Patativa do Assaré mandou um recado aos poetas mais cultos e preparados

Cajuina São Geraldo | Hoje celebramos a vida e a história de Patativa do  Assaré, um dos maiores nomes da poesia popular nordestina. Nascido em 1909,  no sítio... | InstagramPaulo Peres
Poemas & Canções

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no seu recado “Aos Poetas Clássicos”.

AOS POETAS CLÁSSICOS
Patativa do Assaré

Poetas niversitário,
Poetas de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá – O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
– Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Deste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lesma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

Redes sociais concentram debate político e ampliam pressão sobre Flávio

PT e aliados acionam TSE contra Flávio Bolsonaro por ataques às urnas

Federação pede multa e remoção de conteúdos

Catia Seabra
Mariana Brasil
Folha

A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, entrou com uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra as informações falsas repassadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acerca das urnas eletrônicas na última terça-feira (21).

Na representação, as siglas pedem a remoção de conteúdos publicados por Flávio em suas redes, bem como aqueles postados por outros nomes da direita. A ação também mira os deputados Julia Zanatta (PL-SC) e Gustavo Gayer (PL-GO), além do ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro.

DECLARAÇÕES – O pedido contra as publicações foi motivado pelas declarações de Flávio em evento com diplomatas, em que o senador afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, o que é falso.

Na representação, também está incluso um pedido para que as principais plataformas de redes sociais vinculadas à Meta, como Instagram, Facebook e X (antigo Twitter), adotem medidas para impedir a veiculação, compartilhamento ou impulsionamento de conteúdo que reitere a associação entre a empresa Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras, ou outras alegações do gênero.

As siglas também pedem que cada um dos envolvidos pague uma multa de R$30 mil por publicação. A acusação é de que Flávio e os demais parlamentares fazem um “movimento articulado de desinformação” contra a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro e a credibilidade da Justiça Eleitoral.

DESORDEM INFORMACIONAL – Ainda no pedido, as siglas dizem que não buscam, nesse primeiro momento, uma investigação quanto ao abuso de poder político e midiático por parte dos representados. A representação alega que os parlamentares têm potencial para provocar uma “desordem informacional” contra os mecanismos de eleição brasileira.

Na representação dos partidos, está listada uma série de publicações e redes sociais dos parlamentares em que eles endossam os ataques às urnas ou fazem a associação equivocada entre os equipamentos brasileiros e a Smartmatic.

No evento com diplomatas realizado na terça em Brasília, Flávio repetiu um episódio semelhante do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado no processo da trama golpista.

PRECEDENTE – Entre os precedentes apontados na ação, Federação cita o caso em que Bolsonaro se reuniu com embaixadores na residência oficial da Presidência, o Palácio da Alvorada, para apresentar acusações sem provas contra a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. “O paralelo com os fatos ora denunciados dispensa maiores esforços argumentativos, tamanha a sua evidência”, diz trecho da representação.

Diante da plateia estrangeira, o presidenciável afirmou que, segundo um relatório da CIA divulgado na semana passada, a Smartmatic estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. A agência de inteligência dos EUA diz que a ideia era alterar votos por meio da programação das urnas.

NOTA – Após o episódio, a Folha procurou a assessoria do senador, que afirmou que ele “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”. Horas depois, a campanha divulgou outra nota, afirmando que “não é verdade” que o pré-candidato tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil e que ele se limitou a relatar fatos públicos, como o relatório da CIA.

“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro'”. A nota também diz que ele reafirma “sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.

PP decide ficar neutro e frustra tentativa de Flávio de atrair Centrão

Entre a reação e a prudência, o Brasil precisa defender seus interesses

Brasil evita uma retaliação imediata ao tarifaço

Pedro do Coutto

A decisão do governo brasileiro de não responder imediatamente às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos com uma retaliação equivalente é, antes de tudo, uma escolha de estratégia. Em um cenário de crescente tensão comercial, reagir por impulso pode produzir um efeito político imediato, mas não necessariamente protege os interesses econômicos do país.

