No desespero, Tariflávio vai recorrer a Trump, num gesto de submissão

30/05/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Vicente Limongi Netto

O candidato Flávio Achocolatado Bolsonaro decidiu chutar o balde, a mesa, o vento e tudo o mais que vier pela frente. Nem tenta esconder o nervosismo. Suas recentes declarações são impulsivas e inacreditáveis.  Insultam o bom senso.  Incontáveis tiros no pé. 

O chute no pau da barraca, desferido por madame Michelle veio agravar e azedar ainda mais o clima no clã. Parece indicar que o desespero bate na porta dos arraiais do bolsonarismo. 

Na aflição, Flávio mandou carta longa e aflita ao governo Donald Trump, pedindo, quase ajoelhado, que adie as novas taxações para depois das eleições, sob pena de Lula vencer o pleito de outubro. Não satisfeito com essa oceânica, deplorável e cansativa patetice, Flávio Rachadinha vai pessoalmente beijar a mão de Trump na próxima semana. É inacreditável.

TORTURAS – As chamadas dos programas medonhos de política no canal GloboNews torturam os ouvidos e a paciência dos assinantes. Duro saber qual o mais chato e desagradável, se o Estúdio 1 ou o Mais.

Outra tortura é ver o apedeuta Paulo Figueiredo, arvorado de guru do Tariflávio Bolsonaro, jogando as patas imundas nas mulheres brasileiras, ao afirmar que não sabem votar. O pobre diabo mora nos Estados Unidos, de onde dispara asneiras contra o Brasil.

Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo (“Prendo e arrebento”) deveria aprender a ser homem e não rato. Ou  seja, tentar honrar as calças que veste.

Aliados admitem que guerra entre Michelle e Flávio Bolsonaro pode não ter fim

Governo Lula apresenta nova proposta aos EUA para barrar tarifaço de Trump

Mulheres da direita articulam ação nos EUA contra bolsonaristas por ataques nas redes

Allan dos Santos é um dos alvos do grupo

Deu no O Globo

Um grupo de mulheres de direita se articula para buscar a Justiça americana contra bolsonaristas que estão nos Estados Unidos. A informação é da jornalista Ana Flor, da GloboNews. De acordo com ela, um dos alvos é o influenciador Allan dos Santos.

O grupo é formado por mulheres conservadoras que atuam na política. Elas entendem que esses nomes do bolsonarismo estão disseminando ataques nas redes sociais contra políticas ou mulheres que se posicionam publicamente sobre temas sociais.

CALÚNIA E DIFAMAÇÃO – Ainda segundo a jornalista, os conteúdos caracterizariam calúnia, difamação e injúria que, na avaliação desse grupo de mulheres, podem ser considerados crimes também nos Estados Unidos.

A articulação se dá após o volume de ataques aumentar com o vídeo de Michelle Bolsonaro contra o enteado, o pré-candidato Flávio Bolsonaro. Entre os alvos mais frequentes, além da ex-primeira dama, estão a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão.

AUMENTO DO TOM –  A escalada da crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro provocou uma frente de ataques ao grupo da ex-primeira-dama no campo da direita. É o que mostra levantamento da consultoria Bites obtido com exclusividade pelo O Globo. Os dados mostram que, desde 27 de junho, três dias após Michelle publicar vídeos em que acusa o enteado de tê-la maltratado, um terço das 300 mil menções nas redes à mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro trazia críticas a ela.

Nos últimos cinco dias, 103 mil posts associavam Michelle a nomes afastados do núcleo de Flávio, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o influenciador Rodrigo Constantino, ou simplesmente a atacavam. Entre as expressões mais utilizadas nas críticas à ex-primeira-dama estão os termos Michelle Firmo, seu nome de solteira, e “Dona Michelle”, com ironia. Nos ataques, ela também é chamada de “traidora” e de “feminista”.

