Mesmo após decisão do STF, os tribunais pagam R$ 3,7 milhões em verbas extras

Lula mira maiores colégios eleitorais e o Nordeste na largada da campanha

Emendas Pix: a crise institucional que sobra para o pagador de impostos

Pagador de impostos leva a pior, diz especialista

Deu na CNN

A discussão em torno das chamadas “emendas Pix” voltou ao centro do debate político após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino intimar 21 líderes partidários a prestarem esclarecimentos sobre o direcionamento desses recursos. Para o CEO da consultoria Dharma Politics, Creomar de Souza, ao WW, o maior prejudicado nesse embate é o pagador de impostos.

Para Creomar, independentemente da perspectiva adotada, o resultado mais concreto desse tipo de disputa é o enfraquecimento da credibilidade dos órgãos públicos perante a sociedade.

DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA – “O que nós temos visto ao final do dia é um processo de degradação da confiança do cidadão nas próprias instituições, em que a cada semana parece que há um foco ou uma crise a ser debelada, e as decisões, quando deveriam ser definitivas, se tornam transitórias”, declarou o analista.

Segundo ele, o Judiciário tende a ser beneficiado por seus próprios interesses no caso dos chamados “penduricalhos”, enquanto o Legislativo, que deveria ser o responsável por regulamentar com maior transparência o uso das emendas parlamentares, ignora essa responsabilidade.

“Os parlamentares, a quem deveria caber o processo de melhor regulação da lógica do uso e até mesmo da transparência do processo das emendas parlamentares, dão de ombros a esse tipo de movimento”, criticou Creomar.

RISCOS À DEMOCRACIA –  O CEO da consultoria Dharma Politics apontou ainda que a dinâmica dos incentivos representa um dos maiores riscos para a estabilidade democrática no Brasil. Para ele, há atualmente muitos estímulos para que as regras sejam descumpridas ou substituídas por normas ineficazes.

“Efetivamente, há muitos incentivos para que se quebre ou não se cumpra a regra, ou se criem regras ineficazes, quando, na verdade, a funcionalidade do regime democrático e a própria contenção de risco institucional deveriam funcionar em sentido contrário”, concluiu Creomar de Souza.

Uma desesperada e ciumenta ronda, de bar em bar, na Avenida São João…

Tribuna da Internet | Paulo Vanzolini, o compositor que nos ensinou a dar a  volta por cima

Paulo Vanzolini, grande compositor paulista

Paulo Peres
Poemas & Canções

O zoólogo e compositor paulista Paulo Emílio Vanzolini (1924-2013) dizia que para fazer a música “Ronda” , inspirou-se em seu tempo de soldado nos anos 40, quando servia o Exército na Companhia de Polícia e fazia rondas pelos bares de São Paulo à procura de soldados desgarrados. Foi nessa ocasião que presenciou dramas parecidos com os da letra da música em questão, lançada por Inezita Barroso, em 1953, pela RCA Vitor.

RONDA
Paulo Vanzolini

De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares
Espio em todos os bares
Você não está

Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho alegria me dá
Nele você está

Ah, se eu tivesse
Quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, esta busca é inútil
Eu não desistia

Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E neste dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da Avenida São João

Receita pede laudos à PF e corre contra prazo para investigar joias de Bolsonaro

Após pedido de desculpas de Flávio, Valdemar quer Michelle de volta ao PL Mulher

Caiado ironiza reconciliação entre Flávio e Michelle: “episódio de Casos de Família”

O Centrão se afasta de Flávio Bolsonaro — e o bolsonarismo sente o golpe

À frente do TSE, Nunes Marques enfrenta pressões de Lula, do STF e do bolsonarismo

Lula pode jogar parado, porque o maior rival de Flávio Bolsonaro é ele mesmo

PRI-2307-ENTRELINHAS - (crédito: maurenilson)

Charge do Maurenilson (Correio Braziliense)

Luiz Carlos Azevedo
Correio Braziliense

“Jamais interrompa o seu adversário quando ele estiver cometendo um erro.” A máxima atribuída a Napoleão Bonaparte, inspirada em suas reflexões sobre O príncipe, de Nicolau Maquiavel, parece ter sido escrita sob medida para Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais.