O desafio de Brasília é mais complexo: enfrentar uma medida que atinge parte relevante das exportações brasileiras sem transformar uma disputa tarifária em uma guerra comercial capaz de ampliar ainda mais os prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.

PERSPECTIVA – O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem insistido justamente nessa perspectiva. A nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos atinge uma série de produtos brasileiros, embora importantes setores tenham ficado de fora da medida.

Café, carne bovina e produtos aeronáuticos, por exemplo, estão entre as exportações preservadas das novas tarifas, enquanto segmentos como máquinas, móveis, calçados, açúcar, etanol e outros bens industriais enfrentam um cenário mais difícil de acesso ao mercado americano.  Segundo estimativas divulgadas pelo governo brasileiro, cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, equivalentes a aproximadamente US$ 7 bilhões, podem ser afetadas.

A dimensão do problema, portanto, não pode ser minimizada. Uma tarifa de 25% representa um aumento significativo do custo de entrada dos produtos brasileiros no mercado americano. Em setores nos quais as margens já são estreitas e a concorrência internacional é intensa, o impacto pode ser suficiente para reduzir vendas, provocar desvio de comércio e obrigar empresas a buscar rapidamente novos mercados. A indústria de calçados, por exemplo, já revisou para baixo suas perspectivas de exportação diante das dificuldades impostas pelo novo cenário.

CAUTELA – É nesse ponto que a cautela defendida por Alckmin ganha relevância. O Brasil dispõe de mecanismos jurídicos e comerciais para reagir. A Lei da Reciprocidade Econômica foi criada justamente para permitir respostas a medidas consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. Mas ter um instrumento à disposição não significa que ele precise ser utilizado imediatamente ou da maneira mais contundente possível.

Uma retaliação automática poderia desencadear uma sequência de novas barreiras. Washington poderia responder com novas tarifas, o Brasil reagiria novamente e, em pouco tempo, empresas que nada têm a ver com a disputa política estariam pagando a conta. Em uma guerra comercial, governos anunciam medidas, mas são os produtores que enfrentam a perda de mercados e os consumidores que, em muitos casos, absorvem parte do aumento dos preços.

A experiência internacional mostra que tarifas raramente são uma solução simples. Elas podem proteger determinados setores em circunstâncias específicas, mas também elevam custos, alteram cadeias de fornecimento e criam incerteza para investimentos. O próprio governo brasileiro argumentou, durante as negociações, que medidas amplas contra produtos brasileiros poderiam gerar custos também para empresas e consumidores americanos, especialmente nos segmentos em que não existem substitutos nacionais competitivos em quantidade suficiente.

NEGOCIAÇÕES – Isso não significa, porém, que o Brasil deva aceitar passivamente a decisão americana. Prudência não é sinônimo de inação. O governo brasileiro tem mantido negociações com Washington e, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, foram realizadas mais de 30 reuniões entre as partes desde o início das investigações relacionadas à Seção 301. Brasília também contesta a justificativa das medidas e sustenta que elas não encontram respaldo suficiente nas regras multilaterais de comércio.

O caminho mais inteligente, portanto, parece estar entre dois extremos igualmente problemáticos: a submissão e a escalada. O Brasil precisa continuar negociando, mas sem abrir mão de seus interesses. Deve recorrer aos mecanismos da Organização Mundial do Comércio quando houver base jurídica para isso, preservar a possibilidade de aplicar medidas de reciprocidade e, ao mesmo tempo, ampliar sua estratégia de diversificação comercial.

Essa última frente talvez seja uma das lições mais importantes da crise. Quanto maior a dependência de um único mercado, maior a vulnerabilidade diante de decisões políticas tomadas fora do país. O Brasil tem uma pauta exportadora diversificada e relações comerciais relevantes com China, União Europeia, países da América Latina, Oriente Médio e outras regiões. A abertura de novos mercados não acontece de um dia para o outro, mas o episódio com os Estados Unidos reforça a necessidade de uma política comercial que não dependa excessivamente de qualquer parceiro individual.