O tom crítico também foi utilizado contra aliadas da ex-primeira-dama, como as senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS), e a governadora do Distrito Federal Celina Leão (PP).

EM DEFESA DE MICHELLE – O levantamento mostra que, em um primeiro momento, após a divulgação de vídeos de Michelle com críticas a Flávio, a acusação de traição não conseguiu emplacar nas redes sociais. Com a repercussão da fala da ex-presidente do PL Mulher entre a esquerda e independentes, a tese bolsonarista ficou escanteada, e nomes da direita como o senador Cleitinho (Republicanos-MG) chegaram a defender a ex-primeira-dama.

As críticas do bolsonarismo à mulher de Jair Bolsonaro ganharam força no último fim de semana e se ampliaram com a saída de Michelle da presidência do PL Mulher. Entre os nomes que optaram por atacá-la ou defender Flávio estão o blogueiro Allan dos Santos, o influenciador Paulo Figueiredo e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

— Os dados mostram que a direita se sente autorizada a atacar Michelle. As publicações do campo bolsonarista trazem, sobretudo, críticas à ex-primeira-dama e a aliadas, que acabam se prejudicando no segmento — afirma André Eler, diretor técnico da Bites.

O relógio corre contra Flávio Bolsonaro, e Michelle amplia a pressão dentro da direita

O bom é ser inteligente, mas sem querer entender, dizia Clarice Lispector

Frases de Clarice Lispector sobre vida, amor e sentimentosPaulo Peres
Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, no poema “Não Entendo”, afirma que na vastidão do conhecimento, é preferível ser inteligente, sem pretender tudo em nossa tão complexa vida.

NÃO ENTENDO
Clarice Lispector

Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Defesa de Bolsonaro abre mão de arma para manter prisão domiciliar

PGR defendeu prisão domiciliar, sem devolução da arma 

Ana Pompeu
Folha

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) voltou a defender ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a manutenção do regime domiciliar, afirmando, inclusive, que o ex-presidente abre mão da arma que tinha para ficar em casa. A defesa também ressaltou os aspectos de saúde do ex-presidente, o relatório policial que reconheceu o registro do equipamento e a manifestação favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República).

A petição foi enviada ao relator nesta quinta-feira (2), um dia depois de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ter defendido a domiciliar, mas sem a arma apreendida com um dos seguranças de Bolsonaro. “O peticionário reitera não possuir qualquer interesse na restituição do armamento apreendido, circunstância já anteriormente informada nos autos e igualmente registrada pela Procuradoria-Geral da República”, disseram os advogados.

NOVO PRAZO – Moraes havia dado novo prazo para a PGR se manifestar, e depois disso, mais 48 horas para a defesa de Bolsonaro se manifestar. Só então o magistrado deve decidir sobre a prorrogação ou não da prisão domiciliar do ex-presidente.

Nesta quarta (1°), Gonet afirmou que o relatório policial concluiu pelo indiciamento de Estácio Leite da Silva Filho, o segurança que portava a pistola, mas afastou a materialidade e o dolo de eventual crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito por parte de Bolsonaro.

Os advogados também afirmam que as conclusões da autoridade policial convergem em grande parte com os argumentos de Bolsonaro. “Os elementos agora produzidos, portanto, apenas reforçam as razões já deduzidas pela defesa na manifestação anteriormente apresentada acerca da inexistência de falta grave, à regularidade do registro da arma e à completa excepcionalidade da situação submetida à apreciação deste Juízo”, disseram.

ALEGAÇÃO – A defesa de Bolsonaro alegou antes ao STF que o percussor da arma foi removido sem que o ex-presidente soubesse —uma decisão da sua equipe de segurança e de sua família para tornar a pistola inoperante e evitar acidentes, já que ele faz uso de medicamentos psiquiátricos que podem afetar a sua cognição e seu estado mental.