O petista enfrenta dificuldades na economia, elevada rejeição e desgastes naturais do longo exercício do poder, porém seu principal adversário insiste em criar problemas para a própria candidatura.

TIROS NO PÉ – Em vez de explorar as fragilidades do governo, Flávio oferece a Lula oportunidades para recuperar a iniciativa política, mobilizar a esquerda e conquistar eleitores moderados. A lista de erros é extensa.

Flávio se envolveu com Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo do Banco Master; entrou em conflito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se queixa do tratamento recebido do enteado e se afastou da campanha; apostou que o tarifaço de Donald Trump contra as exportações brasileiras seria atribuído a Lula, mas a medida acabou despertando um sentimento de defesa dos interesses nacionais.

Agora, retoma as suspeitas infundadas contra as urnas eletrônicas, repetindo a estratégia que contribuiu para tornar seu pai inelegível e que esteve no centro da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.

ESTRATÉGIA ERRADA – Nenhum desses episódios, isoladamente, liquidaria uma candidatura competitiva. Somados, no entanto, revelam um problema de estratégia, comando e temperamento.

Flávio parece incapaz de perceber que uma eleição presidencial não se ganha apenas consolidando a base bolsonarista. Para derrotar Lula, precisa conquistar uma parcela do eleitorado de centro, reduzir sua rejeição e transmitir segurança às forças econômicas e partidárias que não desejam a continuidade do PT, mas também não querem uma nova crise institucional.

Ao radicalizar o discurso, aproximar-se de personagens controversos e abandonar aliados quando enfrentam dificuldades, o candidato do PL faz exatamente o contrário.

MAIOR EXEMPLO – O caso das urnas é exemplar. Diante de representantes de dezenas de países, Flávio poderia ter apresentado um programa econômico, defendido a abertura de mercados, discutido investimentos e demonstrado capacidade de representar o Brasil no exterior.

Preferiu ressuscitar uma acusação falsa sobre a participação da empresa venezuelana Smartmatic no sistema de votação brasileiro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resposta, carimbou a declaração como fake news. Esclareceu que a Smartmatic não fornece urnas nem programas utilizados no Brasil e que o sistema é concebido e administrado pela própria Justiça Eleitoral.

 O candidato a presidente do PSD, Ronaldo Caiado, de olho numa vaga de segundo turno das eleições, resumiu a patacoada: “42 embaixadores numa sala: dava para vender soja. Dava para abrir mercado para indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!”.

ERRO REPETIDO – Flávio reproduziu o comportamento que levou Jair Bolsonaro à condenação pelo TSE após a reunião com embaixadores de julho de 2022. Mesmo integrantes do bolsonarismo passaram a admitir, reservadamente, que o senador repete o erro do pai.

A fala pode entusiasmar os eleitores mais fiéis, mas não acrescenta um único voto ao campo da direita. Ao contrário, devolve a Lula a bandeira da defesa da democracia, reabre a memória do 8 de Janeiro e ajuda o PT a enquadrar o adversário como representante de uma ameaça institucional.

APOIO DE TRUMP – Flávio também calculou mal os efeitos da política de Donald Trump para o Brasil. Sua aproximação com o presidente norte-americano poderia ser apresentada como um ativo diplomático, desde que servisse para defender empresas, empregos e exportações brasileiras.

Entretanto, sua tentativa de responsabilizar Lula pelas tarifas não convenceu a maioria. A associação com Trump, que deveria fortalecê-lo, passou a alimentar a narrativa governista da defesa da soberania nacional.

