neto (PL), Gilberto Kassab (PSD), Carlos Lupi (PDT),  Antonio Rueda (União), Ciro Nogueira (PP) e tantos outros.

Há raríssimos casos de partidos sem patronos, como ocorre hoje com o MDB, que pertencia a Ulysses Guimarães, quando viveu seus melhores momentos, depois passou para o domínio de Michel Temer, em sua pior fase, quando era comandado pela chamado “Quadrilhão do MDB” e teve grande destaque na Lava Jato, mas depois parece não ter mais dono, pois Baleia Rossi ainda não se comporta assim.

MAIOR DE TODOS – Um dos casos mais estranhos é o do Partido Liberal.  Foi criado em 1985 pelo então deputado federal Álvaro Valle, um dos raros intelectuais do Congresso, que teve uma carreira limpa e jamais foi acusado de corrupção. Ele aproveitou o fim do regime militar e fundou seu próprio partido, por ele comandado até sua morte, em 2000.

Valle foi sucedido por Valdemar Costa Neto, um deputado paulista eleito por Mogi das Cruzes e outros redutos do interior. Sob seu comando, o PL perdeu importância e acabou se fundindo com o Prona, de Eneás Carneiro, em 2006, quando virou Partido da República.

Com a morte de Eneas, a fusão se desfez. Valdemar Costa Neto recriou o PL e assumiu a presidência do partido, até ser preso em dezembro de 2013, condenado a 7 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no julgamento do Mensalão.

PENA PERDOADA – Menos de um ano depois, em novembro de 2014, passou para o regime domiciliar, obteve perdão da pena em 2018, quando recuperou os direitos políticos e reassumiu o comando do PL, que se tornara um partido pequeno, sem a menor expressão. Mesmo assim. foi escolhido por Jair Bolsonaro para sair candidato, venceu a eleição e desde então é o maior partido do país.

Oito anos depois, o PL tem candidato a presidente, mas Valdemar Costa Neto não está nada satisfeito. Ele sabe que Flávio, se for eleito, vai usar seu poder para garantir que o clã  Bolsonaro assuma o comando do partido. Sentindo-se ameaçado, o presidente do PL passou a fazer o possível e o impossível para evitar que Flávio Bolsonaro vença a eleição, vejam a que ponto chega a desfaçatez dessa gente.

GUERRA SURDA – É uma guerra por baixo do pano, que transcorre nos bastidores.  Costa Neto não aceita ser expurgado da presidência do PL. Embora esteja cada vez mais rico pelo desvio de recursos do partido, ele sabe que perderá totalmente a importância e se tornará um Valdemar como outro qualquer.

Nesta semana, em entrevista à CNN, ele reclamou que Bolsonaro lançou a candidatura do filho sem consultar o PL, acrescentando que o senador Flávio não estava preparado para ser candidato e não dispunha de uma estrutura pré-organizada.

Disse também que a cúpula do partido avaliou que a situação somente passou a ser “equacionada” meses depois, através do coordenador de pré-campanha, Rogério Marinho.

MAIS UMA – Nesta quinta-feira, dia 24, o presidente do PL deu mais uma porretada em Flávio Bolsonaro. Em entrevista à coluna de Bela Megale, em O Globo, Valdemar Costa Neto apoiou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo, de abrir inquérito para investigar o financiamento do filme Dark Horse, que teve o banqueiro Daniel Vorcaro com maior patrocinador.

— É bom que apure para que tudo fique esclarecido. Acho importante a iniciativa — disse à coluna, relatando que, antes do áudio vir à tona, Flávio Bolsonaro havia garantido não ter tido contato algum com Vorcaro, o que foi desmentido, pois o banqueiro lhe forneceu R$ 61 milhões.

Ainda não satisfeito, o presidente do PL também comentou a contratação do escritório de Flávio por uma empresa ligada ao Banco Master, que pagou R$ 500 mil ao senador. Disse não saber o motivo do “pagamento”.

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P.S. 1 –
Em tradução simultânea, está claro que o presidente do PL resolveu trabalhar contra Flávio Bolsonaro, que jamais se preocupou em se aproximar do presidente do partido e agora está na alça de mira dele. Se Flavio não fechar imediatamente um acordo com Valdemar Costa Neto, sua candidatura vai literalmente para o brejo. (C.N.)

Sem Michelle na convenção, Flávio aposta em novos gestos para reconstruir aliança

Em matéria de hipocrisia, Michelle e Flávio se igualam num espetáculo bem ordinário

Michelle curte post em apoio a Tarcísio e Flávio retruca com indireta

Dona Michelle e Flávio encenam uma ópera bufa

Vicente Limongi Netto

Nova empulhação pública do nefasto clã Bolsonaro. Escrevo com o dedo no nariz, para a podridão da falsidade entre as duas hienas não entrar nos teclados do computador. Juras de amor eterno entre Flávio Rachadinha e dona Michelle.

“Era o que faltava”, exclama aliviado Valdemar Costa Neto, o dono do cofre do Partido Liberal. Sim, faltava continuar alimentando a ordinarice do clã Bolsonaro.