A perícia feita na arma, de acordo com a Polícia Civil, constatou após uma série de testes que a pistola estava “apta para efetuar disparos em série”. A arma apreendida na blitz, a 33 quilômetros de onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, era uma pistola Glock de calibre 9 milímetros. Havia também um carregador e 30 munições.

APELO – A defesa do ex-presidente se reuniu nesta terça-feira (30) com Moraes e fez um novo apelo pela prorrogação do período de prisão domiciliar. O prazo venceu no último dia 25 de junho. Como mostrou a Folha, o ministro estava inicialmente disposto a renová-lo por mais 90 dias, mas a apreensão da arma acendeu um alerta no magistrado.

Nas redes sociais, o advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que Moraes ouviu “com muita urbanidade” os argumentos sobre o estado de saúde do ex-presidente e as explicações a respeito da arma. “Tenho que os argumentos trazidos, sobre ambos os tópicos a serem apreciados, são relevantes e encontram-se com fundamentos bastantes para a manutenção do regime domiciliar”, escreveu.

Lula acelera agenda de inaugurações às vésperas do defeso eleitoral

Em apelo aos EUA, Flávio Bolsonaro afirma que tarifaço beneficiará Lula politicamente

Entenda como o PCC e o CV entraram na agenda geopolítica de Trump

EUA anunciam sanções contra pessoas e empresas

Pedro do Coutto

A decisão do governo Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” representa muito mais do que uma mudança de linguagem. Ela sinaliza uma inflexão profunda na política externa e de segurança dos Estados Unidos para a América Latina, colocando o Brasil no centro de uma agenda que ultrapassa o combate ao narcotráfico e passa a integrar os interesses estratégicos de Washington para o continente.

O anúncio foi acompanhado de sanções contra brasileiros e empresas acusados de integrar um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado à facção. Em termos práticos, trata-se da primeira demonstração concreta de uma política que busca ampliar o alcance extraterritorial das autoridades americanas sobre organizações criminosas consideradas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos.

EFEITO POLÍTICO – Embora a dimensão internacional do PCC seja conhecida há anos por autoridades brasileiras, europeias e organismos especializados em crime organizado, o enquadramento adotado pela Casa Branca produz um efeito político muito mais amplo do que o simples reconhecimento da expansão da facção. A mensagem enviada por Washington é clara: o crime organizado latino-americano deixou de ser tratado apenas como problema policial e passou a ser considerado elemento central da estratégia de defesa americana.

Durante décadas, a política externa dos Estados Unidos para a América Latina alternou períodos de maior e menor protagonismo. No segundo mandato de Donald Trump, entretanto, a região voltou ao centro das prioridades estratégicas. O combate ao chamado narcoterrorismo tornou-se um dos pilares dessa nova doutrina, ao lado do controle migratório, da contenção da influência chinesa e da proteção das cadeias logísticas do continente. Nesse contexto, o PCC aparece como o exemplo mais evidente da transformação das organizações criminosas modernas.

ESTRUTURA EMPRESARIAL – Longe de ser apenas uma facção prisional brasileira, o grupo construiu, ao longo das últimas duas décadas, uma sofisticada estrutura empresarial voltada ao tráfico internacional de cocaína, à lavagem de dinheiro, ao uso de criptomoedas, ao comércio exterior e à infiltração em atividades econômicas aparentemente legais.

Investigações brasileiras e internacionais apontam sua presença em diversos países da América do Sul, além de conexões na Europa, África e Ásia, especialmente em rotas destinadas ao mercado europeu de drogas. Esse crescimento explica por que Washington decidiu elevar o tom.

Contudo, seria um erro interpretar a iniciativa apenas como uma resposta ao avanço do PCC. Ela também atende aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Ao classificar organizações criminosas latino-americanas como ameaças diretas à segurança nacional, o governo Trump amplia sua margem jurídica e diplomática para impor sanções financeiras, congelar ativos, restringir operações bancárias internacionais, pressionar governos aliados e intensificar o compartilhamento de inteligência.