O escândalo do Banco Master produziu estragos ainda maiores porque atingiu o discurso antissistema do candidato. Flávio reconheceu ter procurado Vorcaro para obter financiamento privado destinado a um filme sobre Jair Bolsonaro e admitiu que voltou a se encontrar com o banqueiro depois de sua primeira prisão.

QUESTÃO MORAL – O senador nega qualquer ilegalidade, mas as mensagens e gravações divulgadas mostraram pedidos milionários. Politicamente, a proximidade com um banqueiro situado no centro de uma investigação bilionária enfraquece o discurso moralizador do bolsonarismo e dá munição ao PT.

Esse episódio também deteriorou a relação com Ciro Nogueira, presidente do PP e antigo ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Quando Ciro foi atingido por uma operação relacionada às investigações do Master, dirigentes do Progressistas esperavam uma manifestação de solidariedade de Flávio. Ela não veio. O silêncio foi interpretado como abandono.

Nesta quarta-feira, Ciro comunicou a Flávio Bolsonaro, pessoalmente, que a federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, pretende ficar neutra na eleição presidencial no primeiro turno. Além da insatisfação com o comportamento de Flávio, pesaram os interesses regionais e o receio de novas revelações sobre suas relações com Vorcaro. Os dois partidos não estão dispostos a amarrar seu destino a Flávio.

Conluio entre governo Lula e Supremo é grave ameaça à democracia no país

Brilhante frase do filósofo Jean-Jacques Rousseau. 👏👏 Marque seus amigos abaixo.Carlos Newton

A mais famosa, verdadeira e incontestável reflexão de Winston Churchill foi feita no pós-guerra, em 11 de novembro de 1947, ao discursar como líder da oposição na Câmara dos Comuns. Disse ele: “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”. 

Aqui no Brasil, a partir da proclamação da República, vivemos uma democracia atípica e vilipendiada, . Sujeita a chuvas e trovoadas, tem resistido bem desde o fim do regime militar em 1985, mas sempre está correndo riscos, em eventuais episódios.

GOLPE FRACASSADO – No governo passado, a democracia escapou por pouco e foi salva na chamada undécima hora, quando o Alto Comando do Exército não aceitou participar do golpe, e ponto final.

O ataque à democracia foi realmente planejado, mas não chegou a ocorrer, apesar de cerca de 1,6 mil brasileiros terem sido condenados por tentativa de golpe de estado e outros quatro crimes.

Esses julgamentos foram absolutamente inconstitucionais. O presidente Bolsonaro deveria ter sido julgado e condenado por crimes de responsabilidade, na forma da Constituição, e os oficiais das Forças Armadas envolvidos teriam de responder perante a Justiça Militar. Mas isso não aconteceu, porque houve conluio de Poderes da República – no caso, entre o governo Lula e o Supremo, o que caracteriza um outro tipo de golpe de estado.

GRANDE AMEAÇA – É preciso entender que qualquer aliança espúria entre Poderes é uma ameaça direta à democracia. Desde o início do governo Lula, esse conluio entre governo e STF vem se consolidando de uma forma abusiva, e agora atinge seu clímax.  

Assinados às vésperas das eleições, os decretos de Lula que alteram as regras para plataformas digitais representam a própria negação da democracia. Ao criar essas normas, o governo ignorou a existência do Congresso, por saber que pode contar com o apoio irrestrito do Supremo.

Os decretos ditatoriais do presidente Lula simplesmente alteram a regulamentação do Marco Civil da Internet, determinando que as redes sociais retirem conteúdos nocivos sem precisar de ordem judicial. A inconstitucionalidade é óbvia, porque nenhuma lei poder ser alterada por decreto.

OUTRAS INSANIDADES – Os inusitados decretos obrigam as plataformas a remover conteúdos ilícitos e anúncios de produtos ilegais ao serem notificadas, além de proibir a inteligência artificial na criação de “falsos nudes”.