CONTEXTO POLÍTICO – Há ainda uma dimensão política que não pode ser ignorada. O governo brasileiro avalia que as tarifas possuem componentes que ultrapassam a lógica estritamente econômica e estão inseridos em um contexto político mais amplo. A própria Agência Brasil registrou a avaliação de representantes brasileiros de que o tarifaço poderia estar relacionado ao ambiente eleitoral de 2026.

Ao mesmo tempo, autoridades americanas apresentaram justificativas ligadas a supostas práticas comerciais consideradas injustas por Washington. O fato é que a disputa combina comércio, política externa e interesses domésticos, tornando ainda mais delicada qualquer tentativa de resposta simplista.

Nesse ambiente, o Brasil precisa evitar dois erros. O primeiro seria transformar a negociação comercial em uma disputa de orgulho nacional, na qual a demonstração pública de força se sobrepusesse à defesa concreta dos interesses econômicos brasileiros. O segundo seria aceitar qualquer condição para evitar o conflito. Nenhuma dessas alternativas serve ao país.

INSTRUMENTOS DE RESPOSTA – A melhor política é aquela capaz de combinar firmeza e racionalidade. O governo deve negociar enquanto houver espaço para negociação, contestar juridicamente o que considerar abusivo e manter instrumentos de resposta preparados para o caso de as tratativas fracassarem. Ao mesmo tempo, precisa oferecer apoio aos setores atingidos, ajudar empresas a encontrar novos mercados e impedir que os efeitos das tarifas se transformem em desemprego e perda de competitividade.

A questão central não é, portanto, quem reage primeiro ou quem demonstra maior disposição para o confronto. A questão é quem consegue atravessar a crise preservando sua capacidade econômica e sua autonomia estratégica.

DIPLOMACIA –  A decisão de não retaliar imediatamente pode ser compreendida nessa perspectiva. Uma resposta precipitada talvez produzisse manchetes e satisfação política no curto prazo, mas poderia dificultar ainda mais a vida de exportadores brasileiros que dependem do mercado americano. A diplomacia econômica, nesse caso, exige paciência sem ingenuidade: conversar não significa concordar, assim como evitar uma retaliação imediata não significa abrir mão do direito de reagir.

O Brasil precisa deixar claro que deseja o diálogo, mas também que possui alternativas. A negociação será mais eficaz se vier acompanhada de capacidade de resposta, diversificação comercial e segurança jurídica. Em tempos de protecionismo crescente, a força de um país não está apenas no tamanho de suas tarifas de retaliação, mas na capacidade de proteger sua economia sem colocar seus próprios produtores no centro do fogo cruzado.

A prudência, nesse caso, não é fraqueza. É uma forma de estratégia. E, diante de uma disputa que pode se prolongar muito além de uma simples rodada de tarifas, talvez seja justamente a estratégia — e não a retaliação imediata — que melhor preserve os interesses brasileiros.

A irresponsabilidade fiscal não é só do Congresso, mas também do governo

Desprezado por possíveis aliados, Flávio Bolsonaro não consegue unir a direita

Homem de meia-idade com microfone de lapela gesticula durante discurso em fundo verde. Ele veste camiseta preta com mapa do Brasil e texto 'Brasil Sem Medo'.

Flávio Bolsonaro terá menos tempo na TV do que Lula

Hélio Schwartsman
Folha

Finda a Copa começam as eleições. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta problemas. Um forte indício disso é o tempo de TV. A menos que o PL consiga trazer o Republicanos para uma aliança, o Bolsonaro pequeno terá menos espaço no rádio e na TV do que Lula.

Flávio ficará com 4 minutos e 20 segundos por bloco de propaganda contra 5 minutos e 32 segundos do petista. Se Lula não foi capaz de forjar uma aliança que vá além da esquerda, Flávio não conseguiu nem unir a direita, que é majoritária no Congresso.

CAVALO CERTO – A dificuldade do PL para atrair outras legendas se deve a uma grande mudança na paisagem política. Até o início dos anos 2010, fazia grande diferença para um partido apostar no cavalo certo, isto é, no candidato presidencial que se sagraria vencedor.