JUSTIFICATIVA – Em cenários extremos, essa doutrina também abre espaço para justificar operações mais robustas contra estruturas criminosas que afetem interesses americanos, ainda que tais possibilidades dependam de fatores diplomáticos e jurídicos complexos. É justamente esse aspecto que desperta preocupação em Brasília.

Para o governo brasileiro, o combate ao PCC sempre foi tratado como questão de soberania nacional. A atuação de autoridades estrangeiras sobre organizações criminosas instaladas no território brasileiro inevitavelmente produz debates sobre limites jurídicos, cooperação internacional e autonomia do Estado brasileiro. Ao mesmo tempo, ignorar a crescente internacionalização da facção seria igualmente problemático.

O PCC deixou há muito de operar exclusivamente dentro das fronteiras brasileiras. Seu modelo de negócios acompanha a lógica das grandes redes criminosas globais, conectando produção de drogas, logística internacional, mercados financeiros, empresas de fachada e sofisticados mecanismos de ocultação patrimonial. Essa transformação exige níveis inéditos de cooperação entre governos, polícias, agências de inteligência e autoridades financeiras.

CONTRADIÇÃO – Nesse ponto, surge um paradoxo. Enquanto Washington endurece seu discurso e amplia seu protagonismo regional, o Brasil ainda enfrenta dificuldades estruturais para coordenar uma estratégia nacional integrada contra o crime organizado. A fragmentação entre forças policiais, as diferenças legislativas entre estados, a lentidão de processos judiciais e a elevada capacidade financeira das facções continuam favorecendo sua expansão.

As recentes operações conduzidas por órgãos brasileiros demonstram avanços importantes no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do PCC na economia formal. Entretanto, especialistas reconhecem que organizações desse porte possuem enorme capacidade de adaptação, substituindo rapidamente empresas, operadores financeiros e rotas internacionais sempre que uma estrutura é desmantelada.

MESMO DISCURSO – Outro elemento merece atenção Ao utilizar uma retórica de segurança nacional para justificar sua política hemisférica, Donald Trump também fortalece sua narrativa política doméstica. O combate ao narcotráfico, à imigração ilegal e ao crime organizado integra um mesmo discurso voltado ao eleitorado americano, reforçando a imagem de um governo disposto a enfrentar ameaças externas com instrumentos cada vez mais contundentes.

Sob essa ótica, o PCC torna-se simultaneamente um problema real de segurança pública e um símbolo político útil para sustentar uma estratégia mais ampla de projeção de poder dos Estados Unidos nas Américas Isso não significa que a ameaça representada pela facção seja exagerada. Pelo contrário.

O crescimento internacional do PCC é amplamente documentado por investigações policiais e estudos especializados. O ponto central da discussão reside menos na existência da ameaça e mais na forma como ela será utilizada para redefinir o equilíbrio entre soberania nacional, cooperação internacional e protagonismo geopolítico dos Estados Unidos.

NOVA FASE – A classificação promovida pelo governo Trump inaugura uma nova fase dessa discussão. Se, por um lado, ela pode fortalecer mecanismos internacionais de combate ao crime organizado, por outro amplia o debate sobre até onde Washington pretende expandir sua influência em nome da segurança regional.

O Brasil, maior economia da América Latina e país de origem da organização apontada como principal ameaça criminal do continente, inevitavelmente ocupará posição central nesse novo tabuleiro geopolítico.

Mais do que uma declaração de impacto, a ofensiva americana revela que, no século XXI, organizações criminosas deixaram de ser apenas um desafio para as forças policiais. Tornaram-se variáveis estratégicas da política internacional, capazes de influenciar relações diplomáticas, políticas econômicas e a própria arquitetura de segurança das Américas.