Mas quem vai decidir se o conteúdo é “ilícito” não é a Justiça, e sim a tal Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que assumiu o papel de órgão regulador, com poderes para aplicar advertências e multas caso as gigantes da tecnologia não cumpram as diretrizes. É mais uma clara inconstitucionalidade, que tira os poderes do Judiciário.

O Supremo poderia resolver rapidamente esse problema, pois a raiz da ilegalidade dos decretos são o fato de se referirem também a crimes que já estão tipificados na legislação. No entanto, o STF vai acolher as novas regras não somente devido ao conluio com o governo Lula, mas também porque expandem os poderes do próprio STF.

COINCIDÊNCIA – Além de os decretos terem sido baixados em pleno recesso parlamentar, tudo isso ocorre exatamente quando o ministro Alexandre de Moraes está indo a julgamento nos Estados Unidos, por ter determinado exigências a serem cumpridas pela Justiça americana e também por estabelecer censura prévia e restrições à liberdade de expressão.

Essas medidas de Moraes são consideradas infrações diretas à famosa Primeira Emenda à Constituição dos EUA, a monumental norma jurídica que criou as bases da democracia no mundo.

Por tudo isso, é possível dizer, sem medo de errar, que o conluio entre o governo Lula e o Supremo representa grave ameaça à democracia brasileira, bem mais perigosa do que o golpe de Bolsonaro, que foi do tipo Viúva Porcina, rotulada pelo dramaturgo Dias Gomes como “aquela que foi sem ter sido”.

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P.S. –
A democracia é uma dádiva. Temos de preservá-la a todo custo. Por isso, é preciso escorraçar do poder qualquer político que a ameace, como Bolsonaro e Lula, pois o desprezo deles à democracia é mais do que evidente. (C.N.)

Campanha de Flávio aciona TSE contra uma suposta rede de perfis falsos

Flávio Bolsonaro pede desculpas a Michelle e tenta encerrar crise antes da campanha

Flávio apela por apoio à sua candidatura

Luísa Marzullo
Letícia Pille
O Globo

Em um gesto aguardado por aliados do PL para tentar encerrar a crise com Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quinta-feira um vídeo em que pede desculpas publicamente à ex-primeira-dama, elogia sua atuação política e faz um apelo para que ela participe da campanha presidencial. A gravação ocorre após semanas de desgaste entre os dois, marcadas por críticas públicas e divergências sobre os rumos da candidatura.

“O momento é difícil para todo mundo. Ninguém é perfeito. Eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto”, afirmou. Nos bastidores, aliados da ex-primeira-dama afirmavam que Michelle só voltaria a se engajar efetivamente na candidatura após um gesto público de Flávio reconhecendo sua importância e pedindo desculpas pelos episódios recentes. A expectativa agora é que os dois apareçam juntos na convenção do PL no Distrito Federal.

UNIÃO – No vídeo, Flávio afirma que o momento exige união do campo conservador e diz que “o nosso Brasil não aguenta mais quatro anos de PT” e que “alguém que já teve três mandatos para fazer alguma coisa e não fez não merece um quarto, porque é óbvio que não vai fazer de novo”. “Mas, para a gente libertar o Brasil e levar prosperidade para a nossa nação, é preciso que todos entrem em campo e me ajudem”, disse.

Em seguida, o senador dirige-se diretamente à ex-primeira-dama e faz um reconhecimento público de sua atuação política, um gesto considerado essencial por aliados para viabilizar uma reaproximação. “Então eu quero, mais uma vez, me dirigir à Michelle. Todos nós reconhecemos o grande trabalho que ela fez no PL Mulher. Percorreu o Brasil inteiro por uma causa, inspirando milhares de mulheres a ingressarem na vida pública”, destacou.