Integrar a coalizão governista desde o início dava muito mais acesso a ministérios, cargos e verbas. O agigantamento das emendas parlamentares somado ao financiamento público de campanhas mudou o cálculo dos partidos, principalmente o daqueles sem marca ideológica muito saliente.

Para estes, o grande objetivo é fazer cadeiras na Câmara, que é o critério principal para ter acesso aos fundos partidários. E a melhor receita para isso é manter-se neutro para dar aos candidatos a deputado a maior liberdade possível para montar suas parcerias localmente.

QUARTOS SEPARADOS – No Nordeste, por exemplo, pode valer a pena, mesmo para uma candidatura conservadora, estar ao lado de Lula e não de Bolsonaro.

Não chega a ser um divórcio entre Executivo e Legislativo, mas eles passaram a dormir em quartos separados. É uma situação que aumenta os custos da governabilidade. Presidentes até conseguem apoio para seus projetos prioritários, mas precisam negociá-lo caso a caso e com sobretaxa.

Não penso que seja um arranjo muito sustentável, especialmente porque o Parlamento vai abocanhando cada vez mais verbas e comprimindo a parte do Orçamento disponível para investimentos. A exemplo do nó fiscal, é um problema que teremos de abordar mais ou menos logo.

Com apoio de Ciro Gomes e ACM Neto, aumentam as chances de Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado vai ampliar rede de proteção social e deve disputar Presidência em 2026 - Jornal Opção

Aos poucos, Caiado vai conseguindo apoio nos Estados

Carlos Newton

Duas novas pesquisas esquentam a campanha para a Presidência — o instituto AP Exata anunciou que o pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD) está obtendo forte crescimento nas redes sociais, e o Real Time Big Data diz que Caiado venceria Lula no segundo turno por 44% a 43%. E a campanha dele se fortalece também pelo apoio em dois Estados importantes do Nordeste, através de Ciro Gomes (PSDB), que concorre ao governo do Ceará, e de ACM Neto (União Brasil), que disputará o governo da Bahia.

Os dois pré-candidatos a governador se pronunciaram no sábado.  Em evento realizado em Feira de Santana, ACM Neto anunciou que já tem um posicionamento definido quanto à disputa pela Presidência, dizendo que na campanha estará ao lado do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

MELHOR CAMINHO – “Eu não tenho outro caminho que não reconhecer uma história de amizade, de parceria e de longa construção política com Ronaldo Caiado. Por isso, essa é a minha posição”, disse o ex-prefeito de Salvador.

Ao justificar a escolha, ACM Neto disse respeitar a posição de correligionários, que já se decidiram por Flávio Bolsonaro, do PL, mas prefere apoiar Caiado, que inclusive escolheu Salvador para lançar sua pré-candidatura, no início do ano.

Por sua vez, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará, também afirmou que pensa em apoiar Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) para o cargo de presidente da República.

DISSE CIRO – Em entrevista a um portal de notícias, durante evento agropecuário Expocrato, em Cariri, Ciro disse que iria apoiar Aécio Neves por serem do mesmo partido. Porém, com a desistência de Neves, deve apoiar Caiado ou Renan, sem fazer qualquer menção à possibilidade de votar no senador Flávio Bolsonaro, do PL

“Eu, por exemplo, me dou muito bem com Ronaldo Caiado, votaria nele sem nenhuma dificuldade”, disse Ciro Gomes, que também elogiou Renan Santos, apesar de fazer reparos a alguns exageros dele.

Animado com a declaração de Ciro Gomes, o pré-candidato Caiado disse que vai procurá-lo nos próximos dias, para agradecer seu apoio e se comprometer a fazer campanha por ele no Ceará.

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P.S.
– Para se ter uma ideia do crescimento de Caiado nas redes sociais, a pesquisa da AP Exata comprovou que no domingo passado, dia 12, o pré-candidato do PSD tornou-se o segundo nome mais citado nas redes entre os presidenciáveis, com 26,2% do volume de menções, atrás apenas de Lula, com 34,3%, e à frente de Flávio, que registrou 25,6%. Na média dos cinco dias pesquisados, o grande destaque foi o crescimento do volume de menções a Caiado, que subiu de 2,85% para 15,57%, com aumento de 446,3%. Isso significa que Caiado pode se consolidar como o menos pior, porque eleger Lula ou Flávio é uma escolha verdadeiramente nauseante.  (C.N.) 