Zebras existem porque 50% das partidas de futebol são vencidas por acaso…

Haaland brilha, Noruega elimina Costa do Marfim e encara o Brasil

Haaland fez gol por acaso; a bola bateu na sua perna e entrou

Hélio Schwartsman
Folha

O ser humano é um bicho esquisito. Como espécie, temos horror ao acaso. Inventamos as religiões precisamente para fingir que ele não existe. Mas, quando se trata de eleger um esporte, a maior parte do mundo civilizado fica com o futebol.

E o que caracteriza o futebol é justamente expor-se muito mais ao acaso do que outros esportes coletivos. É o imponderável que dá sabor à coisa. No basquete, é altamente improvável que um time muito ruim vença um muito bom, mas, no futebol, zebras fazem parte da ordem natural dos acontecimentos.

DRIBLES DO ACASO – Causou frisson em 2013 o lançamento do livro “Os Números do Jogo”, em que Chris Anderson e David Sally, depois de analisar com rigor estatístico um sem-número de partidas, tiram uma série de conclusões interessantes.

Um de seus achados é que, no futebol, o acaso explica 50% dos resultados, deixando os outros 50% para a habilidade dos jogadores e a estrutura tática.

Um jeito prático de ver isso é olhando para os prognósticos em casas de apostas. Ali por volta de 2013, os times favoritos venciam apenas 50% das vezes. No handebol, eram mais de 70%.

GOL É RARO – Vários fatores conspiram para a imponderabilidade. Um dos principais é que o gol é um desfecho raro. Uma partida pode envolver até 4.000 eventos como chutes, dribles, passes, impedimentos. Os gols, normalmente, não passam de três. Quando um time mete quatro, já chamamos de goleada.

Outra forma intuitiva de visualizar isso é observando o desenvolvimento de uma jogada. É raro tudo sair como o armador planejou. Quase sempre, ocorre algum imprevisto, como uma interceptação, um rebote, um passe errado e outras patadas do acaso. É em cima dessa generosa probabilidade que as jogadas se constroem.

Meu palpite é que gostamos do futebol porque ele imita a vida. As características humanas que mais nos interessam também são, pelas metanálises de genética comportamental, o resultado de um complexo jogo de interações entre genes (habilidades?) e ambiente não compartilhado (acaso?) numa razão próxima a 50/50.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGInteressantíssima essa coluna de Hélio Schwartsman. As ponderações impressionaram o craque e analista Tostão, que também escreve na Folha. O estudo de Chris Anderson e David Sally não menciona, mas acredito que nos jogos de Copa do Mundo a influência do acaso caia bastante, embora o gol que classificou a Noruega tenha sido por acaso. A bola bateu no tornozelo de Haaland e entrou. Nas Copas, até agora apenas oito países conseguiram ser campeões: Brasil: 5 títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002); Alemanha: 4 títulos (1954, 1974, 1990 e 2014); Itália: 4 títulos (1934, 1938, 1982 e 2006); Argentina: 3 títulos (1978, 1986 e 2022); Uruguai: 2 títulos (1930 e 1950); França: 2 títulos (1998 e 2018); Inglaterra: 1 título (1966) e Espanha: 1 título (2010). Nesta Copa, 211 países se inscreveram e apenas 48 se classificaram para disputá-la. É impressionante. A Fifa tem mais 18 países-membros do que a ONU, que está com apenas 193 nações. Acredite se quiser. (C.N.)

Valdemar diz que Flávio errou ao procurar Vorcaro após prisão do empresário

Valdemar diz que Flávio foi cobrar parcelas do filme

Duda Romagna
G1

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio Bolsonaro errou ao se encontrar com o empresário Vorcaro mesmo após a prisão dele. Em entrevista à Rádio Gaúcha, nesta quinta-feira (2), o dirigente partidário declarou que o parlamentar “não devia ter ido” procurar o alvo da investigação.