ELOGIO – Flávio também elogia a atuação de Michelle em outras áreas e destaca o papel desempenhado por ela desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar: “E também o seu trabalho para ajudar pessoas com doenças raras e os surdos. Com a covardia que fizeram com meu pai, ela tem a responsabilidade de cuidar dele no dia a dia. Todo mundo sabe que, até hoje, até nós, os filhos, estamos proibidos de ver o próprio pai, o que aumenta ainda mais a importância dela. Ela precisa ser reconhecida e respeitada também por isso”.

Ao justificar o pedido de desculpas, o senador afirma que os conflitos internos acabaram sendo explorados pelos adversários e nega ter pretendido desrespeitar a ex-primeira-dama. “Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores. Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai. Também faço um pedido à militância: para a gente olhar para frente nesse momento, focar no objetivo principal, que é resgatar o nosso Brasil”, finalizou.

Sem União e sem PP, Flávio terá 20% menos tempo na televisão que Lula

Lula terá um minuto a mais do que Flávio no horário eleitoral

Raphael Di Cunto
Folha

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá 20% a menos de propaganda eleitoral na TV e rádio do que o presidente Lula (PT) se continuar isolado, após o caso “Dark Horse” afastar o apoio de União Brasil e PP à sua pré-candidatura presidencial. Ele busca reverter isso com uma aliança com o Republicanos, o que lhe daria uma leve vantagem sobre a campanha petista.

Nesta eleição, apenas quatro candidatos à Presidência terão direito a propaganda na TV e rádio: Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Os demais, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), não contam com apoio de partidos que superaram a cláusula de desempenho e por isso ficarão de fora do horário eleitoral.

RELEVÂNCIA – Embora as redes sociais tenham ganhado papel central nas eleições, a propaganda na televisão e rádio ainda é vista como relevante pelas campanhas majoritárias. A publicidade na TV aberta atinge principalmente o público de até dois salários mínimos, única faixa de renda do eleitorado em que Lula vence Flávio (53% a 38% no segundo turno, de acordo com o Datafolha de 17 e 18 de junho).

Já no rádio, a propaganda chega mais ao eleitor do interior ou que está em deslocamento de carro nas grandes cidades. As inserções de 30 ou 60 segundos ao longo da programação são consideradas mais eficientes do que os blocos de propaganda eleitoral, que são mais longos e têm menor audiência, por permitir reforçar os pontos fortes dos candidatos e apontar problemas de adversários.

VANTAGEM – Lula está atualmente em vantagem em relação a propaganda na TV e rádio por ter conseguido unificar os maiores partidos de esquerda em torno da sua candidatura, mesmo sem conquistar o apoio de partidos de centro ou centro-direita. Ele deve disputar a reeleição numa aliança com as federações de PT/PV/PCdoB e do PSOL/Rede, além de PDT e PSB.

Com isso, num cenário em que Flávio continue isolado e com apoio apenas do PL, o petista terá um minuto a mais por dia nos blocos de 12min30s do horário eleitoral. Lula contará com 5min32s de cada programa, enquanto o candidato do PL terá 4min20s. Caiado vai dispor de 2min2s e Cury, de 36 segundos.

Já num cenário em que Flávio consiga o apoio do Republicanos, o senador do PL passará a ter leve vantagem sobre o petista: 5min16s a 4min51s. Caiado terá 1min49s e Cury, 34s.

NEUTRALIDADE – O pré-candidato do PL atua pelo apoio do Republicanos, embora o partido indique que prefere ficar neutro na disputa presidencial. Negociações em quatro estados, no entanto, podem mudar esse cenário, junto com a oferta da vice-presidência na chapa.

O PL avançou em tratativas para apoiar os candidatos do Republicanos ao governo do Espírito Santo e aguarda só a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre concorrer ao governo para anunciar uma aliança em Minas Gerais.

Por outro lado, segue indefinido no Acre, entre o apoio a governadora Mailza Assis (PP) ou o senador Alan Rick (Republicanos), e enfrentará o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) no Mato Grosso, com a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL).