ÓPERA BUFA – Em Brasília, candidata ao governo, Celina Leão também tenta brilhar no engodo. Sorridente, com calças jeans, garante que foi ela quem convenceu Michelle a fazer as pazes com o enteado.

A troca de áudios cretinos, com juras de paz, não passa de ópera bufa. Não é nada, não é nada, não é nada mesmo. Apenas mais um engodo bolsonarista, atraído pelo poder a qualquer custo.

Michelle perdoa Flávio, depois de humilhada por ele, como ela mesmo disse. Duro saber qual o mais cretino. Tudo pelo poder.  Os canastrões envolvidos na farsa da pantomima pensam com os pés, achando que o eleitor é imbecil. Como são todos eles.  Com firma carimbada em cartório. Michelle e Flávio levaram para a internet mais um patético espetáculo de hipocrisia e canalhice. Em outubro pagarão caro nas urnas.

Datafolha: Lula tem 48% das intenções de voto no 2º turno; Flávio, 43%

Deputado italiano diz que Zambelli espera eleição de Flávio para voltar ao Brasil

Bonelli denunciou paradeiro de Zambelli em 2025

Deu no O Globo

O deputado italiano Angelo Bonelli, que informou às autoridades do país o endereço da ex-deputada Carla Zambelli (PL), no ano passado, quando a parlamentar chegou a ser presa pela Interpol, afirmou na última quarta-feira que, atualmente, ninguém sabe onde ela está.

Na avaliação dele, ela estaria esperando as eleições presidenciais brasileiras deste ano, em outubro, na expectativa de que uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa trazê-la de volta.

ANISTIA – “A última vez que a Carla Zambelli foi vista em público foi numa igreja em Roma, num encontro de apoio a ela”, disse Bonelli, durante agenda na Câmara Municipal de São Paulo, conforme divulgado pelo portal Uol. “Se o (Flávio) Bolsonaro ganhar, pode ser que o governo futuro pense em fazer uma anistia para quem cometeu crime, como a Carla Zambelli”, completou.

Bonelli também mencionou a “responsabilidade pública” da deputada enquanto parlamentar eleita, alegando não ser “uma postura boa” se eximir de cumprir as determinações judiciais do Brasil. “Quando uma pessoa foge da Justiça, não é uma postura boa, especialmente quando essa pessoa tem uma responsabilidade pública”, disse o italiano.

No Brasil, Bonelli, que é ativista ambiental, se reuniu com representantes do Partido Verde (PV) para discutir questões ligadas ao meio ambiente, à sustentabilidade e às mudanças climáticas. Segundo a Câmara Municipal, o encontro foi idealizado pelo vereador Roberto Tripoli (PV).

CULTO NA ITÁLIA –  A última aparição de Zambelli ocorreu no último dia 11, quando ela participou de um culto organizado pelo grupo evangélico brasileiro “Patriotas em Roma”, como mostrou O Globo. Na ocasião, em discurso emocionado no púlpito, ela orou pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.  Em outro momento, Zambelli também agradeceu o apoio dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF), que teriam “cruzado o Oceano Atlântico” para visitá-la na prisão.

“Hoje, graças a Deus, não tenho raiva no meu coração. Eu oro para que Deus tenha misericórdia daquelas almas que hoje fazem injustiça, que prendem e perseguem. Porque, se eles se arrependerem e mudarem o caminho, ainda serão dignos da justiça e salvação de Deus. Que Deus possa fazer milagres na vida de cada um dos presos de 8 de janeiro e na vida do nosso presidente Bolsonaro”, disse Zambelli.

O discurso foi feito divulgado nas redes sociais pelo perfil do grupo religioso e também por Rita Zambelli, mãe da ex-parlamentar e pré-candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo. Segundo ela, o evento se tratava de um “Culto em Ação de Graça” dedicado à liberdade de Carla.

REVOGAÇÃO –  No final de maio, a Corte de Cassação da Itália, o equivalente ao Supremo Tribunal Federal do país europeu, revogou a decisão que havia autorizado a extradição da ex-deputada, que também teve a liberdade concedida.

A decisão foi expedida na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem medidas para efetivar a extradição da bolsonarista, justamente em razão decisão da Corte de Roma favorável ao procedimento.

Ambas as decisões tem relação com a primeira condenação imposta pelo STF a Zambelli, no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em tal processo, a ex-deputada foi sentenciada a dez anos de prisão.

DOIS PROCESSOS – De acordo com a defesa de Zambelli, a decisão da Corte de Cassação abrange os dois processos em que foi pedida sua extradição, atingindo portanto o pedido relacionado à segunda condenação da ex-parlamentar, por por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A deputada bolsonarista, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado, passando pelos Estados Unidos antes de se mudar para o país europeu. Dois meses depois, ela foi presa e afirmou que queria ser julgada na Itália.

Em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de Zambelli, em uma tentativa de preservar seu mandato. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, anulou a votação promovida pelos parlamentares, decretando diretamente a cassação em razão da condenação da bolsonarista à prisão.

Enquanto o processo de extradição corria na Itália, a Justiça daquele País decidiu manter a ex-deputada detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por entender que havia risco de fuga. Segundo o governo brasileiro, caso seja extraditada, a ex-parlamentar ficará presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

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