“Quer dizer, não devia ter ido depois? Não devia. Ele reconhece isso”, disse Valdemar. Segundo ele, o encontro ocorreu porque Flávio precisava cobrar parcelas atrasadas para quitar dívidas relacionadas ao filme “Dark Horse”. Valdemar relatou que Vorcaro não havia cumprido o pagamento em andamento e o parlamentar foi “encerrar o assunto”.

TUDO EM ORDEM – Valdemar defendeu a origem da relação financeira. Ele argumentou que, no momento em que Flávio solicitou os recursos inicialmente, o Banco Master e o empresário não eram alvos de investigação. “Estava em ordem. Estava em dia”, declarou.

Apesar da repercussão do caso, o presidente do PL descartou qualquer possibilidade de substituição na chapa e garantiu a manutenção da pré-candidatura de Flávio. “Não passa pela cabeça da gente ele ser substituído de jeito nenhum, ainda mais que ele cresceu uns pontos nessa última semana”, afirmou Valdemar.

O dirigente da sigla ainda declarou que Michelle Bolsonaro não quer participar da campanha de Flávio Bolsonaro e que, talvez, não dispute uma vaga no Senado. Conforme Valdemar, a campanha segue normalmente após uma reunião realizada com Flávio na quarta-feira (1º). “O Flávio está tocando a campanha para frente, a Michelle resolveu sair da presidência do PL Mulher e nós estamos tocando a nossa vida”, disse.

EMBATE –  Na última semana, a ex-primeira-dama publicou um depoimento em suas redes sociais em que diz ter sido maltratada e humilhada por Flávio. Em dois vídeos, Michelle expõe uma briga com Flávio e diz que eles não se falam desde o fim de 2025.

A discussão dos dois envolve a disputa pelo palanque do PL no Ceará, em que o partido tentou se aliar com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) — apoio criticado por Michelle.

A ex-primeira-dama alega que não fez o depoimento com o objetivo de ser candidata no lugar de Flávio Bolsonaro ao rebater “fofoqueiros vazadores” de informação que, segundo ela, dizem que ela ficou incomodada com a escolha do senador como presidenciável.

Aos poucos, o STF tornou-se um tribunal que envergonha o país perante o mundo

Tribuna da Internet | Melhor código de ética para o STF é apenas “tomar vergonha na cara”

Charge do Duke (Arquivo Google)

Carlos Newton

Como acontece em todo órgão colegiado, sempre houve disputas entre grupos de ministros no Supremo Tribunal Federal. Isso ocorre desde sua criação, em 1891, em projeto desenvolvido por Ruy Barbosa, que esteve nos Estados Unidos e se baseou na Suprema Corte norte-americana. Essas divisões são absolutamente normais e democráticas, mas somente existe respeito a opiniões divergentes e a lei é estritamente obedecida.

Nessa já longa trajetória do STF, houve também interferências políticas e ideológicas, como aconteceu na ditadura de Getúlio Vargas e no regime militar de 1964, que foram períodos de exceção.

CORPORATIVISMO – Nos últimos tempos, mesmo em regime democrático, a situação mudou bastante, porque o STF passou a cultivar uma tendência corporativa tão forte que chegou ao ponto de interpretar as leis segundo coordenadas político-partidárias, de acordo com cada situação em julgamento.

Esse corporativismo, que começou lá atrás, na fase da Operação Lava Jato, nada tem de democrático, porque não respeita as leis vigentes e as modifica a bel prazer, mesmo que se trate de norma jurídica de alcance universal.

A primeira infração nesse nível ocorreu em 2019, sob presidência de Dias Toffoli. Para libertar seu amigo Lula, o ministro conseguiu aprovar a proibição de cumprimento de pena de prisão para condenados em segunda e terceira instâncias, um absurdo jurídico que não existe em nenhuma nação da ONU.

LULA LIBERTADO – Dois anos depois, para possibilitar a candidatura de Lula, em 2021 o relator da Lava Jato, Edson Fachin, comandou a anulação de todas as condenações do político petista, sob argumento de que ele não poderia ter sido julgado em Curitiba, pois morava em Brasília à época dos crimes.