Flávio articula encontro com Milei antes de oficializar candidatura ao Planalto

Piada do Ano! Indiciados no caso da Abin paralela ainda comandam a agência

Escritório de Flávio recebeu R$ 500 mil de empresa ligada a consultoria do Banco Master

Senador afirma que prestou ‘serviços advocatícios’

Eduardo Gonçalves
O Globo

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, foi contratado por uma empresa ligada a uma consultoria que recebeu repasses do Banco Master. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles e confirmado pelo O Globo. O parlamentar afirmou nas redes sociais que a relação é “completamente legal e privada”.

A banca que tem o presidenciável como sócio recebeu R$ 500 mil da Contábil Correa pelo serviço de “assessoria jurídica”, de acordo com uma nota fiscal emitida em 9 de abril de 2025. A empresa de contabilidade, por sua vez, tem como único sócio o empresário Rogério Lourenço Novo, que é diretor da consultoria de gestão empresarial Copenhagen.

REPASSE – Documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado mostram que o Master repassou R$ 57,9 milhões à Copenhagen entre 2024 e 2025. Não há no material em poder do colegiado informações sobre as datas exatas dos pagamentos.

O escritório de Flávio também emitiu duas notas fiscais totalizando R$ 1 milhão para a Copenhagen, em 7 de abril de 2025, mas elas foram canceladas. De acordo com o senador, a contratação não chegou a ser efetivada.

A Copenhagen foi criada como uma sociedade anônima fechada em novembro de 2024, com capital inicial de R$ 40. Segundo documentos da Junta Comercial de São Paulo, a empresa passou a ser dirigida por Lourenço em setembro de 2025. Ao Metrópoles, ele disse que usou a consultoria para contratar o escritório de Flávio para prestar serviços aos clientes da empresa de contabilidade. Procurado, ele não se manifestou.

NEGOCIAÇÃO – Flávio reconheceu nas redes sociais que atuou para a Contábil Correa e que chegou a negociar com a Copenhagen. Ele afirmou que é alvo de tentativas de “vincular falsamente” seu nome ao Master.

— Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por (Daniel) Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Cancelei duas notas fiscais — disse o presidenciável.

DARK HORSE – A relação dele com o Master ficou em evidência em maio, quando foram reveladas mensagens em que ele negociava com o banqueiro Daniel Vorcaro pagamentos para a realização do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Planilhas obtidas pelo portal Intercept indicam que ao menos R$ 61 milhões foram pagos para a produtora responsável. Uma investigação sobre supostas irregularidades no financiamento está em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.

Flávio se formou em direito pela Universidade Cândido Mendes, no Rio, e acumula a função de senador com a de advogado e empresário. Parte do trabalho dele se concentra no Superior Tribunal de Justiça, onde já assinou petições em pelo menos dez processos.

Entre elas está um pedido de habeas corpus que pedia o trancamento de uma ação penal contra dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”. Em outro caso, ele defendeu quatro policiais militares acusados pelos homicídios de quatro homens em uma tocaia na favela do Vidigal, Zona Sul do Rio, ocorrida em 2020.

Caiado ironiza green card e chama Eduardo Bolsonaro de “Pateta da política brasileira”

Michelle evita convenção de Flávio e deixa candidatura ao Senado em aberto

Cotada para vice de Flávio, Daniella Marques tenta conquistar a Faria Lima

TSE define limite de gastos e presidenciáveis terão até R$ 133 milhões no 2º turno

Eduardo chama Michelle de imatura e defende união em torno de Flávio

Ex-deputado critica postura da ex-primeira-dama

Letícia Pille
O Globo

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) classificou como “imatura” a decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de divulgar um vídeo com críticas ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao portal Metrópoles nesta terça-feira, Eduardo afirmou que a madrasta “jamais” deveria ter tornado público o conflito e defendeu que divergências familiares sejam resolvidas internamente.