VICE NA CHAPA – Outra tratativa é que o Republicanos poderia ficar com a vice na chapa –o nome de preferência de Flávio é o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. Ela, contudo, é recém-filiada ao partido e não seria o nome favorito da legenda.

Apesar dessas tratativas, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, tem afirmado que a tendência hoje é o partido ficar neutro nas eleições presidenciais. Ele está consultando os diretórios estaduais para decidir até o fim do prazo, 5 de agosto.

O dirigente da sigla afirmou no domingo (12), em nota, que uma pesquisa encomendada pelo partido “detectou um sentimento de frustração à pré-candidatura de Flávio e uma indicação de preferência pela neutralidade nestas eleições”.

DARK HORSE  – Dirigentes do Republicanos dizem que a sigla tinha posição mais favorável a Flávio, mas que o cenário mudou quando foi revelado em maio que ele pediu dinheiro ao Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os recursos, segundo Flávio, seriam para custear o filme Dark Horse (“azarão”), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Isso fez com que ele caísse nas pesquisas e também afastou o apoio de outros dois partidos do centrão, o PP e o União Brasil, que até então eram a prioridade para a candidatura. Se conseguisse uma coligação que unisse o PL com as três siglas, Flávio teria 6min50s de propaganda por bloco, quase o dobro do tempo de Lula, com 3min43s.

CÁLCULO – A conta é feita com base no tamanho das coligações de cada candidato e nas bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados na última eleição (2022). No cálculo, 10% do tempo é dividido igualmente entre os presidenciáveis que têm apoio de pelo menos um partido que superou a cláusula de desempenho, e os outros 90% são repartidos de acordo com o número de deputados eleitos pelas siglas que compõem a chapa do candidato.

O volume de inserções no meio da programação é proporcional ao tempo de propaganda em cada bloco do horário eleitoral. No segundo turno, os dois candidatos que continuarem dividem o tempo em 50% para cada, independentemente do tamanho de suas coligações.

Com Centrão distante, Valdemar admite dificuldade para Flávio Bolsonaro encontrar vice

Valdemar rejeita chapa pura para Flávio

Lauriberto Pompeu
Luísa Marzullo
O Globo

Após a federação União-PP indicar que deve adotar uma posição de neutralidade na eleição presidencial, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira que o partido não pode lançar uma chapa pura na disputa pelo Palácio do Planalto.

Em entrevista ao O Globo, o dirigente defendeu a escolha de um vice de outra legenda, embora o cenário seja cada vez mais difícil para Flávio Bolsonaro atrair aliados. Até o momento, entre os grandes partidos do Centrão, apenas o Republicanos não fechou as portas. “Difícil (achar um vice), mas vamos descobrir”, disse o presidente do PL.

FAVORITISMO – O dirigente voltou a apontar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como sua opção preferida, apesar da recusa da ex-ministra da Agricultura e também de seu partido de embarcar no projeto. Valdemar também admitiu que a resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à candidatura do enteado prejudica a pré-campanha.

“Eu acho (que a Michelle vai ser candidata). Estou torcendo. Michelle tem tudo para ser eleita senadora. Quando ela falou que não queria ser candidata atrapalhou um pouco. Mas eu não tenho dúvida, não (de que vai ser candidata)”, disse o presidente do PL: “Eu estive com ela na semana passada. Ela está disposta, mas quer que o Flávio faça alguma coisa, que se manifeste”.

RECONCILIAÇÃO – Valdemar disse não acreditar que Michelle participe da convenção nacional do PL, embora considere a reconciliação entre os dois “importantíssima” para a disputa. “Queria que ela fosse à convenção, mas tudo bem. Precisa ver isso. É difícil”, disse.

O presidente do PL ainda descartou a possibilidade de substituir Flávio caso surjam novos desgastes, minimizou o impacto do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou que Jair Bolsonaro ajudaria o partido a eleger “uns oito senadores a mais” caso pudesse participar da campanha e defendeu sua atuação na discussão sobre a destinação de emendas parlamentares.