O STF criou assim a “incompetência territorial absoluta”, norma jurídica que também não existe em qualquer país das Nações Unidas. E, de lá para cá, os ministros nunca mais pararam de adaptar as leis às suas necessidades.

Recentemente, eles consideram como “terroristas” cerca de 1,6 mil pessoas, que depredaram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 ou se envolveram no planejamento do golpe de estado no ano anterior.

MUITAS ABERRAÇÕES – As decisões do STF foram tão grotescas que estarão para sempre destacadas na História do Direito Universal. São  aberrações inacreditáveis, como considerar que “planejamento” possa significar “tentativa”. Além disso, para aumentar artificialmente as penas, supostos crimes foram duplicados, embora fossem excludentes entre si.

Assim, esses 1,6 mil réus foram condenados simultaneamente por “tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito” e também por “golpe de Estado”, além de “dano qualificado ao patrimônio da União” e “deterioração de patrimônio tombado”, que são crimes excludentes. Ou se pratica um ou o outro, jamais os dois, ao mesmo tempo.

Para culminar, o STF puniu por “associação criminosa armada” cerca de 1,6 mil pessoas que nem se conheciam e jamais portaram armas, à exceção dos militares incriminados pelo planejamento do golpe, embora planejar não constitua crime, repita-se, em nome da verdade.

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P.S.
Surgem perguntas que não querem calar. O que ganharam os ministros e o próprio Supremo com essas aberrações jurídicas? E o que o país ganhou com isso. Nada, rigorosamente nada. Tudo seria fácil e proveitoso se o STF se limitasse a cumprir as leis, com seus ministros lembrando que, ao tomar posse, assumiram o seguinte compromisso: “Prometo bem e fielmente cumprir os deveres do cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com a Constituição e as leis da República”. Palavras, porém, são apenas palavras, e podem sem ser levadas pelo vento. (C.N.)

Com viagem aos EUA, Flávio Bolsonaro tenta conter desgaste e reorganizar campanha

Moraes abre investigação sigilosa após achados em celular de Wassef

Wassef diz que suas prerrogativas foram violadas

Pepita Ortega
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de uma apuração à parte e sigilosa sobre “eventos fortuitos” encontrados no celular de Frederick Wassef, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, em meio ao inquérito sobre as joias sauditas. O ministro deu quinze dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre os supostos achados da Polícia Federal e as “hipóteses criminais” levantadas pelos investigadores.

A ordem para abertura de um procedimento à parte sobre o caso foi assinada na última terça. O órgão concordou com o pedido da PF para que a apuração seguisse à parte do inquérito sobre as joias. Segundo a PGR, os elementos levantados pela Polícia Federal não tem “conexão ou pertinência” com a apuração que mirou o ex-presidente.

ARQUIVAMENTO – A decisão foi assinada cerca de quatro meses após o pedido da Polícia Federal, em 4 de março. No mesmo dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento da investigação sobre suposta apropriação, por parte de Bolsonaro, de objetos de luxo que lhe foram presenteados enquanto chefe de Estado.

Segundo o PGR, não há lei que trata da destinação de presentes recebidos por presidentes da República de autoridades estrangeiras e assim não é possível denunciar Bolsonaro e seus aliados por crime de peculato.

Ao analisar tal manifestação, Moraes não promoveu o arquivamento da apuração e determinou que a PGR desse seu parecer, especificamente, sobre o pedido da PF relacionado a Wassef.

VIOLAÇÃO – Em nota, o advogado reiterou alegações que apresentou a Moraes quando veio à tona o pedido da PF para investigar os supostos achados em seu celular. Wassef sustenta que suas prerrogativas como advogado foram violadas quando foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal, sem a presença de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil.