— Essas disputas internas infelizmente vieram a público. Acho que demonstra até uma imaturidade (da Michelle). (…) Foi uma imaturidade da Michelle. Ela jamais poderia ter feito aquele vídeo. Esses assuntos eu não vou mais comentar para não dar pano para a manga. É internamente que a gente resolve esse tipo de coisa — disse.

DESGASTE – O vídeo publicado por Michelle há cerca de um mês, em que ela disse ter sido maltratada pelo enteado mais velho, abriu um novo flanco de desgaste para a pré-campanha presidencial do senador ao expor publicamente uma disputa interna do bolsonarismo.

A crise teve início durante as negociações em torno da candidatura do PL ao Senado no Ceará. Michelle defendia a vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas e vice-presidente nacional do PL Mulher, enquanto Flávio conduziu as articulações que resultaram no apoio do partido à candidatura de Alcides Fernandes (PL-CE), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE).

Inconformada com o desfecho das negociações, Michelle publicou um vídeo acusando aliados de Flávio de trabalharem para retirar Priscila da disputa e questionou diretamente a condução política do enteado.

SAÍDA DA PRESIDÊNCIA – Dias depois, a ex-primeira-dama anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. Embora tenha atribuído a decisão à necessidade de dedicar mais tempo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, e à filha Laura, aliados dos dois lados reconhecem que a crise acelerou seu afastamento do comando do segmento feminino do partido e aprofundou o racha dentro do bolsonarismo.

Na entrevista, Eduardo também buscou minimizar os impactos políticos do episódio sobre a candidatura presidencial de Flávio. Segundo ele, a principal oscilação enfrentada pelo senador ocorreu em razão do caso envolvendo o filme “Dark horse” e o banqueiro Daniel Vorcaro, e não por causa do embate com Michelle.

— O Flávio já se recupera daquela oscilação que ele teve para baixo com relação ao “Dark horse”, não com relação à Michelle. E eu acho que vamos chegar com cada vez mais gente apoiando o Flávio.

“UNIÃO” – O deputado também afirmou que a candidatura do irmão vem atraindo legendas de centro e disse acreditar que o campo da direita chegará mais unido à disputa eleitoral, embora tanto a federação União-PP quanto o Republicanos, principais legendas do centro, não tenham embarcado na candidatura.

— Acho que todo mundo tem esperança que essa eleição seja mais à direita. Inclusive os partidos de centro têm se aproximado de Flávio Bolsonaro.

APELO – As declarações de Eduardo ocorrem em meio aos esforços do PL para reduzir a temperatura da crise. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, chegou a fazer um apelo público por unidade ao afirmar que a direita precisa “se entender melhor” para vencer as eleições e pediu “paciência” aos aliados diante das divergências internas.

Também nos últimos dias, a campanha de Flávio passou a orientar o senador a evitar referências públicas ao conflito. Em agenda realizada no Ceará, estado onde teve início o racha, aliados recomendaram que o presidenciável concentrasse seus discursos em temas como segurança pública, economia e propostas voltadas ao eleitorado feminino, deixando a disputa com Michelle fora dos holofotes

Michelle se arrisca ao provocar Ciro Gomes, porque a reação dele pode ser fatal

MAIS UMA ALFINETADA DE MICHELLE BOLSONARO 🗣️🇧🇷 A ex-primeira-dama  Michelle Bolsonaro criticou declarações de Ciro Gomes após o pré-candidato  ao governo do Ceará sinalizar apoio a Ronaldo Caiado ou Renan Santos na

Reprodução do site TMC

Vicente Limongi Netto

Dona Michelle pegou pesado nas críticas a Ciro Gomes. Debutando em política, a ex-primeira-dama do Brasil está se sentindo dona do mundo e do verbo. O plano é desbancar o enteado Flávio da disputa.  E ela sai falando pelos cotovelos. Escolheu Ciro como Judas no Ceará. 

Mas é de bom tom não subestimar a inteligência nem a paciência do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes. Não se deve provocá-lo com vara curta. 