Sobre relatos de que Flávio concentra as decisões de sua campanha em um círculo restrito e de que haveria uma disputa entre o presidente do PL e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, Valdemar reconheceu as dificuldades do parlamentar em fazer as articulações políticas

CRÍTICAS A KASSAB – Alvo de investigações da Polícia Federal e de uma decisão do Supremo Tribunal Federal que bloqueou seus recursos em até 119 milhões por uso indevido de emendas, Valdemar negou irregularidades e criticou o presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Questionado pelo Supremo após uma fala de Valdemar em que ele diz que todos os presidentes de partidos acompanham a negociação de emendas, a defesa de Kassab disse que ele não participa da articulação dos recursos. “Ele mentiu para caramba na resposta. É um desqualificado. Ele era ministro da Dilma. Na véspera do impeachment, pediu demissão, e todo o PSD votou a favor do impeachment. No dia seguinte, virou ministro de Temer. Kassab é frouxo”, afirmou.

Valdemar também respondeu às críticas do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e que tem chamado o presidente do PL de “Gagádelmar”. Segundo ele, Figueiredo é “um doido varrido” e “não tem voto”.

Na briga entre Alessandro Vieira e Gilmar Mendes, quem sai perdendo é o país

PGR aponta uso eleitoreiro de CPI em caso envolvendo Gilmar

PGR aponta uso eleitoreiro de CPI em caso envolvendo Gilmar

Vicente Limongi Netto

Homens públicos por vezes são levados pela emoção, causando feridas em sentimentos alheios. Esquecem que palavras moderadas ainda são os melhores caminhos para definir posições e defender pontos de vista.

Faço essas ponderações, do alto do meus quase 82 anos, para o ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para que reflita melhor, com as altas virtudes que tem, de magistrado culto e respeitado, para que alivie a ira e o processo contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

VIDA PÚBLICA – Gilmar e Alessandro são calejados. A vida pública precisa do fulgor democrático de ambos. Não conheço Alessandro de vista nem de chapéu, diria Machado de Assis. Sei, porém, que é parlamentar de elevado espírito público. Jovem membro do MDB. Respeitado pelos colegas. Foi delegado civil em Sergipe. Chegou a delegado-geral da instituição.

Gilmar Mendes está processando o senador por ter pedido seu indiciamento no relatório final da CPI do Crime Organizado. O ministro acusou Vieira de abuso de poder.

A CPI não aceitou indiciar o ministro, que então processou o parlamentar por abuso de poder. A Procuradoria-Geral da República concluiu que houve desvio de finalidade e enviou o caso à Justiça Eleitoral, o que pode tornar o senador inelegível. E Alessandro ameaça processar o ministro do STF.

Gilmar precisa lembrar que, neste mundo confuso de Deus, todos nós temos acessos de destrambelhos na alma. Quem jamais teve, que atire a primeira pedra.

TEREZA CRISTINA – Que fique claro para aqueles que preferem alimentar rumores em vez de se ater aos fatos, jamais passou pela cabeça da senadora Tereza Cristina integrar uma chapa como candidata a vice de Flávio Bolsonaro. Tereza Cristina foi uma excelente ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, reconhecimento que lhe conferiu projeção nacional. Mas, como ensinava Magalhães Pinto, “a política é como as nuvens: muda de forma e de posição conforme as circunstâncias”.

Com independência de pensamento, Tereza Cristina sempre tomou suas decisões de acordo com suas próprias convicções. Discreta, acompanha os embates da política com serenidade, senso de responsabilidade e preocupação com os rumos do país.

Em meio às disputas e especulações, é importante lembrar que o interesse público deve prevalecer. Infelizmente, há quem pareça mais preocupado com projetos pessoais do que com os interesses coletivos da sociedade.

 

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