A alegação do advogado é a de que a busca é “nula e ilegal”. Além disso, ele questiona o encontro de “evento fortuito” em seu celular, considerando que a apreensão do aparelho ocorreu há três anos. “Jamais pratiquei qualquer irregularidade e não existe nada em meus celulares de ilegal ou sequer indícios de ilicitude que justifiquem apuração sem justa causa”, sustentou.

Extradição de Carla Zambelli volta à estaca zero após decisão da Suprema Corte italiana

Gonet defende manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro, mas pede retirada da arma

Sóstenes nega irregularidades e diz ser alvo de perseguição após nova operação da PF

Michelle assume papel de Lady Macbeth e pode desfazer os sonhos de Bolsonaro

A cartada de Michelle Bolsonaro. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (29). #meio #charge #michellebolsonaro

Charge do Spacca (Canal Meio)

Roberto Nascimento

A disputa pelo espólio político do chefe do clã Bolsonaro guarda semelhança com drama do Rei Lear, porque, a exemplo do Reino da Dinamarca, também há algo de podre, mas muito podre, mesmo, nos Três Poderes de Brasília.

É a união de três famosas tragédias de Shakespeare:
“Otelo”, “Macbeth” e “Rei Lear”. Tanto assim que o jornal Estadão já passou a chamara de Lady Macbeth a madrasta Michelle Bolsonaro.

LUTA PELO PODER – Os filhos e a madrasta lutam pateticamente pelo poder. Cada um dos filhos tem seus interesses políticos e financeiros, sempre estão sugando nas estruturas do Estado, seja no Legislativo ou no Executivo.

Nenhum deles jamais trabalhou na vida, simplesmente usavam o sobrenome do chefe do clã para conquistar mandatos eletivos na Câmara dos Vereadores, Assembleia Legislativa, Câmara Federal e no Senado.

Antes, havia distanciamento, sem que existisse discórdia. A tragédia shakespeariana só começa com a eleição presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Depois de quatro anos, o planejamento da tentativa de golpe tumultuou inteiramente a convivência da família, e as rusgas internas passariam a ser noticiadas, enquanto a Justiça era feita, provocando   a prisão do chefe do clã e seus aliados, mas sem atingir o resto da família.

UMA BRIGALHADA – Começou então, a luta dos filhos contra a madrasta, na disputa pelo espólio político que sobrou do bolsonarismo. A brigalhada foi num crescendo e chefe do clã colocou ainda lenha na fogueira ao indicar o filho mais velho como sucessor.

Agora, com a campanha eleitoral já em curso, o vídeo interpretado por Lady Macbeth, muito bem produzido, com símbolos religiosos no cenário e uso de teleprompter para facilitar a leitura, veio expor a família desunida numa guerra insana.

Lady Bolsonaro mandou recados para o candidato presidencial e os irmãos. “Tenho vida política própria e não preciso de você. Pelo contrário, tenho controle do PL Mulher, das mulheres evangélicas e você, Zero Um, vai precisar do meu apoio”, disse, desafiadoramente.

PRINCIPAL MOTIVO – O apoio dela à candidatura do senador Eduardo Girão ao governo do Ceará, contra a aliança do PL em favor da candidatura de Ciro Gomes (PSDB), não é o principal motivo do racha na família do capitão reformado. Trata-se de quem vai assumir o controle dos votos bolsonaristas no futuro, quando o cacique se aposentar de vez da vida pública.

Me parece que a madrasta, no papel de Lady Macbeth, deu um passo à frente com seu discurso religioso, à moda integralista de Plínio Salgado: “Deus, Pátria e Família”.

 Mas será que seguirá firme contra o Estado Laico e lutará pela volta da Religião no seio do Estado, um retrocesso brutal e medieval. O certo é que a desunião do clã Bolsonaro favorece Lula e deve impedir que o Brasil se curve definitivamente perante os Estados Unidos.

Páginas anônimas despejam R$ 1,1 milhão para atingir Flávio e Tarcísio nas redes