Candidato novamente ao governo do Ceará, Ciro tem feito campanha com serenidade e notável educação. Está centrado na campanha. Indiferente a intrigas e insultos.  Mas pode um belo dia explodir. Voltar a ser o Ciro intempestivo dos velhos tempos. Que não tem freios na língua. Vira o capeta.

Por ora, Ciro mostra que aprendeu com a vida. A idade e os cabelos brancos ensinam que grosserias na rinha política não interessam mais aos eleitores amadurecidos.  Significam apenas perdas de votos e tiros nos pés.

ATRÁS DO HEXA – Aos trancos e barrancos, juntando os cacos do vexame da copa de 2026, o Brasil vai novamente em 2030 em busca do hexa. A CBF amarga seus piores momentos com esse grupo de incapazes, amadores e sem qualquer conhecimento de futebol, encastelados na pífia administração da entidade. Esmerados apenas em conversas fiadas e lorotas.

Outro dia li que a entidade, em seu balanço anual, teve prejuízo em 2025 de R$ 180 milhões e previsão para 2026 de R$ 200 milhões.

O saudoso, elegante, inteligente e maior líder do futebol mundial João Havelange jamais teve prejuízos em seus balanços. Também Ricardo Teixeira não tinha prejuízo. José Maria Marin e Marco Polo Del Nero nunca tiveram prejuízos em balanços anuais. Sempre superávit. Todos os cinco títulos  mundiais do Brasil foram conquistados nas gestões deles.  Fico chocado.  Será que esse grupo de incapazes pensa que a CBF é uma estatal? Triste momento.

SEM PALAVRAS – O bom Ignácio virou filme. Próximo dia 30, em circuito comercial, estreia o documentário “Não sei viver sem palavras”, do cineasta André Brandão, homenageando seu pai, o amado, querido e respeitado acadêmico Ignácio de Loyola Brandão.

No dia 31, outro troféu marcante para Ignácio: completará 90 anos de idade. Em conversa com a colunista Alice Ferraz, do “Estadão”, André contou que Ignácio disse a ele “você vai perceber um dia que a fantasia vai te ajudar a vida”. O circuito da estreia abrange Rio, São Paulo, Salvador, Porto Alegre e Araraquara, terra do bom Ignácio.

A belíssima romaria de Renato Teixeira, que emociona quem realmente ama o país 

Renato Teixeira – Wikipédia, a enciclopédia livre

Renato Teixeira, um compositor genial

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor paulista Renato Teixeira de Oliveira, um dos mais destacados cantores da música regionalista, na letra de “Romaria” expressa o desejo por dias melhores, de fartura, povoando a mente do fervoroso homem do campo, que com fé luta contra as adversidades de sua dura e solitária rotina.

A música “Romaria” foi gravada por Elis Regina no LP Elis, em 1977, pela Philips, tornando-se rapidamente sucesso em todo o país.

ROMARIA
Renato Teixeira

E de sonho e de pó
O destino de um só
feito eu perdido em pensamentos
sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De gibeira ou jiló
dessa vida cumprida a sol

Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida

O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
meus irmãos perderam-se na vida
a custa de aventuras
Descasei, joguei
investi, desisti
Se há sorte eu não sei nunca vi.

Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida

Me disseram porém
que eu viesse aqui
pra pedir em romaria e prece
Paz nos desaventos
Como não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar

Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida

Zema nega convite a Michelle Bolsonaro após reação da ex-primeira-dama

Hipótese foi levantada por Zema durante um evento

Rafaela Gama
O Globo

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) negou que tenha feito um convite para que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ocupasse a vice em sua chapa presidencial neste ano, depois de ela também descartar publicamente a hipótese de uma composição. Como mostrou O Globo, a possibilidade de os dois caminharem juntos também provocou irritação entre integrantes da cúpula do PL, abrindo uma nova frente de atrito entre bolsonaristas e o mineiro.

— Não mencionei o nome dela, não. Eu fui questionado sobre quem seria a vice, o jornalista citou o nome dela e eu falei que era uma possibilidade. Então, não houve nenhum convite em nenhum momento, mas, diante da pergunta, eu mencionei que sim — disse Zema em conversa com jornalistas durante o cumprimento de uma agenda no Rio de Janeiro nesta terça-feira.

“POSSIBILIDADE” – No comentário, Zema fez referência a uma declaração dada por ele no último final de semana, durante um evento do Novo em São Paulo. Na ocasião, ele colocou Michelle como uma “possibilidade” para a vice de sua chapa e disse que seu critério é que o escolhido tenha “ficha limpa”.

Horas depois, Michelle reagiu nas redes sociais e descartou qualquer possibilidade. A ex-primeira-dama afirmou que sequer decidiu se disputará uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal e lembrou que é filiada ao PL, partido que já lançou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência.

— Primeiro, eu não defini se serei candidata nem ao Senado. Portanto, essa proposta não pode sequer ser cogitada (…) Estou filiada ao PL. Um mesmo partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas para os mesmos cargos majoritários. Não há nenhuma possibilidade — ela escreveu.

EFEITOS DA CRISE – Nos bastidores, porém, a discussão foi além da negativa de Michelle. Integrantes da direção nacional do PL afirmam que a fala de Zema foi recebida com forte irritação por ter ocorrido justamente no momento em que o partido tenta reduzir os efeitos da crise entre Flávio e a ex-primeira-dama. A avaliação é que o ex-governador buscou explorar um desgaste interno do bolsonarismo para projetar sua candidatura presidencial.

Interlocutores de Flávio classificam o movimento como “fogo amigo”, uma vez que Michelle jamais participou de qualquer conversa sobre integrar uma chapa presidencial fora do PL e o tema nunca esteve em discussão. Na avaliação desses aliados, Zema alimentou deliberadamente uma especulação sem qualquer fundamento político em um momento de maior fragilidade da relação entre a ex-primeira-dama e o senador.

CRÍTICAS A FLÁVIO – Reservadamente, dirigentes do partido dizem que essa não foi a primeira vez que o mineiro tentou crescer explorando uma crise enfrentada pelo bolsonarismo. A leitura é que o episódio reproduz um comportamento observado em maio, quando Zema endureceu publicamente as críticas a Flávio Bolsonaro após a divulgação das conversas do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Na ocasião, o ex-governador classificou como “imperdoável” a conduta de Flávio e passou a explorar o episódio nas redes sociais. A reação foi imediata. Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro acusaram Zema de oportunismo e o episódio aprofundou o desgaste entre o PL e o sucessor do presidenciável do Novo em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD).

Piada do Ano! Lula descarta, por ora, retaliar os EUA após novo tarifaço…

Brasil aposta em negociação com os EUA

Gabriela Echenique
Folha

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse a empresários que o governo não deve lançar mão da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, ao menos por ora. Em encontros realizados nesta terça-feira (21), o ministro disse que o governo brasileiro voltará para a mesa de negociação, mas admitiu ver como improvável um avanço no processo.

Participaram das reuniões associações que representam os setores de máquinas, calçados, veículos e plástico, por exemplo. Rosa defendeu insistir nas negociações com os EUA e disse ter ouvido do presidente Lula (PT) que é preciso negociar por pior que seja o desaforo.

ESTRATÉGIA – A avaliação de integrantes do governo brasileiro e de empresários é que a gestão Trump quer que Lula adote medidas recíprocas para escalar a crise, que se tornou mais política do que comercial. Por isso, alguns setores do governo defendem esperar a poeira baixar e pensar em alternativas antes de acionar a Lei da Reciprocidade.

Na reunião, Rosa disse também acreditar que os Estados Unidos não vão mais ampliar a lista de exceções da tarifa de 25%, mas afirmou que a boa notícia é que o parque industrial brasileiro é resiliente e consegue diversificar mercados. Ele, inclusive, disse que vai à Índia e questionou os setores se eles estariam dispostos a negociar com o país asiático.

Os empresários saíram otimistas do encontro. Mesmo diante das incertezas na relação com os EUA, viram disposição do governo em ajudar os mais afetados. “Estamos otimistas com a adoção de medidas do governo para melhorar a competitividade das empresas, principalmente no programa Brasil Soberano”, disse José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.